O vinho surpresa para o chocolate foi…

October 9th, 2008

Quem diria… o vinho surpresa de hoje era brasileiro! A turma chegou bem perto e acertou que era um fortificado, barricado. Mas os palpites ficaram pela Itália, passito di pantelleria… quando na realidade tratava-se do “Intenso”, um Chardonnay da Salton, fortificado, elaborado pelo método de solera. Ficou muito bem com o “chocolate com laranja” e com o “chocolate dark 70%”. Ao longo do fim de semana mais fotos da nossa orgia chocólatra!

Boa noite!

Marcelo

 

 

A inesquecível vertical de Haut-Brion

September 28th, 2008

Queridos alunos,

 

A verdade às vezes soa como um clichê. No nosso caso, dizer que uma degustação vertical de Château Haut-Brion foi INESQUECÍVEL é um chavão, mas se a frase é banal o vinho foi tudo menos isso. Como disse Jean-Philippe Delmas, administrador do Château, “complexidade” é a palavra que melhor descreve este vinho espetacular.

 

Ouçam os comentários de Danusia Barbara sobre o evento em seu programa de rádio, clicando aqui

 

Após apresentar o Château, sua história, seu terroir, seu métodos de elaboração e apresentar como foi cada safra que seria servida, finalmente provamos os cinco vinhos às cegas, com a ordem das safras embaralhadas. A ordem foi: 1996, 2001, 1998, 1988 e 2002. Analisamos os vinhos e a turma demonstrou ser muito afiada, pois a maioria acertou a ordem das safras. Os prediletos foram, o 1988 em 1º lugar e o 1998, muito perto em 2º.

 

Abaixo minhas impressões sobre cada vinho

 

Château Haut-Brion 1996

50% Merlot e completado por Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Vermelho granada entre claro e escuro com reflexos alaranjados. Nariz bem aberto e muito complexo, o mais complexo da prova, com muito couro, tabaco, flores secas, frutas secas, toques balsâmicos, carvalho, cedro, muitas especiarias, cravo, canela. Paladar seco e austero, não parece que é metade Merlot, taninos bem presentes, sérios, boa acidez, ainda viva. Um HB potente 96 pontos

 

Château Haut-Brion 2001

52% Merlot, 36% Cabernet Sauvignon, and 12% Cabernet Franc. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma com fruta madura na frente (amora preta, cassis), tabaco, couro, toque mineral de pederneira, tostados da madeira aparecem bastante, alcaçuz. Paladar seco, de bom corpo, taninos finos, presentes, acidez muito boa, longo com madeira aparecendo no fim de boca. Conjunto mais equilibrado que o 2002, muito elegante, só está ainda aquém de seu potencial, um pouco fechado, precisa de mais tempo em garrafa para se mostrar. 93 pontos

 

Château Haut-Brion 1998

Vermelho rubi escuro com reflexos granada, cor na transição. Nariz potente e de extrema elegância, com mineralidade explícita na frente, toque de grafite, terra molhada, além de fruta fresca muito limpa e bem definida, cassis, muitas especiarias doces (alcaçuz, baunilha), chocolate, tabaco. Paladar seco e estruturado por taninos finíssimos, presentes, ótima acidez, grande profundidade e muito longa persistência. Um vinho espetacular, de grande elegância e equilíbrio, já muito expressivo, mas que pode repousar tranquilamente mais 20 anos. 99 pontos

 

 

Château Haut-Brion 1988

Vermelho granada entre claro e escuro com reflexos alaranjados. Aromas intensos, de grande complexidade, com bastante evolução mas ainda ótimo frescor, muitas notas de mineralidade terrosa, bosque humido, pelica, frutas secas, defumados, cacau amargo, café. Paladar de bom corpo, taninos finíssimos, um veludo, muito longo. Um vinho de extremo equilíbrio e elegância. Está já no auge e deve se manter ainda por ao menos mais uma década. 98 pontos

 

Château Haut-Brion 2002

Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque e elegância, com especiarias doces na frente, como alcaçuz e baunilha, fruta madura com frescor, muito limpa e bem definida, tabaco, mineralidade elegante aparece depois, com grafite e terra molhada. Paladar seco e estruturado, com muito taninos finos e bastante presentes, ótima acidez, boa profundidade, muito longo. Mais potente que o 2001, ainda uma criança, com ótimo potencial, para começar a ser apreciado daqui a 5 anos e mantido por mais 20 anos tranquilamente. 94 pontos

 

Em seguida nosso jantar quase roubou a cena. Vejam abaixo fotos da turma e dos pratos. O menu foi:

 

Menu

Flan de foies gras com avelãs tostadas e caju confitado

            Vinho: Douceur de Lesparre 2004

- Pavê de tilápia ao forno; musseline de camarão e emulsão de coentros

            Vinho: Vinho Surpresa! (Astrolabe 2004)

- Arroz de pato à antiga moda portuguesa                                 

       Vinho: Chateau La Terrasse de l’Ile Verte 2001

- Figos assados com creme de amêndoas         

Vinho: Beaulieu Defrutum

 

 

 

 

 

 

Flan de foies gras com avelãs tostadas e caju confitado

 

Pavê de tilápia ao forno; musseline de camarão e emulsão de coentros

 

Arroz de pato à antiga moda portuguesa 

 

Figos assados com creme de amêndoas       

 

 

Saúde pra todos e até a degustação “Vinho & Chocolate”

Marcelo

 

Aos curiosos da Vertical de Haut Brion de ontem…

September 26th, 2008

 Nosso vinho surpresa está abaixo. Ninguém acertou… já que todos “colaram” um dos outros e deram o mesmo palpite, que seria um vinho suiço…

Abraços a todos! Ao longo do fim de semana coloco as fotos de ontem!

 

ASTROLABE 2004

Produtor: Vinovalie 

Uvas: Loin de l´oeil 

Elaboração: Vinhedos de baixo rendimento, selecionados para a elaboração de uma partida limitada de apenas 10.000 garrafas. Uvas colhidas extremamente maduras em condições ideais são vinificadas em madeira com longa permanência sobre as borras da fermentação.

Degustação: Cor amarelo ouro claro com reflexos esverdeados. No olfato, apresenta notas florais, frutas de polpa branca maduras e um toque de tostado. À boca, é um vinho amplo, generoso, que cobre bem o palato. É bem equilibrado com grande intensidade aromática, aromas delicados de frutas cítricas e notas minerais. Um vinho que representa bem a uva loin de l´oeil, um estandarte de Gaillac.

Importador - Vitis Vinifera

Preço: 124,24

 

 

 

 

 

 

Encerrado 1o Curso Básico da Escola Mar de Vinho!

September 22nd, 2008

Queridos alunas e alunos, obrigado pelos emails e mensagens enviadas desde 5a feira quando concluímos nosso curso. Fico sempre muito feliz em apresentar e partilhar minha paixão, o vinho, com gente interessada em aprender e crescer. Seguem as fotos de nossos 3 encontros, dias 28/08, 09/09 e 18/09.  Até a próxima!

Saúde!

Marcelo

Aula-1

Salton Evidence

Aula-1

Aula-1 - Risotto de gorgonzola e abóbora

Pizzato Brut

Espumante Português Vértice (Adega Alentejana)

Chef Joca (assistente da Chef Ciça Roxo) na Aula-1

Casa de Sabicos Reserva 2005 (Adega Alentejana)

 

Aula-2

Amante, Espumante da Casa Valduga

Espumante Premium Blush, Casa Valduga

Turma já bem integrada no Lounge, Aula-2

Gratinado de capelli d’angeli (molho branco, cogumelo paris e cenoura)

Chef Ciça Roxo

Viognier 2005, Casa Silva (Vinhos do Mundo)

Paulo Laureano Reserva Branco 2006 (Adega Alentejana)

Aula-3 

Espumante Don GIovani Brut

Espumante Chandon Brut

A turma!

Penne all’ Amatriciana

Talento 2004, da Salton

Terrazas Malbec Reserva 2006 (LVMH)

Terrazas Syrah Reserva 2003 (LVMH)

Touruga Nacional 2004, Quinta do Ventozelo (Cantú)

Chef Joca (assistente da Chef Ciça Roxo)

 

O vinho surpresa do Curso Básico foi…

September 18th, 2008

Aos meus curiosos e ansiosos alunas e alunos… nosso vinho surpresa de hoje(ontem) foi…

 

Velho Mundo ou Novo Mundo (VM / NM) VM
País Portugal
Região Douro
Varietal ou Corte (V / C) C
Uva com maior presença Touriga Nacional
Safra 2005
Teor Alcool 14%
Vinho (nome/produtor) Quanta Terra Gran Reserva

E aos ainda mais curiosos, o segundo vinho “surpresa da surpresa” que muitos acharam que não era tão bom, era apenas mais uma garrafa do primeiro vinho surpresa, o Quanta Terra Gran Reserva 2005…

Espero que tenham gostado da brincadeira e do curso!

No fim de semana com calma coloco mais fotos da nossa turma e dos vinhos!

Marcelo.

 

Parceria i-winereview e Mar de Vinho

September 17th, 2008

Caros, Michael Potashnik é um dos mais importantes e antigos críticos de vinho norte americanos. Seu jornal “The International Wine Review” é lido em todo o mundo através de assinaturas ou em formato eletrônico. Já degustamos diversos vinhos juntos e partilhamos de uma visão e gosto semelhante.

 

Michael Potashnik está oferecendo gratuitamente aos cadastrados em meu site (www.mardevinho.com.br) uma edição em formato eletrônico, de sua publicação. A edição em questão é dedicada aos vinhos da Rioja, vejam abaixo a apresentação da edição:

 

“Rioja is the heart and soul of Spanish wine. No other wine region in Spain is better known or appreciated by consumers both within and outside Spain. This new report introduces readers to Rioja and its wines. It details the recent improvements in Rioja winemaking, explores the different wine styles that have emerged and how to identify them, and identifies 30 of the region’s notable producers. Make informed choices on your next purchases of Rioja wines with reviews and ratings of more than 350 wines.” 

 

Para receber gratuitamente esta edição basta ser cadastrado no site www.mardevinho.com.br  e enviar um email para marketing@mardevinho.com.br com o assunto “Desejo receber a i-winereview”

 

Marcelo Copello.

Escola Mar de Vinho em foco

September 17th, 2008

Queridos alunos, a Escola Mar de Vinho foi foco de uma matéria no site “Cálice de Vinho”, para ler é só clicar aqui. Saúde e boa leitura!

Marcelo Copello

Marcelo Copello entrevista Jose Peñín

September 11th, 2008

Conheci José Peñín em Verona em 2004, durante a Vinitaly. Na ocasião havia uma degustação paralela “Itália x Espanha”, um confronto entre os melhores tintos destes dois países. Meu passaporte italiano me valeu um lugar entre os jurados daquele país, enquanto Peñín naturalmente estava do outro lado.

 

O maior dos críticos de vinho da Espanha passou pelo Rio de Janeiro brevemente dia 9/9 e lembramos desta degustação em uma breve conversa:  

 

 

 

Marcelo Copello - Sua historia com o vinho, como começou? E hoje, como está composto o grupo Peñín? Quantos exemplares de seu famoso guia são vendidos ao ano?

 

José Peñin - Mi historia vitivinícola comenzó en el año 1974 cuando fundé uno de los dos primeros clubs de vinos españoles. Viajar por todas las bodegas  , descubrir vinos desconocidos y darlos a conocer a mis socios. Fundé en el año 1980 la primera revista divulgativa de vinos BOUQUET y desde entonces he escribo mas 20 libros sobre vinos.

Hoy el Grupo Peñin es una empresa con 26 empleados líder en la  comunicación especializada en vinos y editorial (la Guia Peñin y la revista Sibaritas como publicaciones mas importantes), pionera en España y que fundé en el año 1984. También realizamos salones del vino de los Top de la Guia Peñin en Nueva York, en Madrid y próximamente en las ciudades mas importantes de Europa. La guía es líder en España con 23.000 ejemplares en español, 6.000 en ingles y 5000 en aleman.

 

 

MC – Como estávamos relembrando sobre aquela degustação que fizemos juntos na Vinitaly, “Itália x Espanha” - os jurados italianos elogiaram os vinhos espanhóis e os espanhóis elogiaram os vinhos italianos (risos), mas no fim a Itália ganhou o confronto. Esta vitória foi atribuída à maior diversidade de estilos dos vinhos italianos. Você concorda que os tintos espanhóis, muito concentrados e baseados na Tempranillo, estão ficando parecidos uns com os outros?

 

JP - España debido a su climatología eminentemente mediterránea prevalecen en su mayor parte vinos algo mas concentrados que los vinos portugueses, italianos y franceses. Actualmente y gracias a los avances en la viticultura se está logrando vinos mas expresivos,  mas elegantes y con gran “terroir” debido a la gran vejez de un considerable número de cepas y una recuperación de variedades algo olvidadas y terminar con la excesiva personalización de la tempranillo. No hay que olvidar que España cuenta con el mayor número de variedades autóctonas de Europa.

 

 

MC – Você é considerado um crítico rigoroso nas notas, qual é sua definição de vinho tecnicamente perfeito?

 

JP - Soy muy riguroso porque es mayor la responsabilidad de tu apellido que la de un catador en un equipo anónimo de degustación. Trabajamos con una tecnología informática que nos permite un seguimiento del vino en sus características con la base de datos informáticos mas importante de España. Por lo tanto el trabajo es relativamente facil. Lo mas importante es la coherencia en las valoraciones y saber distinguir las diferencias entre dos botellas del mismo vino para poder repetir la cata ante una circunstancia que pasaría desapercibida.

 

 

MC - E o que vinho que pessoalmente lhe agrada nos momentos de puro prazer ? Cite uma escolha pessoal entre os espanhóis e entre os de outros países por favor.

 

JP - Desgraciadamente un crítico que bebe mas para los demás que para uno propio, debe usar la cabeza y la experiencia que el corazón o la emoción. Las emociones con el vino me las reservo para compartirlas con mis amigos. El retrato del vino 100 es fundamentalmente el equilibrio, la armonía con un ensamblaje perfecto de los rasgos del fruto, el suelo y cuyas moléculas se interrelacionen con las moleculas del roble y que la botella logre serenarlos a cabo de 6 meses después del embotellado. Pero sobre todo que aparezcan matices algunos insólitos y deje en la boca una estela de sabor de varios segundos. Un trabajo exhaustivo con las raíces de la planta, un conocimiento de los componentes minerales del suelo, un conocimiento del clon ideal de esa variedad. En España estos vinos  se hallan en algunas marcas de Rioja (Viña El Pison, Avrvs, etc.) en Ribera del Duero (Pingus, Dominio de Atauta etc.). En el extranjero, Sin duda Borgoña, el lugar del mundo donde mas se trabaja el terroir y, claro esta, Medoc, Pomerol y Saint Emilion, que no es una novedad.

 

 

MC - Fala-se muito em “globalização” dos vinhos, de “Parkerização” e da manipulação dos vinhos, com concentração de mosto etc. O Sr. acha esta tendência preocupante ou passageira?

 

JP - La globalización está alcanzando también a los vinos de calidad. La concentración no es la “parkerización” sino la consecuencia de poder lograr la maduración de la piel de los tintos en zonas cálidas (la mayoría de los vinos del Nuevo Mundo) sin poder evitar alcanzar un elevado grado alcoholico. Parker solo es el instrumento, a este critico lo que mas le gusta son los grandes vinos de Burdeos y no tanto los concentrados. El representa al colectivo americano que gusta de fuertes sabores en todos los productos de paladar y no al revés. Afortunadamente estos consumidores comienzan a reaccionar sobre lo difícil que representa beber una botella de 14-15 grados de alcohol.

 

 

MC - Aquecimento global já afeta a Espanha ou é apenas uma desculpa dos enólogos para produzir vinhos mais alcoólicos?

 

JP - Frente al calentamiento global se está estudiando la incorporación de cepas de maduración mas tardía y mejorar el equilibrio entre racimos y hojas de la planta.

 

 

MC – O crescimento da Ásia em geral, como consumidora, e da China como produtora, já assusta concorrentes como a Austrália. O que você acha do futuro do vinho na Ásia?

 

JP - China nos asusta en todo. China siempre será competitiva en todo. Asiá es el futuro en todos los campos de la industria y agricultura. Falta bastante tiempo para que ellos intenten producir vinos de alta calidad. China es sensible a los nombres franceses, a la cultura francesa del vino.

 

 

MC - Como estávamos conversando antes, você acaba de visitar o paralelo 8 brasileiro, o que você encontrou lá?

 

JP - Nunca pensé que un viñedo situado en el paralelo 8 pudiera hacer vinos como el que probé en Vitivinícola Santa María en Petronila. No son vinos sublimes pero si equilibrados y con cierto carácter varietal, sobre todo con las cepas touriga nacional y alicante bouschet. Es el mejor exponente de una viticultura continua con todos los procesos vegetativos de la uva en toda época con dos cosechas y ¡¡ 25¡¡ vendimias en todo un año. Además con un concienzudo estudio del comportamiento de gran número de variedades con diferentes clones y portainjertos. Un excelente campo de experimentación para cualquier estudioso del vino.

 

 

MC - Todo lugar, qualquer lugar, é um “terroir” em potencial?

 

JP - En general es muy importante que el suelo tenga una capacidad de drenaje, pobreza y un sustrato arcilloso que contenga la humedad para las raices. Ese sería el retrato estándar de un buen terroir. El resto lo pone el hombre.

 

Marcelo Copello.

 

Degustando Frank Sinatra

August 1st, 2008

Ontem Sinatra foi lembrado na Escola Mar de Vinho. Lembrado e degustado… através de sua música, de belos vinhos, exelente comida, de seus filmes e de sua rica história, que se confunde com a história da música popular americana do século XX.  

 

Todos têm sua música predileta de Sinatra, sua história do Sinatra pra contar, memórias pessais cuja trilha sonora foi Sinatra. Foi isso que vimos e ouvimos ontem, usando o vinho como perfeita metáfora para cada capítulo de nossa degustação musical. Muitas imagens, filmes, músicas, 5 vinhos, um whisky, alta gastronomia e o que foi melhor: todos cantando juntos!

 

A crítica de gastronomia Danusia Bárbara falou de nosso evento em seu programa da rádio CBN. Danusia captou espírito do evento à perfeição! Para ouvir na íntegra clique aqui.

 

Mais uma vez obrigado a todos pela presença! Para vocês as imagens abaixo evocarão bons momentos e uma trilha sonora especial, na voz de “The Voice”

 

O espumante das boas vindas aos pontuais

Pizzato Brut

 

“I get a kick out of you”

Champagne Veuve Clicquot Ponsardin Brut (LVMH)

 

 

“I fall in love too easily”

Bourgogne Les Champs D’ Argent 2003 , J.Cacheux (Decanter)

 

As safras da voz de olhos azuis - “One for my baby

Rioja Marques de Tomares  Gran Reserva 1996 (Casa Flora)

 

Nossa Ava Garner…

Amarone Valpantena 2003, Bertani (Casa Flora)

 

 

Para embrulhar nosso ”pacote de ratos” - o Rat Pack…

Whiskey Jack Daniels “150th Birthday” Special Release

 

Uma harmonização perfeita com o paté de foie

 

 

ENTREVISTA DE MARCELO COPELLO AO JORNAL HOJE EM DIA (BH)

July 24th, 2008

Pessoal, esta é uma entrevista que dei ao Jornal Hoje em Dia de Belo Horizonte em 20 de Julho de 2008, feita por Mirtes Helena.

 

Nunca é demais falar de vinhos, principalmente quando se sabe que estamos vivendo um momento em que cresce muito, especialmente na classe média, o interesse pelo tema. E especialmente quando quem vai falar é Marcelo Copello, considerado um dos mais influentes formadores de opinião dessa indústria. Conhecido internacionalmente e autor de livros - entre eles «O Vinho e Algo Mais», indicado ao Prêmio Jabuti - ele é jurado de inúmeros concursos e tido como um crítico independente. Não mantém qualquer relação comercial com importadoras, vinícolas, lojas ou empresas de vinho. E foi exatamente para falar sobre julgamento de vinhos que ele veio a Belo Horizonte há dias, onde fez uma série de palestras atendendo convite da Casa do Vinho e da Sociedade Brasileira de Amigos do Vinho.

 

Por que se interessou por vinhos e como se tornou um crítico? Como foi o início?

Entre 1986 e 1993 fui casado com uma italiana de Roma que trouxe o vinho para meu dia-a-dia. Quando me dei conta estava lendo livros a respeito. Em pouco tempo comecei a dar pequenos cursos para amigos em minha casa. Em 1998 fui morar na Itália, em Milão, a poucas quadras da sede AIS (Associazione Italiana Sommeliers) à qual me associei e continuei a ensinar sobre vinhos lá. Na volta ao Brasil, em 1999, a apostila de meu curso tornou-se meu primeiro livro, «O vinho para quem tem estilo», publicado em 2000. O livro, por sua linguagem diferente e ousada para a época, fez sucesso e, em 2001, a Gazeta Mercantil, um jornal bem tradicional, me chamou para fazer uma coluna. Daí vieram outros livros, meu site ( www.mardevinho.com.br), revistas, programa de TV etc, e hoje inauguro a minha escola, a «Escola Mar de Vinho», no Rio de Janeiro, com uma programação bem ousada.

 

O que diferencia você dos demais críticos e especialistas dessa área?

Fui talvez o primeiro jovem a falar de vinho profissionalmente no Brasil, com uma linguagem autêntica, tecnicamente simples e precisa, culturalmente rica e sem firulas, o que não existia naquele tempo. Comecei em 1995, com 29 anos, em uma época em que meus raros colegas tinham bem mais idade e uma postura nada jovial. Mas o que realmente me diferencia é o fato de ter sido o primeiro no Brasil a associar o vinho a outras artes, como a música, estudando de maneira aprofundada a relação do vinho com outras manifestações de nossa cultura. Publiquei pela primeira vez um texto assim em 2001, e no mesmo ano fiz uma «degustação-concerto» com o maestro e cravista Roberto de Regina. Depois publiquei um livro dedicado a este conceito, o «Vinho & Algo Mais» (Editora Record, 2004). Sempre digo que o vinho é apenas um líquido dentro de uma garrafa, mas pode também ser excelente espelho do ser humano, onde podemos ver toda a nossa cultura e a nós mesmos. Se somos poetas, acharemos no vinho muita poesia, se somos cientistas teremos também um terreno fértil no nobre fermentado.

 

Sempre pergunto isto aos entendidos: para apreciar vinhos é preciso estudar o assunto?

O vinho é a mais complexa das bebidas e por isso mesmo a mais apaixonante também. É natural que quem se inicia no vinho seja levado naturalmente a estudar mais e mais. Por outro lado, é perfeitamente possível ter prazer e alegrias com o vinho sem nenhum conhecimento prévio.

 

E será que todo mundo pode «aprender a apreciar», mesmo aquele brasileiro cervejeiro? Para apreciar vinhos ele terá que deixar de lado a cerveja?

É preciso deixar de lado o cinema para apreciar o teatro? Acho que o cervejeiro que descobrir o vinho pode até levar seus novos conhecimentos para o universo da cerveja e se reapaixonar pela loira gelada, apreciando-a de forma ainda mais aprofundada e prazerosa.

 

Concorda que, às vezes, os entendidos fazem tudo para se valorizar, para aumentar a distância entre ele e os outros, os mortais? Já vi e ouvi especialistas definindo cheiros, sabores e aparência com os termos mais estranhos. Um dia um falou que o vinho era «de esquerda».

Concordo plenamente. No Brasil hoje há um especialista em vinhos em cada esquina, a maioria despreparados, com pouca experiência, inseguros e arrogantes, precisando mostrar que sabem. Digo sempre em minhas palestras que o verdadeiro «entendido» é o que dissemina o conhecimento e capacita seu interlocutor a «pensar o vinho» de maneira crítica e com bom senso. A descrição de aromas é o ponto mais caricato, quase cômico. Sempre que tenho chance de degustar com especialistas do primeiro time do mundo vejo que as descrições são simples e funcionais, um serviço ao leitor. Costumo brincar que listar mais de sete aromas é falta grave.

 

E você concorda com aquele famoso especialista que disse que há abuso no preços dos vinhos? Você diria que a gente pode tomar um vinho gostoso pagando 20 reais pela garrafa?

Por um lado, produzir vinhos de alta qualidade custa caro mesmo. Desde a compra de um hectare de boa terra, mudas, máquinas caríssimas, pessoal especializado, barricas etc, sem falar nos impostos exagerados. Mas o que realmente regula o preço é o mercado. Se ninguém almejasse provar os vinhos de prestígio eles custariam mais barato, mas o que acontece é o oposto. Todos querem é o vinho caro e famoso, que assim fica ainda mais caro. Não, não vejo no horizonte no Brasil a possibilidade de termos à nossa disposição uma boa variedade de vinhos gostosos a R$ 20,00 a garrafa. Basta pensar que, destes 20, 10 serão imposto, 5 ou mais são as margens dos intermediários, 2 o quilo da uva, 2 a garrafa, a rolha e o rótulo… O produtor fica com uma parte minúscula. Quando tomamos um vinho em um restaurante, possivelmente quem mais ganhará será o restaurante, o governo com os impostos e o importador. Por último, o produtor.

 

O que me diz sobre as pontuações de vinhos? Imagino que um crítico leva em conta suas preferências, não é? E ele pode, portanto, valorizar e pontuar um vinho que ele tenha gostado e que eu, por exemplo, posso não gostar. Como é esse critério?

Degustar é comparar. Um dos principais itens na capacitação de um crítico é ter provado e provar com freqüência uma grande diversidade de vinhos. Só assim ele poderá colocar cada vinho em seu real patamar de qualidade e estilo (ou tipicidade). O bom crítico terá também a boa técnica e a experiência para minimizar a influência de seu gosto pessoal. Eu mesmo canso de avaliar bem vinhos de que não gosto e vice-versa, pois sei que, mesmo não gostando, ele tem qualidade e tipicidade dentro de sua categoria e por isso terá valor para meu leitor.

 

Gostaria que você falasse sobre o peso do marketing na aceitação de um vinho. Imagino que deve ter um peso razoável, pois são cada dia mais assíduas e agressivas as ações de marketing sobre determinadas marcas.

O vinho é muitas coisas: cultura, saúde e história, mas também um produto de consumo como outro qualquer. O mercado mundial é inundado todos os dias com uma infinidade de novos rótulos, a maioria desconhecidos. Do outro lado há milhares de consumidores que conhecem pouco ou quase nada de vinho, mas querem provar, querem aprender. Que vinho comprar? Neste momento, o marketing atua como uma poderosa ferramenta de venda.

 

Uma questão polêmica: as rolhas. Você é favorável às sintéticas ou acha que elas têm que ser de cortiça?

A rolha sintética está sumindo. A tendência é a tampa de rosca, metálica, conhecida como screwcap, que é muito eficiente para vinhos jovens. Para os vinhos de consumo imediato acho que esse é o vedante ideal, pois tenho provado uma quantidade crescente de vinhos estragados, mais de 100 ao ano, com defeitos causados pela rolha. Mesmo assim, a rolha de cortiça ainda é o vedante mais confiável para vinhos de longa guarda.

 

Você acredita que o brasileiro está aprendendo a tomar vinhos? Que brasileiro é esse? A que classe social ele pertence e onde ele está aprendendo sobre o assunto?

Sim. Observo em minhas viagens que o brasileiro que gosta de vinhos é uma dos consumidores mais interessados e estudiosos do mundo, opinião compartilhada com vários colegas de outros países que visitam o Brasil. O enófilo neófito brasileiro está na classe média. A classe alta sempre apreciou vinhos, embora sem estudar o assunto como estuda hoje. O brasileiro consome tanto quanto o vinho em si, a cultura do vinho em todas as mídias: livros, jornais, revistas, rádio, TV, celular, internet. As viagens enológicas têm grande procura e os cursos, como na minha Escola Mar de Vinho, fazem muito sucesso.