12/03/2010 – “O Melhor do Brasil para o Mundo”

March 12th, 2010

Por Marcelo Copello

A 7ª edição do “Essência do Vinho” reuniu cerca de 19 mil enófilos em seus quatro dias (de 4 a 7 de março). O cenário foi o monumental palácio da bolsa, edifício histórico na cidade do Porto (Portugal). Os números do evento são expressivos, uma centena de críticos especializados de vários países, 350 produtores, 3 mil vinhos em prova e cerca de 50 atividades paralelas, entre degustações, palestras e harmonizações. Além disso o evento elege a cada ano os “Top 10 vinhos portugueses”, com um júri formado por críticos de vários países, do qual fiz parte.

Os “Top 10 vinhos portugueses”

Cheguei do Brasil na 5ª feira de manhã direto do avião para a eleição dos “Top-10”. Estavam em prova os 41 dos vinhos mais bem pontuados ao longo de 2009 pela revista “Wine Essência do Vinho”, promotora do evento. Assim, provamos 5 brancos da safra de 2008, 29 tintos da safra de 2007 e 7 Portos Vintage da safra de 2007.

Como era de se esperar o nível da prova foi altíssimo, pontuei alto quase todos os vinhos. No final os vencedores foram:

 

BRANCO

1º-Redoma Reserva 2008, Douro, Niepoort 

 

TINTOS

1º-Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2007, Douro, Quinta do Crasto 

2º-Quinta dos Avidagos Grande Reserva 2007, Douro, Quinta dos Avidagos

3º-Malhadinha Matilde 2007 Alentejo, Herdade da Malhadinha

4º-Quinta do Couquinho Grande Reserva 2007, Douro, Maria Adelaide Melo e Trigo

5º-Charme 2007, Douro, Niepoort

6º-Scala Coeli 2007, Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida

7º-Quinta da Touriga Chã 2007,Douro, Jorge Rosas

8º-Quinta do Vale Meão 2007 Douro, F. Olazabal e Filhos

 

PORTO VINTAGE

1º-Warre’s Porto Vintage 2007, Symington Family Estates

 

Fizeram parte do júri os seguintes jornalistas e sommeliers:

Adebayo Vunge Angola Jornalista Novo Jornal – coluna “In Vino Veritas”
Axel Probst   Alemanha Critico de Vinhos “World of Port”
Jean Smullen Irlanda Wine Writer (Freelancer)
Joe Coyle Irlanda Wine Educator
José Peñin Espanha Jornalista | Critico Vinhos | Guia Peñin
Kristine Bäder Alemanha Editora Chefe “Sommlier Magazine”
Manoel Beato Brasil Chefe Sommelier do grupo Fasano.
Henrique Mano USA Jornal Luso-Americano
Marcelo Copello Brasil Editor www.mardevinho.com.br, colaborador Revista de Vinhos e Gosto
Michael Giesen Suécia Wine Writer (Freelancer)
Niko Rechenberg Alemanha Editor Chefe “Wein & Gourmetwelten”, Colabora com Gault Millau e Cicero
Paul White USA Critico Vinhos, colabora com Decanter, WINE – A Essência do Vinho, etc.
Peer F. Holm Alemanha German Sommelier Association | Escreve em várias revista na Alemanha
Totte Steneby Suécia  2º Melhor Sommelier Suécia 2009
Victor Amaro UK Sommelier Hotel du Vin Cheltenham
Kevin O’Hara Irlanda www.portuguesewine.ie
Thomas Kierdorf Alemanha  Vino Grande
Hildérico Coutinho Portugal Wine Educator
Manuel Moreira Portugal Sommelier | Critico de Vinhos revista WINE
Fernando Melo Portugal Jornalista vinhos e gastronomia | Público, Sábado e revista WINE
Sérgio Pereira Portugal Sommelier restaurante Buhle

 

Vinhos brasileiros em prova

Mais importante (para mim) que os “Top 10 vinhos portugueses” foi a apresentação que fiz no evento, chamada de “O Melhor do Brasil, Vinhos Brasileiros em Prova”, que aconteceu no dia seguinte. Até onde sei foi a primeira vez que vinhos brasileiros foram apresentados à imprensa internacional por um jornalista e não pelas próprias empresas ou órgão oficiais.

Após a degustação dos “Top 10 vinhos portugueses” aproveitei para conversar com muitos dos membros do júri e convidá-los para a degustação brasileira. Pude constatar que no mundo inteiro há muito interesse pelo vinho brasileiro, por parte dos jornalistas e sommeliers. Todos estavam curiosos em provar os nossos vinhos. Um enólogo português chegou a brincar que o título “O Melhor do Brasil”, o fez pensar em samba e mulheres.

 

Critério

A organização do Essência do Vinho me limitou a 8 vinhos e 50 minutos de palestra. A seleção foi de minha responsabilidade e meu critério foi escolher vinhos de 8 empresas diferentes, com ao menos um vinho do nordeste (a curiosidade pelo paralelo 8 é imensa) e um vinho de altitude de Santa Catarina. Baseei a escolha em minhas degustações de 2009, todas publicadas em meu site, www.mardevinho.com.br.

Para a organização da palestra contei com o apoio do  Ibravin e da Wines From Brazil. A “seleção brasileira” foi escalada com:

1-Espumante Geisse Terroir 2006, Cave de Amadeu

2-Chardonnay Villa Francioni Lote II

3-Rio Sol Reserva Cabernet-Syrah 2008, Vini Brasil

4-Talento 2005, Salton

5-Merlot DNA99 Single Vineyard 2005, Pizzato

6-Storia Merlot 2005, Casa Valduga

7-Lote 43 2005, Miolo

8-Gran Reserva Teroldego 2007, Don Guerino

 

A Palestra

As reservas estavam previamente esgotadas. Fiz a maior parte da palestra em inglês, devido à bem vinda presença de estrangeiros. Falei do panorama do mercado no Brasil (produção brasileira, importados, consumidor brasileiro, etc), depois apresentei as regiões produtoras, PE, SC e RS e por fim provamos juntos todos os vinhos. Os 6 tintos foram servidos às cegas e pedi que cada um elegesse seu favorito. 

A votação

O espumante e o branco servidos antes da prova cega agradaram. O Chardonnay Villa Francioni foi bastante elogiado, com algumas ressalvas para a madeira a mais. Os tintos foram avaliados de forma criteriosa, por um público bastante profissional e crítico, atento a todos os detalhes. Alguns pontos a melhorar foram apontados, como toques de “bret” (aromas animais) em alguns vinhos, taninos verdes em outros e excesso de madeira em outros. A qualidade geral, contudo, superou as expectativas e o potencial dos vinhos foi elogiado. O que vi foi uma platéia satisfeita e muito contente por poder provar estes vinhos, ainda quase inéditos para o mundo.

Fiz uma votação entre os presentes e pedi que cada um me apontasse seu vinho predileto. Estava lá um brasileiro ilustre, o sommelier do grupo Fasano Manoel Beato, que participou do certame. Eu esperava uma votação dividida, mas para minha surpresa, com exceção de 1 voto (para o Merlot da Pizzato), TODOS votaram no mesmo vinho, em quase unanimidade.

O eleito foi:

Lote 43 2005, Miolo

 

Parabéns à Miolo e aos vinhos brasileiros! 

Reproduzo aqui minha avaliação do LOTE 43 feita em 7/8/2009 e publicada em meu site no link: www.mardevinho.com.br/colunas/crise-nao-tira-nacionais

“Lote 43 2005, Miolo. Elaborado com Cabernet Sauvignon e Merlot, amadurecido em barricas de carvalho americano. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos bem vivos. Aroma intenso e bem integrado de frutas maduras, especiarias doces da madeira, vegetal da Cabernet Sauvignon. Paladar de bom corpo, sem exageros, taninos finos e doces, boa acidez, 14% de álcool, longo e equilibrado. Muito bem elaborado, sem arestas, delicioso. Cresceu muito depois de algum tempo no decanter. O melhor corte da prova e um dos melhores vinhos do Brasil. Nota 88 pontos”

Uma curiosidade: durante a apresentação um irlandês perguntou, com preocupações ecológicas, se estamos desmatando a floresta Amazônica para implantar vinhedos.

Repito uma declaração que dei ao Ibravin, “a maior prova de que eu confio na qualidade do vinho brasileiro é me colocar na frente de especialistas de vários países para apresentar estes vinhos”. Lembrem, contudo, que estamos apenas começando e que o caminho da qualidade é longo, feito de muitos passos. Espero ter ajudado com este pequeno passo.

Para entender melhor o que quero dizer, basta saber que enquanto degustávamos os vinhos brasileiros, na sala ao lado havia a prova comemorativa dos 100 anos da república portuguesa, com Portos, Moscatéis e Madeiras da safra de 1910, vinhos fantásticos que eu pude provar e que atestam o trabalho de qualidade de muitas gerações.  

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br 

05/03/2010 – “A prova dos 100 anos”

March 3rd, 2010

Por Marcelo Copello

Para alguns vinhos muito especiais o tempo parece não passar. Dez anos, 20 anos, 120 anos… Qual será o limite? Impossível dizer. Só a abertura de cada garrafa dará o veredito final. E qual o gosto de um vinho de 120 anos? Isso sim eu posso relatar. Vejam adiante. 

Antes de viajar no tempo falemos de algo importante. Portugal acaba de lançar-se em bloco no mercado internacional. Em uma press conference em Lisboa no dia 10 de fevereiro, foi apresentada a marca “Wines of Portugal” (leiam todos os detalhes em www.winesofportugal.info). A qualidade do vinho português mudou e vem mudando (para melhor) faz tempo e uma ação como esta já se fazia necessária. Com a presença do ministro da agricultura, António Serrano, jornalistas de vários países e a nata do vinho português, o evento me deixou uma ótima impressão. Tenho a certeza de que Portugal está no caminho certo para o reconhecimento internacional em maior escala.

Como parte deste lançamento o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) realizou a degustação “Dois Séculos de Vinho Português”.  O evento aconteceu na manhã do mesmo dia na sede do IVV em Lisboa e contou com a presença de 23 degustadores. Veja a lista no final da matéria.  

Esta inesquecível prova contou com nada menos de 45 rótulos de safras de 1890 a 1993.  Ou seja, caldos com idade entre 17 e 120 anos! De cada vinhos dispúnhamos de 3 ou 4 garrafas (algumas magnums) e como sempre acontece neste tipo de prova, havia grande diferença entre cada garrafa. Algumas infelizmente estavam com problemas e outras chegavam ao sublime. A altíssima qualidade e longevidade de boa parte dos vinhos foi surpreendente. Uma prova inesquecível, com vários vinhos de classe internacional, capazes de enfrentar os melhores vinhos do mundo. Nem precisei pegar o avião de volta ao Brasil, vim flutuando…

Vou comentar os que mais me agradaram e informo ao final a lista completa destas maravilhas:

 

Flight 1 (Brancos)

Dão Branco 1971 (Produtor CEVD Nelas) Maravilhoso desde o primeiro contato! Palha claro com reflexos dourados, sem demonstrar evolução na cor. Aroma intenso e fresco, mineral, anis, aneto, jovial, floral. Paladar muito seco, acidez crocante, grande vinho. O melhor deste flight. Provei este vinho a cerca de 2 anos e na ocasião ele foi batido pelo 1964. Hoje reinou. Nota 94 pontos

Dão Branco 1980 (Produtor CEVD Nelas) Palha claro com reflexos levemente dourados, sem sinais da idade que tem. Com aromas de querosene, florais e mel. Paladar muito seco, acidez crocante, com agradável toque de oxidação no fim de boca, delicado e elegantíssimo. Nota 91 pontos

Dão Branco 1992 (Produtor CEVD Nelas)Cor palha dourado clara, muito sã e brilhante. Mais floral que os anteriores e mais evoluído, com aromas de mel e amêndoas. Paladar macio, boa acidez, menos vivo que o 80 e o 71, leve macio e delicado. Tem bom corpo, é muito equilibrado e elegante, longo, com leve toque de amargor no fim de boca. Nota 91 pontos

 

Flight 2 (Tintos) 

Tinto Velho José Rosado Fernandes 1945 Este vinho de 65 anos de idade parecia meio morto na cor, marrom escuro com reflexos âmbar, com muito depósito. O nariz estava totalmente etéreo e muito complexo, mostrando ervas maceradas, toques animais de couro, cana-de-açúcar. Abriu-se muito ao longo da prova. Paladar macio, de pouca acidez, estava perfeito, um veludo, muito fino, longo. Sublime. Nota 93 pontos

Dão Touriga Nacional 1963 (CEVD Nelas) Maravilha! Elaborado com 100% de Touriga Nacional. Este foi o vinho que mais me impressionou neste flight. Cor escura e densa em tons granada alaranjado. Aroma potente e dando a impressão de ainda ter evolução pela frente, complexo ainda com fruta nesta idade! Mostrando couro, ameixas maduras, especiarias, pelica, chocolate amargo. Paladar encorpado vivíssimo, taninos ainda presentes, fim de boca seco e sério, com  ótima acidez. O que impressionou foi ver que este exemplar tem um caráter jovial e moderno (boa fruta, madura), com meio de boca largo, taninos secos, finos, firmes, longo. Provei este vinho a cerca de 2 anos e continua melhorando. Nota 96 pontos

Dão tinto 1970 (CEVD Nelas) Marrom-âmbar fechado, totalmente etéreo, com aroma complexo, com toque de gás de cozinha, bem mais envelhecido que o 1963. Paladar com taninos ainda presentes, macio, já um pouco curto. Depois de algum tempo mostrou um toque de ervas, mentol. Paladar seco, bons taninos, finos, longo. Nota 91 pontos

 

Flight 3 (Tintos)

Dão tinto 1971 (CEVD Nelas). Marrom âmbar. Mais mineral que os outros, com finesse surpreendente, delicadamente etéreo taninos finos presentes, longo, perfeito. Nota 92 pontos

Mouchão 1974. Marrom âmbar. Deliciosamente complexo, com couro, chocolate, especiarias, totalmente etéreo. Paladar volumoso, no estilo mantido pelo Mouchão até hoje, com meio de boca poderoso, longo, mostrando ervas maceradas, café, estragão, funcho. Um vinho imponente, espetacular! Provei este mesmo vinho ano passado no Brasil e esta garrafa de hoje estava ainda melhor. Nota 96 pontos

Caves São João Frei João 1980 MAGNUM. Marrom etéreo. Ervas maceradas, couro, pelica, muito expressivo, aberto. Paladar equilibrado, seco, longo, ótima surpresa (eu nunca havia provado este vinho). Nota 92 pontos

 

Flight  4 (Tintos)

Quinta do Côtto Grande Escolha 1982. Cor escura e densa, granada alaranjada. Parece mais novo na cor. Aroma ainda com frescor, sério, complexo. Paladar austero, quase duro, seco , taninos finos, bem presentes, maravilhoso, seu estilo remete a Bordeaux. Tem um toque quase bruto, ainda jovem e precisando de tempo de garrafa, evolui mais 10 anos tranquilamente. Fantástico! Nota 95 pontos

Mouchão 1984. Marrom âmbar escuro. Menos expressivo que o 74, mas com o mesmo caráter marcante da Alicante Bouschet. Mostra, couro chocolate, café, taninos estruturados, sérios e ainda bem presentes. Perfeito. Nota 94 pontos

Quinta do Côtto Grande Escolha 1985. Cor escura, em tons de granada alaranjado. Aroma mais fino, seco e mineral que o 1982, com muita fruta madura, chocolate, especiarias, musgo. Paladar seco, sério, profundo, mais fechado e mais elegante que o 1982. Ainda deve evoluir muito.  Nota 96 pontos

Ferreirinha Reserva Especial 1986. Cor ainda jovem, escura, em tons de granada. Aroma ainda fechado, com ameixa seca, baunilha, madeira. Paladar compacto e profundo, de grande estrutura, onde a fruta aparece bem, taninos finos, longo, ainda jovem, vai evoluir muito. Nota 94 pontos

 

Flight  5 (Tintos)

Quinta do Carmo 1988. Granada com os primeiros reflexos alaranjados, demonstrando estar no início de sua vida madura. Mineral, chocolate, ameixa seca. Gordo na boca, com paladar volumoso, complexidade apenas na boca, boa profundidade. Lembra um Mouchão em seu melhor. Um grande vinho em sua plenitude. Saudades destes Quinta do Carmo com Alicante Bouschet… Nota 94 pontos

Niepoort Robustus 1990. Eu havia provado este vinho na véspera desta degustação e minha impressão foi confirmada. Escuro na cor, na transição entre rubi e granada. Aroma intenso de grande complexidade, com fruta doce na transição para aromas etéreos. Um vinho impressionante, monumental e multidimensional, pois tem uma estrutura e profundidade impressionante. Possui um toque de rusticidade no nariz e na boca que não tira sua grandiosidade. Ainda deve evoluir muito e eu quero estar lá para acompanhar o crescimento desta criança, que pode me chamar de “tio”! Nota 95 pontos

  

Flight  6 (Vinho do Porto Vintage) 

Taylor’s Vintage 1970. Granada com reflexos alaranjados. Aroma intenso, frutas maduras, frutas secas, violetas, cacau amargo. Paladar de grande estrutura, taninos poderosos e muito finos, meio-doce e macio, muito equilibrado. Longo e austero, um monstro. O que impressiona neste vinho é sua  estrutura e o equilíbrio geral, tudo nele está bem proporcionado e bem integrado. Em um ótimo momento dos 40 anos de idade, perfeito, arrebatador. Como diríamos aqui no Brasil, é “tudo de bom”. Nota 98 pontos

Niepoort Vintage 1970. Em relação ao outro 1970 é mais claro e evoluído na cor, mais elegante e menos estruturado. Bastante etéreo com medicinais, especiarias, floral elegante, frutas secas. Paladar meio doce, longo, muito bem equilibrado, maravilhoso! Nota 94 pontos

Ramos Pinto Vintage 1983 MAGNUM. Cor escuro, granada com os primeiros reflexos alaranjados. Aroma intenso e jovial, de muita fruta, ameixa, esteva, alcaçuz, musgo, fresco bem delineado. Paladar estruturado e elegante, macio, doçura muito bem integrada, taninos finíssimo, muito equilibrado. A garrafa magnum ajuda muito e sua evolução parece bem mais lenta, ainda jovem, mas já delicioso. Grande vinho. Nota 96 pontos

Fonseca Vintage 1985. Escuro, granada sem reflexos, um pouco fechado, aparentemente hibernando. Doçura bem pronunciada, aroma sem bloco, etéreo, fruta doce bem delineada, especiarias, encorpado, longo. Eu o guardaria no mínimo mais 5 anos, senão 10, antes de começar a consumir. Nota 94 pontos

 

Flight  7 (Vinho do Porto Colheita)

Barros Colheita 1941 (engarafado em 2010). Cor âmbar dourado, claro e brilhante. Aroma medicinal intenso, bastante evoluído, dando sinais de cansaço. O paladar é melhor que o nariz, equilibrado, oleoso, maravilhoso, boa, com uma impressionante concentração. Nota 88 pontos

Niepoort Colheita 1957 (engarafado em 1977). Âmbar com reflexos dourados, claro e brilhante. Aromas de amêndoas, mel, laranja confit. Paladar doce, muito equilibrado, elegante, longo, muito persistente. Nota 92 pontos

Wiese & Krohn Colheita 1968 (engarafado em 2010). Âmbar quase marrom, com aromas de melaço, castanhas em calda, “marrom glacê”, complexo, etéreo. Paladar bastante doce, grande persistência, eu só gostaria de um pouco mais de frescor. Nota 91 pontos

Poças Colheita 1976 (engarafado em 2009). Âmbar dourado, claro brilhante. Aroma delicado e elegante. Na boca é um carinho, untuoso, longo, gruda na boca, bastante doce. O mais elegante e equilibrados dos colheitas desta prova. Nota 95 pontos

 

Flight  8 (Branco)

Grandjó 1925, Real Companhia Velha

Lindamente dourado, muito vívido e límpido, com reflexos âmbar, aromas de mel, com toque agradável e discreto de oxidação, que lhe dá complexidade, lembrando um jerez, mesmo aos 85 anos de idade ainda mostrava fruta madura, manga, abacaxi em calda, geléia de damasco, paladar perfeito, abriu-se muito ao longo da prova, bem presente no meio de boca, e muito longo, espetacular! Talvez alguns se perguntem por que um vinho branco seco foi servido após os vinhos do Porto. Pois digo que este branquinho iria destruir os portos se colocado antes… Nota 97 pontos.

 

Flight  9 (Moscatel de Setúbal)

Alambre 20 Anos, José Maria da Fonseca. Amarelo âmbar carregado. Nariz potente e de grande elegância, lembrando nozes, casca de laranja, frutas cristalizadas, mel e um leve toque de ervas aromáticas. Paladar doce e macio, untuoso, quase licoroso, gruda na boca em longa persistência. Nota 93 pontos

 

Flight  10 (Vinho da Madeira)

D’Oliveiras VERDELHO 1890. Marrom escuro, âmbar. No nariz é uma explosão, muito intenso e muito etéreo, lembrando melaço, caramelo, iodo. Na boca é muito denso, concentrado, cremoso, doce (mas não muito), com toque medicinais, leve toque de amargor no fim de boca, extremamente longo. É sempre emocionante provar vinhos do ano de meu nascimento, risos… Nota 96 pontos

Blandy’s Bual 1920. Âmbar claro, dourado. Aroma elegante, delicado, etéreo, laranja, mel, certo ranso resinoso, bastante iodo, maresia. Paladar meio doce, onde o perfil aromático aparece com mais expressão, extremamente longo, gruda na boca, perfeito. Chamou mais a atenção que o 1890, por sua qualidade e por sua tipicidade como vinho da Ilha da Medeira. Uma obra de arte de 90 anos de idade. Nota 98 pontos

HM Borges Bual 1977. Âmbar dourado claro. Aroma etéreo, medicinal, iodo discreto. O perfil geral muito parecido com o outro Bual (1920), paladar meio doce, oleoso, extremamente longo. Aroma muito elegante complexo, com toque de álcool aparecendo no nariz, Grande expressão da Ilha da Madeira. Perfeito. Nota 94 pontos

 

Lista completa dos vinhos provados

Flight 1 (Brancos)
1 – CEVD (Nelas) Branco 1964
2 – CEVD (Nelas) Branco 1971
3 – CEVD (Nelas) Branco 1980
4 – Fundação Eugénio de Almeida Cartuxa Branco 1987
5 – Quinta das Bágeiras Branco 1989
6 – CEVD (Nelas) 1992
 
Flight 2 (Tintos)
1 – Tinto Velho José Rosado Fernandes 1945
2 – Quinta da Falorca 1963
3 – CEVD (Nelas) 1963
4 – CEVD (Nelas) 1963 Touriga Nacional
5 – Caves São João Frei João 1966
6 – CEVD (Nelas) 1970
 
Flight 3 (Tintos)
1 – CEVD (Nelas) 1971
2 – Reserva 1971 ACB – Rótulo de Cortiça
3 – Mouchão 1974
4 – Sogrape Dão Pipas 1975
5 – Caves São João Frei João 1980
6 – Reserva 1982 ACB – Rótulo de Cortiça
 
Flight  4 (Tintos)
1 – Quinta do Côtto Grande Escolha 1982
2 – Mouchão 1984
3 – Tinto da Ânfora 1985
4 – Quinta do Côtto Grande Escolha 1985
5 – Ferreirinha Reserva Especial 1986
6 – Quinta das Bágeiras 1987
 
Flight  5 (Tintos)
1 – Quinta do Carmo 1988
2 – Niepoort Robustus 1990
 
Flight  6 (Vinho do Porto Vintage)
1 – Taylor’s Vintage 1970
2 – Niepoort Vintage 1970
3 – Ferreira Vintage 1978
4 – Ramos Pinto Vintage 1983
5 – Fonseca Vintage 1985
 
Flight  7 (Vinho do Porto Colheita)
1 – Barros Colheita 1941
2 – Niepoort Colheita 1957
3 – Wiese & Krohn Colheita 1968
4 – Poças Colheita 1976
5 – Dalva Colheita 1985
 
Flight  8 (Vinho do Porto Colheita)
1 – Real Companhia Velha Grandjó 1925
 
Flight  9 (Moscatel de Setúbal)
1 – Alambre 20 Anos
2 – JMS Moscatél de Setúbal Superior 1993
3 – Tiagos Moscatél de Setúbal Superior 1993
 
Flight  10 (Vinho da Madeira)
1 – D’Oliveiras VERDELHO 1890
2 – Blandy’s Bual 1920
3 – Justinos Verdelho 1954
4 – Henriques & Henriques Terrantez 1976
5 – HMBorges Bual 1977

 

DEGUSTADORES

  1. Tom Marthinsen – Noruega
  2. Charles Metcalfe – Inglaterra
  3. Kathryn Mcwhirter – Inglaterra
  4. Marcelo Copello – Brasil
  5. Stephan Reinhardt – Alemanha
  6. João Paulo Martins – Revista de Vinhos
  7. Fernando Melo – Revista Wine
  8. Maria João de Almeida – www.mariajoaodealmeida.com
  9. Rui Falcão – Revista Wine
  10. Dirk Niepoort – Niepoort
  11. Álvaro Castro – Quinta da Pellada
  12. Nuno Gonçalves
  13. David Guimaraens – Grupo Fladgate Partneship
  14. Domingos Soares Franco – José Maria da Fonseca
  15. Vasco Penha Garcia – Bacalhôa
  16. Mário Sérgio – Quinta das Bágeiras
  17. Márcio Ferreira – Viniportugal
  18. Bento Amaral – IVDP
  19. José Mateus Ginó – Fundação Eugénio de Almeida
  20. Óscar Gato – Adega Cooperativa de Borba
  21. Paulo Pinto – IVDP
  22. Rui Reguinga – Rui Reguinga Enologia
  23. José Teles – Niepoort

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Marcelo Copello apresenta o Brasil à Europa

February 27th, 2010

Marcelo Copello, eleito o mais influente jornalista de vinhos do Brasil pela Meininger´s Wine Business International, apresentará no próximo dia 5 em Portugal, uma seleção de vinhos brasileiros aos consumidores e à imprensa internacional.

A degustação “O Melhor do Brasil” (que conta com o apoio do IBRAVIN e da Wines from Brazil) faz parte do “Essência do Vinho – Porto 2010”, importante evento realizado no monumental Palácio da Bolsa. A 7ª edição deste encontro deverá reunir cerca de 20 mil enófilos em seus 4 dias. Dezenas de críticos especializados – portugueses e estrangeiros – estarão presentes, assim como 350 produtores.

Em paralelo à feira, com mais de 3 mil vinhos em prova, acontecem cerca de 50 atividades, entre estas a eleição dos “Top 10 vinhos portugueses”, com um júri formado por críticos de vários países, entre os quais Marcelo Copello.

 

Sobre o Essência do Vinho:  www.essenciadovinho.com/bluewine/php/noticias.php?id=2345

A programação completa do evento: www.essenciadovinho.com/essenciadovinho/img/eventos/38/ficheiros/ProgramaEV2010b.pdf

Sobre o IBRAVIN: www.ibravin.org.br

Sobre a Wines from Brazil: www.winesfrombrazil.com

Informações gerais: marketing@mardevinho.com.br

26/02/2010 – “Planeta Rosa – parte III”

February 25th, 2010

Por Marcelo Copello

Todos os anos, de junho a setembro, a chique Cote d’Azur é vista através de taças cor de rosa. No sul da França o vinho rosé é quase um estilo de vida, um vin de plaisir (vinho de prazer). Jovem, leve, fresco, alegre e descomplicado, ele vem reconquistando a fama que teve no passado.

Apresento agora a 3ª parte da MAIOR PROVA DE ROSÉS JÁ REALIZADA NO BRASIL. Provei às cegas 93 vinhos de 12 países.  Hoje mostro o resultado da degustação dos 11 vinhos da Provence, que foi, de longe, o melhor conjunto provado.  

O estilo único dos roses da Provence se deve em grande parte a seu método de elaboração. Enquanto em quase todo o mundo os roses são elaborados pelo processo de “sangria”, na Provence usa-se a pressurage direct.  No primeiro filtra-se parte do mosto de um vinho tinto após um curto período de maceração, normalmente de 8 a 24 horas. Este processo é o mais utilizado e gera um tipo de rosado mais encorpado e de cor mais cereja. No segundo a maceração é bem mais curta e dura apenas o tempo em que as uvas são delicadamente prensadas pneumaticamente depois do esmagamento dos bagos (separação das cascas da polpa). O produto é um rosé leve, de pouca cor (em tons de salmão, pêssego ou cor de casca de cebola) e aromas pouco intensos mas elegantes de frutas e flores. Esta técnica garante que mesmo com cor tão clara e aromas tão delicados, consiga ter uma boca expressiva, macia e bem equilibrada. Este método é utilizado na Provence e praticamente só lá.

Não por acaso a Provence é especializada na produção de vinhos rose, que correspondem a 94% da produção total da região!  Hoje não selecionarei destaques pois (como mostra o quadro de notas) todos os vinhos foram muito bem! No quadro geral dos 93 vinhos, dos top-10, nada menos que 6 são da Provence (veja abaixo).

 

Veja a descrição dos vinhos clicando AQUI 

 

RESULTADO PROVENCE

 

 

RESULTADO GERAL

Saúde!

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

 

19/02/2010 – “Planeta Rosa – parte II”

February 18th, 2010

Por Marcelo Copello

No Velho Mundo o hábito de apreciar vinhos rosés é antigo. Degustar um bom rosado jovem e fresco, a beira do mar ou piscina no verão, é um hábito mediterrâneo que se encaixa como uma luva no Brasil.

O único aspecto do rosé na Europa que não pode ser emulado aqui é o preço. Vinho no Brasil é sempre mais caro do que deveria (mesmo os nacionais) e isso não dá sinais de que vai mudar. Por isso fiz esta “mega” garimpagem, para ajudar os leitores a valorizar seu “din-din” sem deixar de apreciar um bom rosado.

Apresento agora a 2ª parte da MAIOR PROVA DE ROSÉS JÁ REALIZADA NO BRASIL. Provei às cegas 93 vinhos de 12 países e hoje apresento o resultado do Velho Mundo. Foram 45 vinhos de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Líbano e França (menos os da Provence, um capítulo à parte, que apresento na semana que vem).

Antes do resultado seguem algumas considerações:   

1-A “mais valia” de provar muitos vinhos de uma mesma categoria (93 rosés) é poder ir além da análise de cada taça. Só com uma massa crítica maior pode-se ter perspectiva, examinar o conjunto, e chegar a conclusões coerentes. Aprendi muito com esta grande prova e espero ajudar aos leitores.

2-A gama de estilos de rosados é imensa, vai dos extremamente leves, aos quase tintos. Com isso a temperatura ideal de serviço também varia. Alguns dos vinhos provados ficaram melhor a 8oC e outros só aos 15oC.

3- Poucos vinhos de safras de 2006 para trás foram bem. Alguns foram desclassificados, pois visivelmente estavam aquém do seu melhor, com perda de acidez, frescor e aromas decadentes. Procure os exemplares com no máximo 3 anos de idade.

4-Existem exceções para tudo no mundo do vinho. Alguns raros rosés, como o Château Vannières e o Redoma, demonstram ter perfil para guarda, mesmo assim parecem que vão “hibernar” por alguns anos antes de se tornarem interessantes como vinhos envelhecidos.  

5-Os rosados portugueses foram a decepção da prova, em geral com estilo pesado demais, sem acidez, ou prejudicados por safras antigas. Mesmo assim garimpei alguns ótimos vinhos (vejam abaixo).

6-Os espanhóis foram a boa surpresa, fazendo valer a tradição daquele país na produção e consumo de rosados, com caldos de estilos variados, do clássico ao moderno.

7-Os italianos mostraram estilo bastante gastronômico, um pouco mais secos e “bons de boca”, como todo bom vinho italiano.

8-Outra ótima surpresa foram os rosados da Córsega, franceses com sotaque italiano, unindo a leveza gaulesa com a aptidão gastronômica da bota.

Destaques:

Melhores de Portugal

  • Redoma Rosé 2006, Niepoort
  • Serras de Azeitão Rosé 2008, Bacalhôa
  • Casal Garcia Rosé 2008, Avelleda

 

Melhores da Espanha

  • Protos Rosado 2008, Bodegas Protos
  • De Casta Rosado 2008, Miguel Torres
  • Condado Real Rosado 2008, Avelino Vegas

 

Melhores da Itália  

  • Rapitalà Rosato 2007
  • Scalabrone 2007, Guado al Tasso
  • Rosato di Fontemorsi 2008

 

Melhores da França (sem Provence) 

  • Sciaccarellu 2008, Terra Nostra
  • Château Le Grand Verdus 2007
  • Tavel L´Espiège 2007, Jaboulet
  • Le Rosé de Floridene 2006, Denis Dubourdieu

 

Veja a descrição dos vinhos clicando AQUI

 

 

 

Semana que vem: PROVENCE!!!

Saúde!

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

12/02/2010 – “Planeta Rosa, parte I”

February 12th, 2010

Por Marcelo Copello

Planeta à parte no universo de Baco, os rosados são pouco conhecidos, subestimados e subexplorados na eno-gastronomia. Para redimir-nos deste pecado sacrifiquei-me voluntariamente realizando a (até prova em contrário) MAIOR PROVA DE ROSÉS JÁ REALIZADA NO BRASIL. Avaliei às cegas nada menos que 93 vinhos de 12 países. A elaboração deste grande panorama me tomou quase 2 meses de trabalho.

As provas, sempre às cegas, foram realizadas em 7 etapas:

1-Chile (18 vinhos)

2-Argentina (15), Austrália(2), África do Sul(1) e Nova Zelândia(1)

3-Espanha (8 vinhos)

4-Portugal (11 vinhos)

5-Itália(10), Líbano(1) e Grécia(1)

6-França (menos Provence, 14 vinhos)

7-Provence(11 vinhos)

Colagem de imagens de vinhos rosados degustados nesta prova

Hoje apresento o resultado da prova de 37 caldos do Novo Mundo.

Antes do resultado, alguns comentários. Quando pela primeira vez tentei fazer uma matéria sobre vinhos rosados em 2001, desisti no meio do caminho. Eram poucos os rótulos disponíveis, a preços salgados, as vezes mal conservados ou de safras antigas. Hoje tudo mudou. Os preços são convidativos, as safras quase sempre recentes e a oferta bastante variada.

Estamos vivendo uma “onda rosa”? Temos todas as condições para que os rosados caiam na “boca do povo”, mas acho que estes ainda não decolaram. Mas por que? Vejamos:

1-Existe uma “má fama” histórica e errônea dos roses. Isso leva anos para ser mudado.

2- Um novo gosto requer tempo para se tornar habitual.

3-Faltam ícones ao universo do rosé, como nos brancos é o Le Montrachet, e nos tintos são o Pétrus e o Le Romanée-Conti, por exemplo. É fato que não há nenhum rosado no nível destes brancos e tintos citados.

Nada disso tira, entretanto, a qualidade e o prazer de degustar um bom rosado, que pode ser melhor que as opções de brancos e tintos no mesmo preço, além de melhor opção para harmonização.

Se os rosados raramente são profundos, complexos e longevos, a maioria dos tintos e brancos também não é! Encontrei nesta prova muitos vinhos deliciosos a preços ótimos, adequados a diversas ocasiões e pratos.

Vejam abaixo o resultado da 1ª parte da prova, com vinhos da Argentina, Chile, Austrália, África do Sul e Nova Zelândia.

Guardarei os comentários gerais e conslusões para semana que vem, junto com o resultado dos rosados do velho mundo.

Destaques:

Melhores do Chile

  • Los Vascos Cabernet Rosé 2007
  • Cherub Rosé of Syrah 2008
  • Viu Manent Malbec Rosé 2009

Melhor da Argentina

  • Andeluna Malbec Rosé 2009

Melhores compras até R$ 29  

  • Anakena Cabernet Sauvignon Rosé 2008
  • Melipal Malbec Rosé 2008

Melhores compras até R$ 39  

  • Los Vascos Cabernet Rosé 2007
  • Andeluna Malbec Rosé 2009

 

Veja a análise dos vinhos clicando AQUI

5/2/2010 – “Vinho & Carnaval”

February 4th, 2010

Por Marcelo Copello

Caros, o texto que se segue é de meu 3º livro, “Vinho & Algo Mais” (Editora Record, 2004). A grande festa se aproxima e achei propício o tema.

Aproveito  para lembrar que a já estão abertas as inscrições da primeira degustação TOP de 2010 na Escola Mar de Vinho. Serão 7 grandes vinhos de 7 regiões. Em comum a alta qualidade e a ótima safra de 1998, em seu auge aos 12 anos de idade. Vejam todos os detalhes sobre a “Grande Horizontal de 1998” clicando em: www.mardevinho.com.br/agenda/1998    

 

VINHO & CARNAVAL

No Carnaval o que menos se quer é pensar, é hora apenas de brincar. O vinho, nas últimas décadas teve sua imagem associada à sofisticação, complexidade e reflexão, perdendo um pouco o caráter de bebida alimentar, popular e mística. Ao vestir a fantasia, armar-se de confete e serpentina e partir para a folia, ou ao sacar a rolha e encher a taça, esquecemos que Carnaval e vinho têm origens comuns, no mesmo espírito profano e irreverente.

O termo “carnaval” tem origem polêmica. Pode ter vindo do latim carnem leváre (abstenção de carne) ou de carne, vale! (carne, adeus!), que designavam a quarta-feira de cinzas e anunciavam a supressão do consumo da carne devido à Quaresma. Existe, ainda, uma terceira versão, menos aceita, com gênese na expressão latina carrus navalis (carro naval), por associação à carreta em forma de barco usada nas festas populares da antiga Roma.

A festa de Carnaval teria nascido da Festa de Osíris, deus do vinho no antigo Egito, que marcava o recuo das águas do Nilo e a fertilidade da primavera. Festejos semelhantes aconteciam na Grécia, em homenagem à Dionísio e em Roma, com os bacanais, saturnais e lupercais, que festejavam os deuses Baco, Saturno e Pã.

A tradição ainda é comemorada em diversos países, como França (Paris e Nice), Itália (Veneza e Roma), Alemanha (Nuremberg e Colônia), Austrália (Sidney), Canadá (Québec) e Estados Unidos, em Nova Orleans (desde 1857), onde tem origem francesa e é chamado de Mardi Gras (terça-feira gorda). Sem esquecer, é claro, do Brasil, onde teve início no Rio de Janeiro por volta de 1840 e hoje acontece em todo o país. Manteve-se o espírito inicial da festa: mistura de classes, irreverência, brincadeiras e sensualidade.

O deus grego Dionísio, também chamado de Baco, morria à cada colheita: pisando-se as uvas, sacrificava-se o deus. O suco era guardado até o fim do inverno, quando, então, Dionísio renascia em forma de vinho. Morte e renascimento de um deus, simbolizando a ressurreição da natureza e a fertilidade da terra, é um tema religioso antigo, comum a todas as civilizações. Este era, contudo, um caso muito particular, pois o deus era realmente bebido por seus adoradores e, ao penetrar-lhes o corpo efetivamente proporcionava alegria à suas almas.

Dionísio, junto com Apolo, formam a dicotomia mitológica grega dos opostos, emoção e razão. Apolo é um atleta e um cientista. É o belo, puro, equilibrado, sóbrio, defensor da lei e da ordem. Já Dionísio/Baco é passional, tem natureza instintiva, desinibida, entusiástica, criadora e desafiadora. Pouco lembrado é o fato deste não ser apenas o deus do vinho, mas também da fertilidade, da dança, do teatro e da música. O primeiro teatro do mundo foi construído no século IV a.C., na encosta oriental da acrópole de Atenas, Grécia. Comportava 14 mil pessoas, que vinham participar dos ritos dionisíacos da primavera.

Para o filósofo alemão Nietzsche, Dionísio é a própria essência da música. Esta, a mais pura das artes, não tem substância. Suas vibrações são uma sensação física, mas ela é invisível e impalpável. A música não nomeia coisas, como a linguagem verbal faz, atravessa assim barreiras defensivas da consciência e toca em pontos profundos da psique. Por isso é capaz de provocar, dionisiacamente, adesões apaixonadas ou recusas violentas, aparentemente inexplicáveis.

Seguindo este espírito, festas como o Carnaval assumem uma variada gama de aspectos do universo dionisíaco. A festa torna-se um território independente, de corpos semi-nús, música, bebidas, fantasias, alegria e despreocupação com o amanhã.

A sabedoria, contudo, está em ser ao mesmo tempo Apolo e Dionísio, numa assemblage adequada a cada momento, dentro da diversidade de cada ser humano. O mesmo vinho que aquece nossos corações, nos embriaga. Os gregos, um povo culto, viam estes fatos com lucidez, como disse Eubulus (355-346 a.C.), administrador de Atenas: “As 10 taças de vinho: eu preparo três para o moderado, uma para a saúde, que ele sorverá primeiro, a segunda para o amor e o prazer, e a terceira para o sono. Quando essa taça acabar, os convidados sábios irão para casa. A quarta é a menos demorada, mas é a da violência. A quinta é a do tumulto, a sexta a da orgia, a sétima a do olho roxo, a oitava é a do policial, a nona a da ranzinzice e a décima a da loucura e da quebradeira”.

Pêra-Manca x Latour a Pomerol x Champagne x Barbaresco…

February 2nd, 2010

Sabemos que 7 é conta de mentiroso, mas como in vino veritas,cada taça mostrará sua verdade. 

Já estão abertas as inscrições da primeira degustação TOP de 2010 na Escola Mar de Vinho. Serão 7 grandes vinhos de 7 regiões. Em comum a alta qualidade e a ótima safra de 1998, em seu auge aos 12 anos de idade.

Que tal confrontar em um mesmo jantar 

Champagne, Bordeaux, Rioja, Piemonte, Maipo, Alentejo e  Umbria?

Vejam todos os detalhes sobre a “Grande Horizontal de 1998” clicando AQUI

Veja nossa página de descontos e promoções: www.mardevinho.com.br/descontos

Informações: marketing@mardevinho.com.br tel 21-3507-0337

Saúde!

Marcelo Copello

Chief Editor – Mar de Vinho

“Most influential journalist” (Brazil) – Meininger´s Wine Business International

29/01/2010 – “Três vezes Portugal”

January 27th, 2010

Por Marcelo Copello

Unidos por laços históricos e culturais, Brasil e Portugal se encontram unidos também por Baco. O nosso mercado é considerado estratégico para as exportações de vinho lusas e os caldos da terra de Camões são a melhor opção à mesmice sul-americana que impregna as taças tupiniquins.

Não por acaso visito a terrinha com freqüência e colaboro com uma revista de lá há 7 anos. Minhas andanças me levaram a Portugal três vezes no fim de 2009, em três ocasiões que muito me honraram.

 

Wine Master Classes no Casino de Estoril

A primeira incursão foi em outubro. Fui falar (quem diria!) de vinhos portugueses aos portugueses. Como parte de uma feira de vinhos do Alentejo no Casino de Estoril ministrei Master Classes degustando e comentando vinhos alentejanos para o público do evento. A experiência foi fantástica. Primeiro por ver o vinho em um ambiente pouco comum, um cassino, mas que se tornou muito propício, por ser um espaço privilegiado, sofisticado, com música ao vivo, decoração moderna e organização impecável. Depois foi ótimo falar para um público que lotou minhas provas, interessado e entendedor, e que adorou a maneira descontraída como conduzi o evento.

 

Entronização na Bairrada

A segunda passagem por terras lusas aconteceu em novembro. Foi mais uma hora para mim, ser entronizado na Confraria dos Enófilos da Bairrada. Ao meu lado estavam outros brasileiros e personagens de renome internacional, como René Barbier, proprietário do Clos Morgador, mítica propriedade no Priorato. Honra maior ainda foi ter sido convidado a ser o orador da turma de novos confrades. Leiam mais abaixo meu discurso.

 

20 anos revista de Vinhos

Faz 7 anos que colaboro com a Revista de Vinhos, a maior e mais importante publicação especializada em vinhos da língua portuguesa. Foi, portanto, não apenas uma honra, mas também motivo de orgulho participar da celebração dos 20 anos de fundação desta revista. O jantar comemorativo aconteceu em dezembro no famoso York House, um dos mais antigos hotéis e restaurantes de Lisboa, instalado em um convento Carmelita do século XVII. A festa foi informal, toda a equipe da revista estava presente, liderados por Luís Lopes Ramos. Cada um levou seu vinho. Melhor dizendo, cada um levou duas ou três garrafas, incluindo muitas magnums. Começamos com magnums de Redoma branco 2006 e Vinha Formal 2005, passando por outra magnum, de Quinta do Carmo 1989 (ano de fundação da revista), e encerrando com um Porto Delaforce Vintage 1963. Parabéns a Revista de Vinhos!   

 

 

Discurso de Entronização na Confraria de Enófilos da Bairrada

“Como estamos todos já bem alimentados e bem abastecidos de vinho da Bairrada, não serei breve nem sucinto. Lerei agora para vocês o meu improviso!

Muito boa noite a todos! É um honra para mim estar aqui hoje, neste 30 anos da Bairrada,  encarregado de ser o porta voz do grupo de novos confrades, neste exuberante palácio, o Palace Hotel do Bussaco, com sua imponente arquitetura neo-manuelina de finais do século XIX.

A riqueza da decoração, com quadros de mestres pintores impressiona a qualquer um e mais a ainda aos brasileiros, pois os temas destas obras de arte são dominados pelos grandes descobrimentos portugueses, entre eles o Brasil.

Para nós brasileiros visitar Portugal, em especial este palácio, é, de certa forma voltar a nossas origens e conhecer-nos a nós mesmos melhor, e nos encher de orgulho de tão nobre origem.  

Este cenário só torna ainda mais especial e inesquecível este momento. Para brasileiros como nós, de um país de pouca tradição vitivinícola, ser entronizado na Confraria báquica mais antiga em atividade no país, de uma das mais tradicionais regiões européias é uma honra para se guardar na memória, colocar no cirrículo e contar aos filhos, netos e bisnetos.

Sabemos que o Brasil é um mercado importante para Portugal e para nós brasileiros provar vinhos portugueses é provar um pouco de nossa própria história é como beber nossas raízes

Sabemos que o vinho bairradino enfrente hoje um grande desafio, o de competir no mercado internacional, competição este dificílima. Pois saibam que eu viajo o mundo todo a provar vinhos e sei que muitos produtores de vários países mundo afora invejam o que se tem aqui, solos únicos, castas únicas, que tornam o vinho daqui único e não apenas mais uma garrafa em uma prateleira.

A melhor maneira de tornar o vinho da Bairrada internacional e torná-lo cada vez mais simplesmente BAIRRADA, com letras maiúsculas. E paciência com a crise. As crises passam  mas o terroir fica!

Os brasileiros começam a cansar dos vinhos do novo mundo e começam a buscar o sabor do velho mundo, novas castas, e a tendência natural é começar a explorar estes novos sabores por Portugal, pela afinidades culturais, língua, variedade de regiões e castas.

O vinhos da Bairrada possuem forte personalidade, que suscita paixão e nós estamos aqui porque sentimos esta paixão. Por tudo isso para nós brasileiros e novos confrades, prometer defender o vinho da bairrada é tarefa muito, muito fácil!

Sendo assim, em meu nome e em nome dos outros confrades brasileiros, muito obrigado. Viva o vinum bairradinum!”

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

22/01/2010 – “Vinho a Bordo!”

January 21st, 2010

Por Marcelo Copello

Eleita em 2009 a companhia “líder mundial para a America do Sul” pela World Travel Awards, a TAP decola também em direção a liderança mundial em carta de vinhos.

Desde 28 de dezembro os passageiros da TAP têm a sua disposição 15 novos rótulos selecionados por especialistas do quilate de João Paulo Martins. A notícia, muito boa para todos os 9 milhões de passageiros anuais da companhia, é ainda melhor para os brasileiros, pois a TAP é campeã na ligação entre Europa e Brasil. Nada menos que oito capitais brasileiras dispõem de vôos diretos para Lisboa: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e São Paulo.

Os números desta operação impressionam. A TAP realiza cerca de 1.850 vôos por semana. O consumo de vinho estimado para 2010 é de expressivas 660 mil garrafas, o que faz com que os 71 aviões de sua frota mais pareçam restaurantes voadores. Fazendo as contas cada aeronave serve em média mais de 9 mil garrafas de vinho ao ano, um consumo maior que o da maioria dos restaurantes do planeta.

Para lançar a novidade a TAP promoveu um almoço para a imprensa em Lisboa. O local escolhido foi onde melhor se come na cidade, a Tasca da Esquina, nova casa do chef-consultor da empresa, Vítor Sobral.

Estavam lá comigo, além da direção da TAP e de jornalistas portugueses (entre outros Maria João de Almeida, Luís Antunes, David Lopes Ramos e João Paulo Martins), os colegas brasileiros Jorge Carrara (Folha de São Paulo), Alexandre Lalas (Jornal do Brasil), Luciana Lancelotti (Bistrô Pimenta) e a cantora Natalia Malo.

Provamos juntos os 15 vinhos da nova carta, harmonizados com delícias preparadas pelo chef Vítor, como uma saborosa rabada (veja foto). Segundo Luís Mor, Administrador Executivo da TAP, a nova carta representa “um salto qualitativo, que nos coloca, acredito, como os melhores em termos de carta de vinhos ao nível de empresas aéreas”.

A nova carta faz parte de um trabalho desenvolvido pelo consultor Edward Couto, que trabalhou muitos anos para a VARIG. Edward, amigo de longa data, me confidenciou as dificuldades de se elaborar uma carta de vinhos nos velhos tempos. “Foi um escândalo quando na época Dânio Braga e eu tiramos o clássico Châteauneuf-du-Pape da carta da Varig e colocamos vinhos do novo mundo”. A ousadia valeu a pena, pois logo depois a carta de vinhos da Varig viria a ser reconhecida através de prêmios internacionais. 

Para a elaboração da atual carta da TAP foram provados 400 vinhos, levando-se em conta, além da qualidade, o volume de produção e, naturalmente, preço. Em relação a carta anterior (de 9 rótulos) foram suprimidos um vinho rosé e um porto branco, ambos muito bons mas, segundo Edward, pouco consumidos pelos passageiros. Em contrapartida a nova carta ganhou mais um espumante, um tinto e dois brancos. Convenhamos: é um luxo, voando a 10 mil metros de altura poder escolher dentre nada menos que 15 rótulos de qualidade!

Os Vinhos

Abaixo segue a nova lista de vinhos. Destaco nos espumantes o Luís Pato Bruto, nos brancos o Paulo Laureano Reserve, nos tintos o Churchill Estate, além do Porto Churchill´s Tawny 10 anos.

EXECUTIVA

Espumantes

Quinta de Cabriz Bruto Branco– Dão

Luís Pato Bruto – Bairrada

 

 

Brancos

Vallado – Douro

Vinha de Defesa, Herdade do Esporão – Alenteno

Paulo Laureano Reserve – Alentejo

Vinha Grande – Casa Ferreirinha – Douro

 

Tintos

Quinta do Côtto – Douro

Monte da Cal Reserva – Alentejo

Churchill Estate – Douro

Casa de Santar Reserva – Dão

 

Porto

Churchill´s Tawny 10 anos

 

ECONÔMICA

Versátil (tinto e branco) – Alentejo

Quinta dos Grilos (tinto e branco) – Dão

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br