5/2/2010 – “Vinho & Carnaval”

February 4th, 2010

Por Marcelo Copello

Caros, o texto que se segue é de meu 3º livro, “Vinho & Algo Mais” (Editora Record, 2004). A grande festa se aproxima e achei propício o tema.

Aproveito  para lembrar que a já estão abertas as inscrições da primeira degustação TOP de 2010 na Escola Mar de Vinho. Serão 7 grandes vinhos de 7 regiões. Em comum a alta qualidade e a ótima safra de 1998, em seu auge aos 12 anos de idade. Vejam todos os detalhes sobre a “Grande Horizontal de 1998” clicando em: www.mardevinho.com.br/agenda/1998    

 

VINHO & CARNAVAL

No Carnaval o que menos se quer é pensar, é hora apenas de brincar. O vinho, nas últimas décadas teve sua imagem associada à sofisticação, complexidade e reflexão, perdendo um pouco o caráter de bebida alimentar, popular e mística. Ao vestir a fantasia, armar-se de confete e serpentina e partir para a folia, ou ao sacar a rolha e encher a taça, esquecemos que Carnaval e vinho têm origens comuns, no mesmo espírito profano e irreverente.

O termo “carnaval” tem origem polêmica. Pode ter vindo do latim carnem leváre (abstenção de carne) ou de carne, vale! (carne, adeus!), que designavam a quarta-feira de cinzas e anunciavam a supressão do consumo da carne devido à Quaresma. Existe, ainda, uma terceira versão, menos aceita, com gênese na expressão latina carrus navalis (carro naval), por associação à carreta em forma de barco usada nas festas populares da antiga Roma.

A festa de Carnaval teria nascido da Festa de Osíris, deus do vinho no antigo Egito, que marcava o recuo das águas do Nilo e a fertilidade da primavera. Festejos semelhantes aconteciam na Grécia, em homenagem à Dionísio e em Roma, com os bacanais, saturnais e lupercais, que festejavam os deuses Baco, Saturno e Pã.

A tradição ainda é comemorada em diversos países, como França (Paris e Nice), Itália (Veneza e Roma), Alemanha (Nuremberg e Colônia), Austrália (Sidney), Canadá (Québec) e Estados Unidos, em Nova Orleans (desde 1857), onde tem origem francesa e é chamado de Mardi Gras (terça-feira gorda). Sem esquecer, é claro, do Brasil, onde teve início no Rio de Janeiro por volta de 1840 e hoje acontece em todo o país. Manteve-se o espírito inicial da festa: mistura de classes, irreverência, brincadeiras e sensualidade.

O deus grego Dionísio, também chamado de Baco, morria à cada colheita: pisando-se as uvas, sacrificava-se o deus. O suco era guardado até o fim do inverno, quando, então, Dionísio renascia em forma de vinho. Morte e renascimento de um deus, simbolizando a ressurreição da natureza e a fertilidade da terra, é um tema religioso antigo, comum a todas as civilizações. Este era, contudo, um caso muito particular, pois o deus era realmente bebido por seus adoradores e, ao penetrar-lhes o corpo efetivamente proporcionava alegria à suas almas.

Dionísio, junto com Apolo, formam a dicotomia mitológica grega dos opostos, emoção e razão. Apolo é um atleta e um cientista. É o belo, puro, equilibrado, sóbrio, defensor da lei e da ordem. Já Dionísio/Baco é passional, tem natureza instintiva, desinibida, entusiástica, criadora e desafiadora. Pouco lembrado é o fato deste não ser apenas o deus do vinho, mas também da fertilidade, da dança, do teatro e da música. O primeiro teatro do mundo foi construído no século IV a.C., na encosta oriental da acrópole de Atenas, Grécia. Comportava 14 mil pessoas, que vinham participar dos ritos dionisíacos da primavera.

Para o filósofo alemão Nietzsche, Dionísio é a própria essência da música. Esta, a mais pura das artes, não tem substância. Suas vibrações são uma sensação física, mas ela é invisível e impalpável. A música não nomeia coisas, como a linguagem verbal faz, atravessa assim barreiras defensivas da consciência e toca em pontos profundos da psique. Por isso é capaz de provocar, dionisiacamente, adesões apaixonadas ou recusas violentas, aparentemente inexplicáveis.

Seguindo este espírito, festas como o Carnaval assumem uma variada gama de aspectos do universo dionisíaco. A festa torna-se um território independente, de corpos semi-nús, música, bebidas, fantasias, alegria e despreocupação com o amanhã.

A sabedoria, contudo, está em ser ao mesmo tempo Apolo e Dionísio, numa assemblage adequada a cada momento, dentro da diversidade de cada ser humano. O mesmo vinho que aquece nossos corações, nos embriaga. Os gregos, um povo culto, viam estes fatos com lucidez, como disse Eubulus (355-346 a.C.), administrador de Atenas: “As 10 taças de vinho: eu preparo três para o moderado, uma para a saúde, que ele sorverá primeiro, a segunda para o amor e o prazer, e a terceira para o sono. Quando essa taça acabar, os convidados sábios irão para casa. A quarta é a menos demorada, mas é a da violência. A quinta é a do tumulto, a sexta a da orgia, a sétima a do olho roxo, a oitava é a do policial, a nona a da ranzinzice e a décima a da loucura e da quebradeira”.

Pêra-Manca x Latour a Pomerol x Champagne x Barbaresco…

February 2nd, 2010

Sabemos que 7 é conta de mentiroso, mas como in vino veritas,cada taça mostrará sua verdade. 

Já estão abertas as inscrições da primeira degustação TOP de 2010 na Escola Mar de Vinho. Serão 7 grandes vinhos de 7 regiões. Em comum a alta qualidade e a ótima safra de 1998, em seu auge aos 12 anos de idade.

Que tal confrontar em um mesmo jantar 

Champagne, Bordeaux, Rioja, Piemonte, Maipo, Alentejo e  Umbria?

Vejam todos os detalhes sobre a “Grande Horizontal de 1998” clicando AQUI

Veja nossa página de descontos e promoções: www.mardevinho.com.br/descontos

Informações: marketing@mardevinho.com.br tel 21-3507-0337

Saúde!

Marcelo Copello

Chief Editor – Mar de Vinho

“Most influential journalist” (Brazil) – Meininger´s Wine Business International

29/01/2010 – “Três vezes Portugal”

January 27th, 2010

Por Marcelo Copello

Unidos por laços históricos e culturais, Brasil e Portugal se encontram unidos também por Baco. O nosso mercado é considerado estratégico para as exportações de vinho lusas e os caldos da terra de Camões são a melhor opção à mesmice sul-americana que impregna as taças tupiniquins.

Não por acaso visito a terrinha com freqüência e colaboro com uma revista de lá há 7 anos. Minhas andanças me levaram a Portugal três vezes no fim de 2009, em três ocasiões que muito me honraram.

 

Wine Master Classes no Casino de Estoril

A primeira incursão foi em outubro. Fui falar (quem diria!) de vinhos portugueses aos portugueses. Como parte de uma feira de vinhos do Alentejo no Casino de Estoril ministrei Master Classes degustando e comentando vinhos alentejanos para o público do evento. A experiência foi fantástica. Primeiro por ver o vinho em um ambiente pouco comum, um cassino, mas que se tornou muito propício, por ser um espaço privilegiado, sofisticado, com música ao vivo, decoração moderna e organização impecável. Depois foi ótimo falar para um público que lotou minhas provas, interessado e entendedor, e que adorou a maneira descontraída como conduzi o evento.

 

Entronização na Bairrada

A segunda passagem por terras lusas aconteceu em novembro. Foi mais uma hora para mim, ser entronizado na Confraria dos Enófilos da Bairrada. Ao meu lado estavam outros brasileiros e personagens de renome internacional, como René Barbier, proprietário do Clos Morgador, mítica propriedade no Priorato. Honra maior ainda foi ter sido convidado a ser o orador da turma de novos confrades. Leiam mais abaixo meu discurso.

 

20 anos revista de Vinhos

Faz 7 anos que colaboro com a Revista de Vinhos, a maior e mais importante publicação especializada em vinhos da língua portuguesa. Foi, portanto, não apenas uma honra, mas também motivo de orgulho participar da celebração dos 20 anos de fundação desta revista. O jantar comemorativo aconteceu em dezembro no famoso York House, um dos mais antigos hotéis e restaurantes de Lisboa, instalado em um convento Carmelita do século XVII. A festa foi informal, toda a equipe da revista estava presente, liderados por Luís Lopes Ramos. Cada um levou seu vinho. Melhor dizendo, cada um levou duas ou três garrafas, incluindo muitas magnums. Começamos com magnums de Redoma branco 2006 e Vinha Formal 2005, passando por outra magnum, de Quinta do Carmo 1989 (ano de fundação da revista), e encerrando com um Porto Delaforce Vintage 1963. Parabéns a Revista de Vinhos!   

 

 

Discurso de Entronização na Confraria de Enófilos da Bairrada

“Como estamos todos já bem alimentados e bem abastecidos de vinho da Bairrada, não serei breve nem sucinto. Lerei agora para vocês o meu improviso!

Muito boa noite a todos! É um honra para mim estar aqui hoje, neste 30 anos da Bairrada,  encarregado de ser o porta voz do grupo de novos confrades, neste exuberante palácio, o Palace Hotel do Bussaco, com sua imponente arquitetura neo-manuelina de finais do século XIX.

A riqueza da decoração, com quadros de mestres pintores impressiona a qualquer um e mais a ainda aos brasileiros, pois os temas destas obras de arte são dominados pelos grandes descobrimentos portugueses, entre eles o Brasil.

Para nós brasileiros visitar Portugal, em especial este palácio, é, de certa forma voltar a nossas origens e conhecer-nos a nós mesmos melhor, e nos encher de orgulho de tão nobre origem.  

Este cenário só torna ainda mais especial e inesquecível este momento. Para brasileiros como nós, de um país de pouca tradição vitivinícola, ser entronizado na Confraria báquica mais antiga em atividade no país, de uma das mais tradicionais regiões européias é uma honra para se guardar na memória, colocar no cirrículo e contar aos filhos, netos e bisnetos.

Sabemos que o Brasil é um mercado importante para Portugal e para nós brasileiros provar vinhos portugueses é provar um pouco de nossa própria história é como beber nossas raízes

Sabemos que o vinho bairradino enfrente hoje um grande desafio, o de competir no mercado internacional, competição este dificílima. Pois saibam que eu viajo o mundo todo a provar vinhos e sei que muitos produtores de vários países mundo afora invejam o que se tem aqui, solos únicos, castas únicas, que tornam o vinho daqui único e não apenas mais uma garrafa em uma prateleira.

A melhor maneira de tornar o vinho da Bairrada internacional e torná-lo cada vez mais simplesmente BAIRRADA, com letras maiúsculas. E paciência com a crise. As crises passam  mas o terroir fica!

Os brasileiros começam a cansar dos vinhos do novo mundo e começam a buscar o sabor do velho mundo, novas castas, e a tendência natural é começar a explorar estes novos sabores por Portugal, pela afinidades culturais, língua, variedade de regiões e castas.

O vinhos da Bairrada possuem forte personalidade, que suscita paixão e nós estamos aqui porque sentimos esta paixão. Por tudo isso para nós brasileiros e novos confrades, prometer defender o vinho da bairrada é tarefa muito, muito fácil!

Sendo assim, em meu nome e em nome dos outros confrades brasileiros, muito obrigado. Viva o vinum bairradinum!”

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

22/01/2010 – “Vinho a Bordo!”

January 21st, 2010

Por Marcelo Copello

Eleita em 2009 a companhia “líder mundial para a America do Sul” pela World Travel Awards, a TAP decola também em direção a liderança mundial em carta de vinhos.

Desde 28 de dezembro os passageiros da TAP têm a sua disposição 15 novos rótulos selecionados por especialistas do quilate de João Paulo Martins. A notícia, muito boa para todos os 9 milhões de passageiros anuais da companhia, é ainda melhor para os brasileiros, pois a TAP é campeã na ligação entre Europa e Brasil. Nada menos que oito capitais brasileiras dispõem de vôos diretos para Lisboa: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e São Paulo.

Os números desta operação impressionam. A TAP realiza cerca de 1.850 vôos por semana. O consumo de vinho estimado para 2010 é de expressivas 660 mil garrafas, o que faz com que os 71 aviões de sua frota mais pareçam restaurantes voadores. Fazendo as contas cada aeronave serve em média mais de 9 mil garrafas de vinho ao ano, um consumo maior que o da maioria dos restaurantes do planeta.

Para lançar a novidade a TAP promoveu um almoço para a imprensa em Lisboa. O local escolhido foi onde melhor se come na cidade, a Tasca da Esquina, nova casa do chef-consultor da empresa, Vítor Sobral.

Estavam lá comigo, além da direção da TAP e de jornalistas portugueses (entre outros Maria João de Almeida, Luís Antunes, David Lopes Ramos e João Paulo Martins), os colegas brasileiros Jorge Carrara (Folha de São Paulo), Alexandre Lalas (Jornal do Brasil), Luciana Lancelotti (Bistrô Pimenta) e a cantora Natalia Malo.

Provamos juntos os 15 vinhos da nova carta, harmonizados com delícias preparadas pelo chef Vítor, como uma saborosa rabada (veja foto). Segundo Luís Mor, Administrador Executivo da TAP, a nova carta representa “um salto qualitativo, que nos coloca, acredito, como os melhores em termos de carta de vinhos ao nível de empresas aéreas”.

A nova carta faz parte de um trabalho desenvolvido pelo consultor Edward Couto, que trabalhou muitos anos para a VARIG. Edward, amigo de longa data, me confidenciou as dificuldades de se elaborar uma carta de vinhos nos velhos tempos. “Foi um escândalo quando na época Dânio Braga e eu tiramos o clássico Châteauneuf-du-Pape da carta da Varig e colocamos vinhos do novo mundo”. A ousadia valeu a pena, pois logo depois a carta de vinhos da Varig viria a ser reconhecida através de prêmios internacionais. 

Para a elaboração da atual carta da TAP foram provados 400 vinhos, levando-se em conta, além da qualidade, o volume de produção e, naturalmente, preço. Em relação a carta anterior (de 9 rótulos) foram suprimidos um vinho rosé e um porto branco, ambos muito bons mas, segundo Edward, pouco consumidos pelos passageiros. Em contrapartida a nova carta ganhou mais um espumante, um tinto e dois brancos. Convenhamos: é um luxo, voando a 10 mil metros de altura poder escolher dentre nada menos que 15 rótulos de qualidade!

Os Vinhos

Abaixo segue a nova lista de vinhos. Destaco nos espumantes o Luís Pato Bruto, nos brancos o Paulo Laureano Reserve, nos tintos o Churchill Estate, além do Porto Churchill´s Tawny 10 anos.

EXECUTIVA

Espumantes

Quinta de Cabriz Bruto Branco– Dão

Luís Pato Bruto – Bairrada

 

 

Brancos

Vallado – Douro

Vinha de Defesa, Herdade do Esporão – Alenteno

Paulo Laureano Reserve – Alentejo

Vinha Grande – Casa Ferreirinha – Douro

 

Tintos

Quinta do Côtto – Douro

Monte da Cal Reserva – Alentejo

Churchill Estate – Douro

Casa de Santar Reserva – Dão

 

Porto

Churchill´s Tawny 10 anos

 

ECONÔMICA

Versátil (tinto e branco) – Alentejo

Quinta dos Grilos (tinto e branco) – Dão

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Marcelo Copello leva Frank Sinatra a Teresópolis

January 18th, 2010

Amigos, a Fazenda Geneve em Teresópolis é um belíssimo Capril (onde são feitos os melhores queijos de cabra do Brasil), com um ótimo restaurante. Lá farei no próximo sábado a consagrada palestra “Degustando Sinatra”, acompanhada de vérios vinhos e um almoço completo feito pelo chef Reinaldo Pires.

Vejam todos os detalhes em: www.mardevinho.com.br/agenda/degustando-sinatra  

Informações: marketing@mardevinho.com.br - tel 21-3507-0337

Saúde!

Marcelo Copello

Chief Editor – Mar de Vinho

“Most influential journalist” (Brazil) – Meininger´s Wine Business International

15/01/2010 – “Prêmio Internacional, Coluna 400 e Ratatouille!”

January 14th, 2010

Por Marcelo Copello

Amigos leitores, começamos o ano de 2010 em pura festa e com uma dupla celebração. Primeiramente comemoro a coluna de número 400!

Esta soma conta apenas as colunas semanais, iniciadas na Gazeta Mercantil em março de 2001 e que continuam aqui em meu site. Não entram nesta contabilidade os textos para revistas como a Adega, Gosto e Revista de Vinhos de Portugal, além de outras publicações.

A segunda comemoração é mais importante e internacional. Após ser eleito o melhor e mais influente jornalista de vinhos do Brasil pela revista Meininger’s Wine Business International em 2009, começo 2010 com mais um reconhecimento internacional. Meu 4º e mais recente livro, “Os Sabores do Douro e do Minho” acaba de ser eleito o melhor livro de 2009 na categoria “livro sobre vinho europeu”, pelo “GOURMAND WORLD COOKBOOK AWARDS”, de Paris.

É um prêmio pelos 4 anos que investi neste projeto e uma honra, por se tratar de um reconhecimento internacional para um livro em um idioma (o português) sem a força do inglês ou do francês e sobre um tema (vinhos portugueses), sem o apelo dos congêneres gauleses. Fica aqui registrado o meu agradecimento à Editora Senac-SP pelo ótimo trabalho e todo o apoio.  

As boas notícias não param por aí. A Escola Mar de Vinho começa o ano com novidades: parcerias culturais, descontos, promoções e uma programação intensa, não apenas no Rio de Janeiro. Começamos o ano com “Vinho & Tango” e “Vinho & Bossa Nova” no Sofitel Jequitimar (Guarujá-SP), “Degustando Sinatra” na Fazenda Geneve em Friburgo e com um Curso Básico no Rio, TODOS COM INSCRIÇÕES ABERTAS! Não deixem de ver os descontos e promoções clicando AQUI. Preparei ainda muitas surpresas para este ano, que incluem uma grande Horizontal da safra 1998, uma Vertical de Vega Sicilia Unico e uma Vertical de Château Haut-Brion. Aguardem! Para informações sobre os eventos escreva para marketing@mardevinho.com.br 

Para que a comemoração seja em tom maior coloco aqui um texto que fiz sobre um filme que adoro, “Ratatouille”, publicado na revista GOSTO número 6.

 

Vinho & Ratatouille

A filmografia que podemos chamar de “eno-grastronômica”, por suas referências ao vinho ou à gastronomia, passa por todos os gêneros do cinema: comédia (Sideways), romance (French Kiss), drama (Festa de Babete), terror (Muralhas do Pavor), documentário (Mondovino), aventura (Caminhando nas Nuvens), suspense (Notorious) e até o gênero infantil ou de animação.

O desenho Ratatouille é um prato mais que cheio para os amantes da boa mesa. A história do ratinho Remy é recheada de cenas de pessoas (e ratos) tendo um imenso prazer ao comer e beber. O filme desperta nosso entusiasmo a cada cena. O chef Gusteau diz “anyone can cook” (qualquer um pode cozinhar), querendo dizer que o talento pode estar qualquer um de nós, e que “seu limite é a sua alma”. Remy encantado com Gusteau diz a seu irmão rato Emile: “humanos não só sobrevivem, eles descobrem, eles criam”. Remy, que ama o deleite de comer, percebe que ele mesmo pode ser o criador desta sensação ao misturar ingredientes. E mais ainda, ele percebe que pode proporcionar este deleite que nutre e emociona a outros seres, humanos e ratos. Assim, a comida e a bebida estabelecem uma conexão emocional entre os personagens. Cozinhar ou elaborar um vinho é dar a alguém algo que estamos orgulhosos de termos feito. Este algo, além de proporcionar prazer físico e intelectual passará a fazer organicamente parte desta pessoa (ou rato!). A melhor cena do filme é, sem dúvida, o momento em que o temido crítico gastronômico Anton Ego (na voz de Peter O´Toole) come o ratatouille preparado por Remy. O prazer de Ego é mais que físico, é emocional, já que o sabor o transporta a sua infância e ele se vê criança, diante de sua mãe, no campo.

 

Os vinhos mostrados no filme são apenas dois, apenas dois dos vinhos mais importantes da história. O Château Cheval Blanc 1947 (degustado no filme por Ego ao provar o ratatouille) é descrito pelo château como um “feliz acidente da natureza, fruto de um clima aberrante e vinificação primitiva”. O verão de 47 foi tão quente que a colheita ocorreu 15 dias antes do normal, o vinho alcançou 14,4% de álcool (fato raro na Bordeaux daquele tempo) com algum açúcar residual e acidez volátil alta. Foi necessário colocar gelo no mosto para que a fermentação chegasse ao fim (não havia tanques com controle de temperatura). Segundo Pierre Lurton, enólogo do château, este é um vinho feito por si mesmo, que nasceu com graves defeitos que com o passar das décadas transformaram-se em qualidades. Parker (que nasceu em 1947, assim como seu amigo Michel Rolland) lhe deu nota 100 e disse: “é um mamute, parece com um vinho do Porto. O mais rico e opulento Bordeaux do século 20”. Uma caixa deste vinho foi negociada em 2007 na Christie’s de Londres por 147 mil dólares. Dele restam apenas 40 garrafas e 10 magnums na adega do Château.

Ao contrário do Cheval Blanc 1947, eu tive a sorte de provar o outro vinho do filme, o Château Latour 1961 (na história é oferecido à Linguine por Skinner, com intenção de embriagá-lo). Enquanto 1947 foi um ano em que poucos apostavam, difícil para muitos Châteaux, e que só foi valorizado com o tempo, 1961 foi perfeito e unânime. A maioria dos grandes vinhos de Bordeaux teve o melhor vinho de sua historia na safra de 1961, com altos preços desde o lançamento. Michael Broadbent, crítico inglês da revista Decanter, maior referência mundial em Bordeauxs antigos, dá nota máxima (5 estrelas) a nada menos que 20 Bordeauxs desta safra e 6 estrelas (uma exceção) ao Château Latour 1961. Provei o Château Latour 1961 em 2007. Um vinho monumental em sua estrutura, profundidade e complexidade. Pareceu-me 30 anos mais novo (estava com 46 anos!), ainda com muita madeira, taninos presentes, apontando para mais algumas décadas de vida à frente. Inesquecível e empolgante, como o desenho Ratatouille.

Um brinde a todos, comemoro com vocês!

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Luiz Santoro entrevista Marcelo Copello para WTN

January 13th, 2010

Caros, assistam a entrevista que dei a Luiz Santoro da WTN. Abaixo a chamada e o link:

“Nessa semana, o nosso entrevistado é Marcelo Copello, especialista na bebida dos deuses, o vinho. Ele explica muita coisa sobre este é que a mais antiga bebida alcoólica que o homem produziu. Vc vai saber qual o melhor vinho do mundo. A classificação dos vinhos e espumantes brasileiros. Como combinar vinho e comida. Estas e outras curiosidades com o bom papo, jornalista Marcelo, que esmiuça sobre o motivo da divindade de Dionísio Bacco.”

Acesse http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=5607

Abraços,

Marcelo Copello

1º Curso Básico de Vinhos de 2010!

January 11th, 2010

Aberta nova turma do Curso Básico de Vinhos da Escola Mar de Vinho!

3 aulas, 3 jantares, 15 vinhos degustados!

Data – 21/01, 28/01 e 04/02/2010 – *5as feiras*
Hora – de 19:00 às 22:00 (às 19:00 recebemos os pontuais com espumantes e às 19:30 começamos)
Endereço – Escola Mar de Vinho - Rua Buarque de Macedo, 75 – Flamengo

TRAGA UM AMIGO E GANHE UMA GARRAFA DE VINHO*

 

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Programa

AULA 1 – Prof. Marcelo Copello

Boas vindas com espumantes Valduga e Chandon

  • O vinho, o enólogo, o sommelier e o enófilo
  • O Vinho no tempo e no espaço (A História do Vinho)
  • Do terroir à uva – a videira e a vitucultura
  • Da uva ao vinho – a elaboração dos vinhos tintos, brancos e rosados
  • O vinho e a saúde

Menu – Risotto de gorgonzola e abóbora confitada

AULA 2 – Prof Sérgio Cardoso

Boas vindas com espumantes Salton e Pizzato

  • Quanto mais velho melhor?
  • Por que a safra é tão importante
  • A adega, como conservar as garrafas?
  • Para que serve a rolha e a garrafa (mesmo!)
  • Como não pagar mico no restaurante
  • O serviço do vinho (prática)
  • A temperatura (ambiente?)
  • Copos
  • Sucessão de vinhos à mesa

Menu – Capelli D’Angelo Gratinati

AULA 3 – Prof Sérgio Cardoso

Boas vindas com espumantes Valduga e Salton

  • A diferença entre degustar e engolir (noções de degustação técnica)
  • Termos para tirar onda sem blefar
  • Como combinar comida e vinho (noções de harmonização)
  • Como comprar vinho sem levar gato por lebre
  • Provendo sua adega

Menu - Rigatoni All’Amatriciana 

Após cada aula serão servidos vinhos harmonizados com um prato quente elaborado pela chef Ciça Roxo, segundo os menus de cada dia, relacionados acima.

Ao final da última aula será servido um vinho surpresa às cegas, revelado depois no Blog de Marcelo Copello, com sorteio de brindes aos que acertarem.

Todos os participantes recebem material didático, certificado e chocolates finos da Associação dos Profissionais do Cacau Fino e Especial como brinde.

 

 

Preço: R$ 275,00 até o dia 18/01 após R$ 355,00

Vagas limitadas a 20 pagantes

Reservas:

Com Andréa ou Lourdes no local ou pelo tel: (21) 2285-6087
Ou
Com Renata no tel.: (21) 3507-0337 ou pelo email marketing@mardevinho.com.br

 *Inscrições só serão confirmadas mediante comprovação de pagamento.

Obs:

Não repomos aulas perdidas nem reembolsamos valores pagos.

Datas e programas sujeitos a alteração.

Todos os eventos realizados na Escola Mar de Vinho são para maiores de 18 anos.

*Promoção válida para os 6 primeiros inscritos que trouxerem um amigo

Novidades na Escola Mar de Vinho

January 5th, 2010

Caros amigos, o ano de 2010 começa com muitas novidades na Escola Mar de Vinho. Parcerias culturais, descontos, promoções e uma programação intensa, não apenas no Rio de Janeiro.

 

 

Parceria com o ICCA - Instituto Cultural Cravo Albin para realização de eventos eno-musicais. Conheça o ICCA em www.iccacultural.com.br

 

Descontos para ex-alunos - para detalhes clique AQUI

 

Promoção - a promoção “traga um amigo e ganhe uma garrafa de vinho” fez tanto sucesso em 2009 que segue firme em 2010! Para detalhes clique AQUI

 

Veja a programação completa clicando AQUI

 

Informações: marketing@mardevinho.com.br - tel 21-3507-0337

 

Saúde e FELIZ 2010!

 

Marcelo Copello

Chief Editor – Mar de Vinho

“Most influential journalist” (Brazil) – Meininger´s Wine Business International

Gazpacho para o verão

January 3rd, 2010

Por Marcelo Copello

Para o verão que e anunciou nos últimos dias em tom maior sugiro uma receita clássica espanhola, leve e refrescante, que casa como uma luva com vinho, o Gazpacho. É tudo muito simples, bater todos os ingredientes crus em um liquidificador e servir bem gelado.

 

Ingredientes 

6 tomates bem maduros
1 pepino
1 pimentão vermelho
1 cebola
1 dente de alho
2 pães franceses
2 colheres de vinagre
50 ml de azeite
Sal

Flor de Sal

Pimenta-do-reino

Páprica defumada

Modo de preparo:

1-Esfarele a pão e misture com o vinagre

2-Tire a pele dos tomates

3-Tire a pele a as sementes do pepino

4-Pique a cebola, o pimentão vermelho e o dente de alho

5-Coloque tudo (tomates, pepino, pimentão, cebola, alho, pão, azeite, sal a gosto, pimenta do reino a gosto, em um liquidificador e bata até formar um creme homogêneo.

6-Coloque na geladeira até ficar bem gelado (1 hora) ou use o freezer (mas cuidado para não congelar)

7-Sirva bem gelado

8-Tempere na hora a gosto com Flor de Sal, Páprica Defumada, Azeite, Pimenta-do-Reino. Pode-se acrescentar croutons

Vinho – O casamento perfeito é com um Jerez bem seco (e bem gelado), como um Fino ou um Oloroso Seco. Se um Jerez não estiver à mão sirva com qualquer branco bem seco, como um Vinho Verde, Sauvignon Blanc, ou mesmo um espumante brut.