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03/09/2010 – MAIOR PROVA DE TINTOS BRASILEIROS, Parte II

Thursday, September 2nd, 2010

Por Marcelo Copello

A Merlot é o futuro do tinto brasileiro? Minha resposta está logo abaixo. Por acaso esta casta foi a menos representada na grande prova que acabo de fazer e não foi onde encontrei o maior número de vinhos de 85 pontos para cima.

Continuando o tema da semana passada, concluo hoje a MAIOR PROVA DE TINTOS BRASILEIROS já realizada individualmente por um crítico isento. Foram 80 tintos brasileiros, de 34 produtores, divididos em:

 - Cabernet Sauvignon – 21  amostras

 - Merlot – 16  amostras

 - Varietais de outras castas – 22  amostras

 - Cortes – 21  amostras.

Semana passada apresentei o resultado dos Cabernets Sauvignons e dos vinhos de “outras castas”, leiam em: www.mardevinho.com.br/colunas/tintos-brasil-2010-i

Hoje publico o resultado das provas de merlot e cortes. Antes das notas, algumas conclusões:

- Respondendo a pergunta que fiz acima: a Merlot é o futuro do tinto brasileiro? Se eu tivesse que escolher um mono-varietal sim, mas felizmente existem os cortes. Parece-me lógico que em um terroir difícil como o brasileiro, onde o clima é irregular, cortes tenham mais qualidade que varietais.

- Dos 80 vinhos provados de 34 produtores, 24 vinhos receberam 85 pontos ou mais, sendo 9 cortes, 6 merlots, 2 cabernets (a pior turma) e 7 de outras castas.  Estes 24 vinhos foram de 12 produtores, em ordem alfabética: Casa Valduga, Cordilheira de Sant´ana, Don Abel, Don Laurindo, Miolo, Pizzato, Salton, Vallontano, Valmarino, Villa Francioni, Villaggio Grando, Vitivinícola Santa Maria.

- Algumas ausências foram sentidas, de vinícolas que foram contatadas (com mais deu mês de antecedência), mas que os vinhos não chegaram: Dall Pizzol, Lídio Carraro e Marson.

- O Pizzato DNA 99 foi a nota mais alta dos 80 vinhos, com 89. Este é um belo vinho, que para alcançar notas ainda mais altas precisa do toque de refinamento que encontrei, por exemplo, no Desejo da Salton, que por sua vez não tem a concentração de fruta do Pizzato. De qualquer modo temos uma bela amostra de Merlots brasileiros. Tanto Miolo quanto Valduga apresentaram bons Merlots, nas não tão bons quanto seus 2005.

DESTAQUES

Melhores Cortes

 

Villa Francioni 2005

 

Salton 100 anos 2008

 

Don Laurindo Gran Reserva 2005

 

Alem Mar 2008, Villagio Grando (ainda sem rótulo)

 

Melhores Merlot

Merlot DNA 99 2005, Pizzato

 

Desejo Merlot 2006, Salton

 

Merlot Terroir 2008, Miolo

 

Storia Merlot 2006, Casa Valduga

 

Melhores Novidades

Don Abel Gran Reserva Cabernet Sauvignon-Merlot 2005

Alem Mar 2008, Villagio Grando

Vinha Maria 2007, Vitivinícola Santa Maria

Salton 100 anos 2008

 

 

Melhores Compras (até R$ 50)

Reserva dos Pampas 2004, Cordilheira de Sant´ana (R$ 22,50)

Dueto Pinot Noir & Shiraz 2010, Casa Valduga (R$ 30)

Valmarino Gran Merlot Premium 2005 (R$ 40).

Merlot Reserva 2005, Vallontano (R$ 49,90).

 

CORTES

  Vinho Safra Produtor Região Preço* Nota
1 Villa Francioni 2005 Villa Francioni São Joaquim-SC R$ 120,00 88
2 Salton 100 anos 2008 Salton Serra Gaúcha ainda sem preço 87
3 Gran Reserva 2005 Don Laurindo Serra Gaúcha R$ 157,51 87
4 Alem Mar 2008 Villaggio Grando SC R$ 60,00 87
5 Concentus 2005 Pizzato Vale dos Vinhedos R$ 60,00 86
6 Don Gran Reserva 2005 Don Abel Casca-RS R$ 65,00 86
7 Vinha Maria 2007 Vitivinícola Santa Maria Vale do São Francisco R$ 58,00 86
8 Reserva dos Pampas 2004 Cordilheira de Sant´ana Campanha Gaúcha R$ 22,50 86
9 Dueto Pinot Noir & Shiraz 2010 Casa Valduga Vale dos Vinhedos R$ 30,00 85
10 Leopoldo 2007 Vinícola Santo Emílio Serra Catarinense ainda sem preço 84
11 Reserva da Família 2004 Valmarino Pinto Bandeira-RS R$ 35,00 84
12 Maximus NV Panizzon Flores da Cunha-RS R$ 49,82 84
13 Cabernet Sauvignon, Merlot, Ancelota 2005 Milantino Vale dos Vinhedos   83
14 Prelúdio 2007 Vinha Solo Campos de Cima da Serra-RS R$ 46,30 81
15 Terranova Cabernet Sauvignon-Shiraz 2007 Miolo Vale do São Francisco R$ 15,00 81

*preços no varejo informado pelos produtores/distribuidores

Villa Francioni 2005, Villa Francioni, São Joaquim-SC-Brasil (R$ 120). Elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque e bom frescor, madeira de boa qualidade bem presente, toque mentolado da Cabernet Sauvignon, frutas negras maduras, muitas especiarias. Paladar de bom corpo, taninos finos ainda presentes, 13,3% de álcool, bom volume de boca, equilibrado. Muito bom, um dos melhores tintos brasileiros. Nota: 88 pontos

Salton 100 anos 2008, Salton, Serra Gaúcha-Brasil (ainda sem preço). Corte de Cabernet Sauvignon,  Cabernet Franc e Merlot, com 14 meses em carvalho francês novo. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e muito elegante, de fruta doce bem delineada, certamente o aporte da Cabernet Franc, madeira de boa qualidade aparece, tostados, floral de violetas, alcaçuz, baunilha. Paladar de médio corpo, taninos finos, boa acidez, muito bem proporcionado. O mais elegante de todos os cortes, uma bela homenagem aos 100 anos da empresa. Nota: 87 pontos

Gran Reserva 2005, Don Laurindo, Serra Gaúcha-Brasil (R$ 157,51). Elaborado com 80% Tannat e 20% Ancelota. Vermelho rubi escuro, com reflexos granada. Aroma de bom ataque e bom frescor, com boa concentração de frutas, negras maduras, madeira, especiarias. Paladar de bom corpo, boa acidez, taninos ainda nervosos, 13,5% de álcool, toque de amargor no fim de boca. Conjunto de bom volume de boca e bom equilíbrio. Melhor vinho que já provei da Don Laurindo. Nota: 87 pontos

Alem Mar 2008, Villaggio Grando, Água Doce-SC-Brasil (R$ 60). Elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec. Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, limpo e fresco, com ervas frescas, fruta negras maduras, especiarias. Paladar de médio corpo, taninos finos, boa acidez, bom equilíbrio geral e boa elegância. Muito bom. Nota: 87 pontos

Concentus 2005, Pizzato, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 60). Corte de Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon. Vermelho rubi com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, com frutas negras maduras, cassis, ameixa, madeira bem integrada, baunilha, tostados, toques herbáceos. Paladar de bom corpo, taninos 13,5% de álcool, boa acidez, bom equilíbrio geral, um belo conjunto. Nota: 86 pontos

Don Gran Reserva Cabernet Sauvignon-Merlot 2005, Don Abel, Casca-RS-Brasil (R$ 65). Vermelho rubi escuro com reflexos granada. Aroma intenso com fritas negras doces, geléia de cassis, madeira, baunilha, alcaçuz, toques herbáceos, toques de musgo e toques de evolução, com couro. Paladar de médio-bom corpo, macio, taninos doces, finos, boa acidez, bom equilíbrio geral, 14% de álcool. Muito bom, boa surpresa. Nota: 86 pontos

Vinha Maria 2007, Vitivinícola Santa Maria, Vale do São Francisco-Brasil (R$ 58). Elaborado com Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, com 8 meses em barricas de carvalho francês. Vermelho entre rubi e granada escuro. Aroma intenso com madeira bem presente, tostados, café, frutas negras maduras. Paladar de bom corpo, 14% de álcool, boa acidez e bons taninos. Os portugueses da Dão Sul estão no caminho certo. Nota: 86 pontos

Reserva dos Pampas 2004, Cordilheira de Sant´ana, Campanha Gaúcha-Brasil (R$ 22,50). Elaborado com Cabernet Sauvignon (68%), Tannat (26%) e Merlot (6%). Vermelho granada escuro. Aromas fechados, precisa de um pouco de ar na taça para se abrir, mostra alcaçuz, frutas negras maduras, especiarias, toques vegetais de ervas, menta.  Paladar de bom corpo, estruturado por taninos sérios, firmes, boa acidez, 13% de álcool, longo. Provado ano passado, continua muito bom. Nota: 86 pontos

Dueto Pinot Noir & Shiraz 2010, Casa Valduga, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 30). Rubi entre claro e escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e de bom frecor, um corte muito bem balanceado das duas casta, com frutas vermelhas e negras, framboesas, morangos, ameixas. Paladar leve e fresco, com taninos finos e doces, boa acidez, 12% de álcool, pouco persistente. Um vinho muito bem elaborado, gastronômico e delicioso, estilo que deveria ser imitado por outros produtores. Nota: 85 pontos

Leopoldo Cabernet Sauvignon-Merlot 2007, Vinícola Santo Emílio, Serra Catarinense- Brasil (ainda sem preço). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso com bastante madeira na frente, amalgamada com boa fruta madura, especiarias, toque herbáceo. Paladar de bom corpo, 13,5% de álcool, taninos um pouco verdes. Bom vinho, precisa apenas de menos madeira e um polimento nos taninos. Nota: 84 pontos

Reserva da Família 2004, Valmarino, Pinto Bandeira-RS-Brasil (R$ 35). Elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Tannat. Vermelho granada escuro com reflexos alaranjados. Aroma de bom ataque, com bastante evolução, couro, especiarias, toques animais. Paladar de médio corpo, macio, taninos prontos, 13% de álcool, média persistência. Forma um conjunto equilibrado, com certa complexidade, mas com evolução precoce e carente de frescor e presença na boca. Nota: 84 pontos

Maximus, NV, Panizzon, Flores da Cunha-RS-Brasil (R$ 49,82). Uma mistura de castas e de safras. Vermelho granada escuro, com os primeiros reflexos alaranjados. Aroma fechado, com madeira na frente, toque de evolução, denso mas pouco definido, entre madeira, fruta passa, tabaco, couro. Paladar de bom corpo, com boa extração, 13,5% de álcool, taninos doces, mas não muito finos, toque de amargor no fim de boca. Vinho de boa concentração e bom volume de boca, mas carece de elegância e equilíbrio. Nota: 83 pontos

Cabernet Sauvignon-Merlot-Ancelota 2005, Milantino,Vale dos Vinhedos-Brasil. Vermelho granada escuro com reflexos alaranjados. Aroma de bom ataque, com evolução, couro, especiarias, passas, frutas secas, tabaco. Paladar de médio-bom corpo, macio, taninos prontos, 13% de álcool. Vinho macio e agradável, mas já com evolução precoce, beber já. Nota: 83 pontos

Prelúdio 2007, Vinha Solo, Campos de Cima da Serra-RS-Brasil (R$ 46,30). Merlot 70%, Cabernet Sauvignon 20% e Cabernet Franc 10%. Vermelho escuro entre rubi e granada. Aroma de médio ataque, não muito fino nem definido, com toque de evolução, fruta ácida, toques herbáceos da Cabernet Sauvignon, toques lácteos e de sulfuroso. Paladar de bom corpo, com acidez pronunciada, taninos um rústicos, 12,7% de álcool, toque erbáceos no fim de boca. Nota: 81 pontos

Terranova Cabernet Sauvignon-Shiraz 2007, Miolo, Vale do São Francisco-Brasil (R$ 15). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, com toque de verdor herbáceo da Cabernet Sauvignon, frutas negras doces, especiarias. Paladar de médio corpo, entra bem na boca, com taninos doces, mas cai um pouco no meio e fim de boca, 14% de álcool, tem bom frescor e bom equilíbrio geral. Nota: 81 pontos

 

MERLOT

  Vinho Safra Produtor Região Preço* Nota
1 Merlot DNA 99 2005 Pizzato Vale dos Vinhedos R$ 110,00 89
2 Desejo Merlot 2006 Salton Bento Gonçalves R$ 85,00 88
3 Storia Merlot 2006 Casa Valduga Vale dos Vinhedos R$ 118,00 87
4 Merlot Terroir 2008 Miolo Vale dos Vinhedos R$ 69,00 87
5 Merlot Reserva 2005 Vallontano Vale dos Vinhedos R$ 49,90 85
6 Grans Merlot Premium 2005 Valmarino Pinto Bandeira-RS R$ 40,00 85
7 Merlot 2000 Maximo Boschi Serra Gaúcha R$ 49,00 84
8 Merlot 2007 Villaggio Grando Água Doce-SC R$ 47,20 84
9 Premium Merlot 2005 Don Abel Casca-RS R$ 34,90 83
10 Rio Sol WS Merlot 2006 Vitivícola Santa Maria Vale do São Francisco R$ 34,00 83
11 Merlot 2007 Suzin São Joaquim-SC R$ 45,00 82
12 Merlot 2007 Viapiana Flores da Cunha-RS R$ 44,00 82
13 Reserva Merlot 2007 Don Laurindo Serra Gaúcha R$ 40,52 82
14 Reserva Merlot 2007 Terragnolo Vale dos Vinhedos R$ 32,60 81

*preços no varejo informado pelos produtores/distribuidores

Merlot DNA 99 2005, Pizzato, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 110). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, que se manifesta em bloco, integrado, denso e concentrado, fruta bem madura, madeira bem colocada, especiarias doces, baunilha, alcaçuz, tostados. Paladar encorpado, taninos doces, 13,5% de álcool, longo e ainda jovem. Nota: 89 pontos

Desejo Merlot 2006, Salton, Bento Gonçalves-Brasil (R$ 85). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, muito fino, com um finesse raro de ver em um vinho nacional, mostra fruta negra em definida limpa, cassis, ameixa, baunilha, tostados, anis, madeira de boa qualidade muito bem integrada. Paladar de médio corpo, taninos finos, doces, 13% de álcool, boa acidez, ótimo equilíbrio geral. Provado ano passado evoluiu muito bem e está melhor. O vinho Merlot mais fino da prova. Nota: 88 pontos

Merlot Terroir 2008, Miolo, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 69). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, bem integrado, com frutas negras maduras e frescas, cassis, madeira bem colocada, alcaçuz, chocolate. Paladar de bom corpo, taninos doces, macio, boa acidez, 14% de álcool, ótimo equilíbrio geral. Moderno, muito bem elaborado, Focado na fruta limpa, madura e fresca. Está melhor do que quando provei ano passado, evoluiu muito bem Nota: 87 pontos

Storia Merlot 2006, Casa Valduga, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 118). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, com madeira de boa qualidade na frente, muitos tostados, café, frutas negras maduras, especiarias. Paladar encorpado, taninos finos 14,5% de álcool, taninos firmes, boa acidez, madeira aparece no fim de boca. A meu ver o 2005 é superior a este, que também é um belo vinho, mas poderia ter menos madeira de alta tosta. Nota: 87 pontos

Merlot Reserva 2005, Vallontano, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 49,90). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, bom frescor, fruta madura, integrada com madeira, baunilha, especiarias. Paladar de médio corpo, taninos doces, 13,5% de álcool, bom equilíbrio geral, bom conjunto. Nota: 85 pontos

Gran Merlot Premium 2005, Valmarino, Pinto Bandeira-RS-Brasil (R$ 40). Vermelho rubi escuro com reflexos granada. Aroma de bom ataque com bastante madeira na frente, frutas negras maduras, ameixas, cerejas, especiarias doces, baunilha, alcaçuz. Paladar de bom corpo, 14% de álcool, taninos secos, ainda presentes, boa acidez, Bom conjunto, promissor, falta um polimento. Nota: 85 pontos

Merlot 2000, Maximo Boschi, Serra Gaúcha-Brasil (R$ 49). Vermelho granada escuro com reflexos alaranjados. Aroma médio ataque, com muita madeira e bastante evolução, baunilha, tostados, caramelo, coco queimado, frutas maduras, especiarias. Paladar de bom corpo, parece com um pouco de extração a mais do que pode, taninos presentes,  12,8% de álcool, fundo com leve toque de amargor, final de boca com toque animal. Estilo old fashion. Nota: 84 pontos

Merlot 2007, Villaggio Grando, Água Doce-SC-Brasil (R$ 47,20). Vermelho granada quase escuro com os primeiros reflexos alaranjados. Aroma de bom ataque, fruta doces, bom frescor, toque vegetal de musgo, cacau amargo, madeira, especiarias doces, baunilha e alcaçuz. Paladar de médio corpo, taninos doces, taninos finos, 13,3% de álcool, bom conjunto. Nota: 84 pontos

Premium Merlot 2005, Don Abel, Casca-RS (R$ 34,90). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e doce, frutas negras maduras, geléias, especiarias doces, baunilha. Paladar de bom corpo, taninos doces, 14% de álcool, entra bem na boca, mas cai um pouco no final, falta um pouco de frescor, fica enjoativo no fim. Promissor, mas aparentemente há sobre-maturação das uvas. Nota: 83 pontos

Rio Sol Winemaker´s Selection Merlot 2006, Vitivícola Santa Maria, Vale do São Francisco-Brasil (R$ 34). Vermelho granada escuro com reflexos alaranjados. Aroma de bom ataque e boa complexidade, com toque de doçura de região quente e bastante evolução, couro, especiarias, baunilha, coco queimado, café, Musgo, tabaco. Paladar de médio corpo, taninos finos, 13% de álcool. Parece com evolução precoce na cor e no aroma, às cegas me pareceu um Rioja à moda antiga. Nota: 83 pontos

Merlot 2007, Suzin, São Joaquim-SC-Brasil (R$ 45). Vermelho rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de boa intensidade e de grande frescor típico de região fria, com herbáceos verdes na frente, frutas negras frescas. Paladar de médio corpo, macio, taninos um pouco verdes (como já anunciado pelo toque herbáceo no nariz), boa acidez. 14% de álcool. Conjunto expressivo e gastronômico, falta um amadurecimento melhor das uvas. Nota: 82 pontos

Merlot 2007, Viapiana, Flores da Cunha-RS-Brasil (R$ 44). Vermelho rubi entre claro e escuro com reflexos granada. Aroma de médio ataque, com frutas frescas, doces. Paladar de leve a médio corpo, taninos doces, boa acidez, 13,1% de álcool, simples e gastronômico. Nota: 82 pontos

Reserva Merlot 2007, Don Laurindo, Serra Gaúcha-Brasil (R$ 40,52). Vermelho entre rubo e granada quase escuro. Aroma de médio ataque, fruta madura não muito definida, geléias, com toques de couro e evolução, especiarias. Paladar de médio corpo, 12,5% de álcool, boa acidez, taninos rústicos, estilo tradicional, simples e gastronômico. Nota: 82 pontos

Reserva Merlot 2007, Terragnolo, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 32,60). Vermelho rubi entre claro e escuro com reflexos violáceos já na transição para granada. Aroma de boa intensidade, com frutas frescas e toque herbáceo, especiarias doces. Paladar de leve a médio corpo, taninos um pouco rústicos, 13,5% de álcool, boa acidez. Melhor que o 2005 que provei ano passado. Nota: 81 pontos

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

 

3 novos eventos com Marcelo Copello

Wednesday, September 1st, 2010

Amigos, setembro será um mês recheado de eventos vínicos. Teremos duas novas turmas de nossos cursos e um jantar harmonizando música e vinho. Vejam:

A primeira turma será do Curso Básico, desta vez em ITAIPAVA. Veja os detalhes clicando em www.mardevinho.com.br/agenda/basico-itaipava

A segunda será uma nova turma do Curso “Técnica e Prática de Degustação” no Rio de Janeiro. Veja os detalhes clicando em www.mardevinho.com.br/agenda/curso-degustacao-e

O jantar harmonizado com música acontece no Garcia & Rodrigues com vinhos da Casa Valduga. Veja os detalhes clicando em www.mardevinho.com.br/agenda/valduga

Informações: marketing@mardevinho.com.br – tel: (21) 3507-0337

Saúde!

Marcelo Copello

MAIOR PROVA DE TINTOS BRASILEIROS – Parte I

Thursday, August 26th, 2010

Por Marcelo Copello

Há quinze anos acompanho de perto a evolução do vinho brasileiro. Desde 2001 organizo provas sistemáticas, às cegas, de seus vinhos de destaque. Vou repetir mais uma vez meu refrão “o vinho brasileiro melhora a cada ano”, complementando que a melhora é lenta, que a qualidade é uma estrada de quilômetros em que percorremos centímetros a cada safra.  

Gradualmente a indústria nacional progride. A cada grande prova como esta surgem boas surpresas, novos produtores com vinhos interessantes e novos rótulos de produtores já com prestígio. Há também o outro lado da moeda: produtores que pararam no tempo, e ano a ano cometem os mesmos erros, que vou comentar abaixo. Como tenho feito todos os anos, avalio tintos no inverno e espumantes no fim do ano. Os brancos, rosados, doces e fortificados a meu ver ainda não formam massa crítica suficiente para justificar este trabalho.  

Este ano provei 80 tintos brasileiros, de 34 produtores. Até onde sei esta é a MAIOR PROVA DE TINTOS BRASILEIROS já realizada individualmente por um crítico isento. A prova só não foi maior porque limitei em apenas uma amostra de cada produtor em cada uma das 4 categorias que defini (abaixo). Todas as vinícolas que consegui contatar foram convidadas a participar. As amostras ficaram divididas em:

 - Cabernet sauvignon – 21  amostras

 - Merlot – 16  amostras

 - Varietais de outras castas – 22  amostras

 - Cortes – 21  amostras.

Hoje publico o resultado das provas de cabernet sauvignon e varietais de outras castas. Nas outras castas, como recebi 3 pinot noir e 5 tannat, acabei por fazer uma classificação separada destes. Semana que vem divulgo como foram os merlots e os cortes. Antes das notas, algumas conclusões:

- Provas mais extensas de vinhos semelhantes (mesmas castas, país/regiçao) são sempre cansativas e difíceis pois os vinhos tendem a se parecer. Por outro lado só provando desta maneira é possível obter visão comparativa e perspectiva do atual estágio de qualidade e do potencial do vinho brasileiro.   

- Tive um número elevado de amostras com algum tipo de defeito (cerca de 15%), com vários casos de Brettanomyces ou Brett (um tipo de levedura que causa desagradáveis aromas animais, normalmente descritos como cheiro de estábulo ou suor de cavalo), causada  possivelmente por uso de barris de madeira sem a higiene adequada. Os casos muito graves de Bret me levaram a desclassificar o vinho, em outros mais brandos apenas comentei “toque animais” nos aromas.

- Ainda falando dos problemas gerais mais comuns que encontrei, que são os mesmos há anos, listo a seguir (lembrando que estes problemas não se aplicam aos bons vinhos e sim aos maus):

- Falta de estrutura em muitos vinhos.

- Perda precoce de cor, com vinhos jovens já com cor de evolução, com tons granada e alaranjado.

- Falta de fruta, com aromas de evolução em vinhos ainda jovens.

- Mau uso da madeira (não apenas pelo Brett), excesso de madeira em vinhos sem a estrutura necessária e madeira de má qualidade.

- Taninos rústicos e verdes, o que denota problemas de maturação das uvas.

- Excesso de conservante (dióxido de enxofre ou anidrido sulfuroso, que dá aromas de enxofre). Este problema acontece em alguns tintos embora seja mais freqüente nos espumantes. 

- Dos nossos bons vinhos posso dizer que são gastronômicos, com boa acidez, sem excessos de álcool,  com taninos secos e finos, fruta fresca e limpa. Como sempre digo, nossa vocação em tintos está muito mais para o estilo Bordeaux do que para os fruit bombs de Mendoza ou Maipo.

  

DESTAQUES

Melhor Cabernet Sauvignon

Miolo Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006

 

 

Melhor Pinot Noir

 

Miolo RAR Collezione Pinot Noir 2009

 

 

Melhores Tannat

Cordilheira de Sant´ana Tannat 2004

 

Pizzato Reserva Tannat 2005

 

 

Melhores de “Outras Castas”

Rio Sol Winemaker´s Selection Touriga Nacional 2008

 

Arinarnoa Single Vineyard 2006, Casa Valduga

 

Ancellotta Gran Reserva 2007, Don Guerino 

 

 

Melhores Novidades

Rio Sol Winemaker´s Selection Touriga Nacional 2008

Don Abel Premium Cabernet Sauvignon 2005

 

 

Melhores Compras (até R$ 50)

Rio Sol Winemaker´s Selection Touriga Nacional 2008 (R$ 34)

Don Abel Premium Cabernet Sauvignon 2005 (R$ 34,90)

Angheben Barbera 2007 (R$ 35,50)

Pizzato Reserva Tannat 2005 (R$ 38)

Cordilheira de Sant´ana Tannat 2004 (R$ 45)

Miolo RAR Collezione Pinot Noir 2009 (R$ 45) 

Miolo Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006 (R$ 45)

Sanjo Maestrale Cabernet Sauvignon 2005 (R$ 48)

 

 

Cabernet sauvignon

Vinho Safra Produtor Região Preço NOTA
Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006 Miolo Fronteira-RS R$ 45,00 86
Premium Cabernet Sauvignon 2005 Don Abel Casca-RS R$ 34,90 85
Maestrale Cabernet Sauvignon 2005 Sanjo São Joaquim-SC R$ 48,00 84
Villa Lobos Cabernet Sauvignon 2006 Casa Valduga Vale dos Vinhedos R$ 100,00 84
Cabernet Sauvignon 2008 Quinta da Neve São Joaquim-SC R$ 39,60 84
Cabernet Sauvignon Reserva 2004 Fabian Nova Pádua-RS R$ 41,50 83
Cabernet Sauvignon 2000 Maximo Boschi Serra Gaúcha R$ 49,00 83
Cabernet Sauvignon Via 1986 2005 Viapiana Flores da Cunha R$ 70,00 83
Reserva Cabernet Sauvignon 2006 Don Laurindo Serra Gaúcha R$ 40,52 82
Reserva Cabernet Sauvignon 2008 Cooperativa Aurora Bento Gonçalves R$ 24,00 82
Rio Sol Winemaker´s Selection Cabernet Sauvignon 2008 Vitivícola Santa Maria Vale do São Francisco R$ 34,00 82
Cabernet Sauvignon Reserva 2004 Vallontano Vale dos Vinhedos R$ 59,90 82
Cabernet Sauvignon 2007 Suzin São Joaquim-SC R$ 45,00 81
Volpi Cabernet Sauvignon 2007 Salton Bento Gonçalves R$ 30,00 80
Don Miguel Cabernet Sauvignon 2005 Vinícola Don Miguel Garibaldi R$ 35,00 80
Cabernet Sauvignon 2007 Villaggio Grando SC R$ 47,20 80
Variété Cabernet Sauvignon 2005 Maison Dachery Serra Gaúcha R$ 47,00 78

 

Quinta do Seival Cabernet Sauvignon 2006, Miolo, Fronteira-RS,Brasil (R$ 45). Cor rubi escura com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque e bom frescor, fruta doce, passas, especiarias doces, alcaçuz, chocolate, toque mineral terroso, boa elegância.  Paladar de médio-bom  corpo, 13,5% de álcool, bons taninos. Moderno, frutado, bem elaborado, bom equilíbrio e elegância gerais. Nota: 86 Pontos

Premium Cabernet Sauvignon 2005, Don Abel, Casca-RS-Brasil (R$ 34,90). Cor rubi escuro com tons violáceos na transição para granada. Aroma de bom ataque, bom frescor, boa fruta madura e fresca, cassis, ameixa, lácteo, vegetal, especiarias doces, baunilha, cravo. Paladar de médio-bom corpo, 14% de álcool, taninos finos, doces, boa acidez, elegante, estilo fresco e moderno, focado na fruta. Nota: 85 Pontos

Maestrale Cabernet Sauvignon 2005, Sanjo, São Joaquim-SC-Brasil (R$ 48). Cor rubi escuro violáceo. Aroma de bom ataque, bom frescor, limpo, de fruta negra doce, mentol. Paladar de médio-bom corpo, 13,2% de álcool, taninos doces, bom equilíbrio geral, final macio, Muito bom. Nota: 84 Pontos

Villa Lobos Cabernet Sauvignon 2006, Casa Valduga, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 100). Cor rubi escuro reflexos violáceos. Aroma de bom ataque , com boa concentração de fruta doce, baunilha. Paladar de médio-bom corpo, 13% de álcool, cai um pouco no meio boca. Moderno, bem elaborado, bom equilíbrio e elegância gerais. Nota: 84 Pontos

Cabernet Sauvignon 2008, Quinta da Neve, São Joaquim-SC-Brasil (Decanter, R$ 39,60). Cor rubi entre claro e escuro, com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque, toque vegetal herbáceo, frutas negras frescas, especiarias doces, baunilha e alcaçuz. Paladar seco, de médio corpo, 13% de álcool, taninos finos e ainda presentes, ótima acidez. Nitidamente um Cabernet de região fria, com mais frescor e elegância que corpo. Bom equilíbrio e elegância. Nota: 84 Pontos

Cabernet Sauvignon Reserva 2004, Fabian, Nova Pádua-RS-Brasil (R$ 41,50). Cor Granada escuro reflexos transição para alaranjado. Aroma intenso e de boa complexidade, com madeira na frente, vegetal herbáceo típico da casta, musgo, animal (couro), fruta madura, toque lácteo, álcool aparece um pouco no nariz. Paladar de bom corpo, 13,8% de álcool, entra bem na boca mas cai um pouco no “meio de boca”, falta um pouco de estrutura, taninos finos, bom equilíbrio geral, toque de amargor no fim de boca. Estilo tradicional e rústico. Pronto, já com toques de evolução, mas com 2-4 anos de guarda pela frente. Nota: 83 Pontos

Cabernet Sauvignon 2000, Maximo Boschi, Serra Gaúcha-Brasil (Confraria Carioca, R$ 49). Cor granada entre claro e escuro com reflexos alaranjados. Aroma de médio ataque já com bastante evolução, etéreo, bastante madeira, couro coco, passas, toque animal. Paladar seco, de médio corpo, taninos secos, 12,8% de álcool, estilo tradicional, sem fruta nem maciez, mas faz um estilo. Nota: 83 Pontos

Reserva Cabernet Sauvignon 2006, Don Laurindo, Vale dos Vinhedos-Brasil (Eivin, R$ 40,52). Cor rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de médio ataque, pouco definido mas limpo, com vegetal herbáceo, frutas negras, especiarias doces. Paladar de bom corpo, 13% de álcool, taninos rústicos e presentes, boa acidez. Na boca é expressivo mas falta elegância. Nota: 83 Pontos

Cabernet Sauvignon Via 1986 2005, Viapiana, Flores da Cunha-Brasil (Tilintar, R$ 70). Cor granada entre claro e escuro sem reflexos. Aroma de bom ataque e boa complexidade, com madeira bem presente, couro, fruta passa, cacau amargo, frescor de menta, especiarias picantes. Paladar macio, 14% de álcool, de bom corpo, taninos doces, persistência cai e falta um pouco de frescor em boca. Nota: 83 Pontos

Reserva Cabernet Sauvignon 2008, Cooperativa Aurora, Bento Gonçalves-Brasil (R$ 24). Cor entre rubi entre claro e escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom ataque com bom frescor, boa expressão de fruta madura doce, cassis, vegetal herbáceo, alcaçuz, baunilha. Paladar de médio corpo, 12,5% de álcool, taninos presentes, limpo e com bom final. Nota: 82 Pontos

Rio Sol Winemaker´s Selection Cabernet Sauvignon 2008, Vitivícola Santa Maria, Vale do São Francisco-Brasil (R$ 34). Cor rubi escura na transição para granada. Aroma de bom ataque, frutas maduras, cozidas, madeira e toques vegetais herbáceos, tostados, café. Paladar de médio-bom corpo, 13% de álcool, taninos presentes. É expressivo, mas falta um pouco de estrutura para a madeira que tem. Nota: 82 Pontos.

Cabernet Sauvignon Reserva 2004, Vallontano, Vale dos Vinhedos-Brasil (Mistral, R$ 59,90). Cor rubi entre claro e escuro com reflexos granada. Aroma de médio ataque, com vegetal herbáceo, frutas frescas, especiarias, canela, baunilha. Paladar leve, 13,8% de álcool, taninos secos, simples e gastronômico. Nota: 82 Pontos

Cabernet Sauvignon 2007, Suzin, São Joaquim-SC-Brasil (Tilintar, R$ 45). Cor rubi escura na transição para granada. Aroma de bom ataque com bom frescor, toques vegetais herbáceos na frente, frutas negras maduras, cassis, toque animal de suor. Paladar seco, de médio corpo, 14% de álcool, taninos secos, falta estrutura e cai muito no meio de boca. Nota: 81 Pontos

Volpi Cabernet Sauvignon 2007, Salton, Bento Gonçalves-Brasil (R$ 30). Cor rubi escuro reflexos violáceos. Aroma intenso, com frutas maduras e madeira, coco queimado, toque vegetal herbáceo, passas, tostados, café. Paladar seco, de leve a médio corpo, 13% de álcool, cai um pouco no meio de boca. Nota: 80 Pontos

Cabernet Sauvignon 2007, Villaggio Grando, SC-Brasil (Eivin, R$ 47,20). Cor granada escuro. Aroma fruta doce cozida, baunilha, madeira, coco queimado. Paladar magro, 13,6% de álcool, fim de boca com toque de amargor. Provei este vinho ano passado e a meu ver não evoluiu bem. Nota: 80 Pontos

Variété Cabernet Sauvignon 2005, Maison Dachery, Serra Gaúcha-Brasil (Tilintar, R$ 47). Cor rubi entre claro e escuro na transição para granada sem reflexos. Aroma de pouco ataque, etéreo, fruta cozida, especiarias picantes, animal, com toque de Brettanomyces. Paladar seco e macio, taninos flácidos e baixa acidez, 13% de álcool, toque animal de suor no fim de boca. Nota: 78 Pontos

  

Pinot noir

Vinho Safra Produtor Região Preço NOTA
RAR Collezione Pinot Noir 2009 Miolo Campos de Cima da Serra-RS R$ 45,00 86
Pinot Noir 2008 Quinta da Neve São Joaquim-SC R$ 63,00 83
Pinot Noir 2010 Pericó São Joaquim-SC ainda sem preço 80

 

RAR Collezione Pinot Noir 2009, Miolo, Campos de Cima da Serra-RS-Brasil (R$ 45). Cor rubi intenso entre claro e escuro com reflexos violáceos. Aroma de médio-bom ataque, focado nas frutas maduras, bem amalgamadas com madeira de boa qualidade, cereja madura, groselha, tostados, baunilha, alcaçuz. Paladar leve e fresco, 13,5% de álcool, taninos finos, boa acidez, média persistência, elegante e equilibrado. Nota: 86 pontos

Pinot Noir 2008, Quinta da Neve, São Joaquim-SC-Brasil (R$ 63). Cor vermelho rubi claro com reflexos granada. Aroma intenso de frutas vermelhas doces, cerejas e morangos. Paladar leve e fresco, taninos finos, 12,2% de álcool, boa acidez, falta um pouco de concentração de fruta e meio de boca. Com boa elegância e boa tipicidade da casta. Nota: 84 pontos

Pinot Noir Pericó 2010. Cor vermelho rubi claro com reflexos violáceos. Aroma intenso de frutas vermelhas ácidas, framboesas e morangos (o conservante aparece um pouco, o que é normal em um vinho recém engarrafado, da safra 2010). Paladar leve e fresco, taninos finos, secos, com acidez bem pronunciada, pouco meio de boca, pouca estrutura, boa elegância. Ainda muito novo precisa de tempo de garrafa para se integrar melhor. Nota: 80 pontos

 

Tannat

 

Vinho Safra Produtor Região Preço NOTA
Tannat 2004 Cordilheira de Sant´Ana Campanha Gaúcha R$ 45,00 87
Reserva Tannat 2005 Pizzato Vale dos Vinhedos R$ 38,00 86
Tannat Reserva 2007 Vallontano Vale dos Vinhedos R$ 37,90 83
Reserva Tannat 2006 Don Laurindo Serra Gaúcha R$ 47,18 82

 

Tannat 2004, Cordilheira de Sant´ana, Campanha Gaúcha-Brasil (R$ 45). Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e de bom frescor, denso e fechado, bastante madeira americana aparecendo, coco, baunilha, tostados, especiarias, frutas negras maduras, chocolate, alcaçuz. Paladar encorpado, estruturado por bons taninos, secos e sérios, 13,8% de álcool, boa acidez. Continua muito bom e com a madeira sobrando um pouco. Nota: 87 pontos

Reserva Tannat 2005, Pizzato, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 38). Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom frescor, denso e fechado, frutas negras maduras limpas e bem definidas, alcaçuz, toque lácteo, toque herbáceo verde. Paladar de bom corpo, taninos doces, firmes e presentes, 13,3% de álcool, boa acidez. Nota: 86 pontos

Tannat Reserva 2007, Vallontano, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 37,90). Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de bom frescor, frutas negras frescas, toque herbáceo, tostados, café. Paladar de bom corpo, bons taninos, ainda presentes, , 13,4% de álcool, boa acidez, gastronômico. Nota: 83 pontos

Reserva Tannat 2006, Don Laurindo, Serra Gaúcha-Brasil (R$ 47,18). Vermelho granada escuro. Aroma de bom ataque, toques lácteos e de evolução, com couro, passas, leve herbáceo. Paladar de bom corpo, 13% de álcool, taninos um pouco verdes, cai no fim de boca. Estilo tradicional e rústico. Nota: 82 pontos

Variété Tannat 2005, Maison Dachery, Farroupilha-Brasil (R$ 67). Vermelho rubi escuro com reflexos granada. Aroma com toque animal de Brettanomyces, frutas secas, passas, especiarias. Paladar de médio corpo, 14% de álcool, taninos presentes, couro, fim de boca aparece o toque de Brett. Sem nota

  

Outras castas 

Vinho Safra Produtor Região Preço NOTA
Rio Sol Winemaker´s Selection Touriga Nacional 2008 Vitivícola Santa Maria Vale do São Francisco R$ 34,00 87
Arinarnoa Single Vineyard 2006 Casa Valduga Vale dos Vinhedos R$ 58,00 86
Ancelota 2007 Don Guerino Serra Gaúcha R$ 59,00 86
Michelli 2005 Villa Francioni São Joaquim-SC R$ 198,00 85
Barbera 2007 Angheben Encruzinhada do Sul R$ 35,50 84
Cabernet Franc X 2005 Valmarino Pinto Bandeira-RS R$ 45,00 83
Tempranillo 2008 Laurentia Vale dos Vinhedos R$ 39,90 83
Teroldego 2006 Milantino Vale dos Vinhedos R$ 35,00 83
Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2008 Cooperativa Aurora Bento Gonçalves R$ 36,00 82
Montepulciano 2007 Panizzon Serra Gaúcha R$ 22,60 77

 

Rio Sol Winemaker´s Selection Touriga Nacional 2008, Vitivícola Santa Maria, Vale do São Francisco-Brasil (R$ 34). Cor rubi escura com reflexos violáceos. Aroma intenso de fruta madura e madeira, ameixa, alcaçuz, madeira de boa qualidade aparece bem integrada, baunilha, tostados, floral de violetas. Paladar de bom corpo, 13% de álcool, boa acidez e frescor, taninos secos e finos, belo equilíbrio gastronômico. É um vinho muito bom, com tipicidade da casta, equilíbrio e elegância. Nota: 87 pontos

Arinarnoa Single Vineyard 2006, Casa Valduga, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 58). Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma concentrado, fechado, baunilha, alcaçuz, frutas negras, tostados, madeira. Paladar de bom corpo, com boa extração, taninos finos e presentes com 14% de álcool, boa acidez, cai um pouco no fim de boca. Diferente, concentrado e gastronômico, bom vinho. Nota: 86 pontos

Gran Reserva Ancellotta 2007, Don Guerino, Serra Gaucha-RS (R$ 59). Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma de boa fruta, negra e madura, especiarias doces, baunilha, alcaçuz, tostados. Paladar de bom corpo, taninos finos, secos, boa acidez, 13% de álcool, boa persistência. Provei este vinho ano passado, continua muito bom, embora eu o tenha preferido mais novo. Nota: 86 pontos

Michelli Sangiovese 2005, Villa Francioni, São Joaquim-SC-Brasil (R$ 198). Rubi escuro com reflexos granada. Aroma de médio ataque, ainda fechado, com muita madeira nova, de boa qualidade, bom frescor, fruta negra madura, especiarias. Paladar de bom corpo, com boa extração, 14% de álcool, taninos presentes. Bom vinho, mas dominado pela madeira. Nota: 85 pontos

Barbera 2007, Angheben, Encruzinhada do Sul-Brasil (R$ 35,50). Cor granada entre claro e escuro. Aroma de pouco ataque, elegante, com toque de evolução, fruta seca, ácida, toques animais de carne, especiarias picantes. Paladar de médio corpo, taninos secos, boa acidez, finos, 13% de álcool, falta um pouco de estrutura e fruta, é elegante e gastronômico. Nota: 84 pontos

Cabernet Franc X 2005, Valmarino, Pinto Bandeira-RS-Brasil (R$ 45). Cor entre rubi escuro com reflexos granada. Aroma de ótimo frescor, fruta madura e madeira bem integradas, com uma pontas de sulfuroso e herbáceos que comprometem a limpeza aromática. Paladar de bom corpo, entra bem na boca, mas depois cai um pouco no meio e fim de boca, com 14% de álcool, taninos doces e finos, falta fruta e frescor. NO geral é muito bom, um vinho muito promissor que precisa apenas de um polimento. Nota: 83 pontos

Tempranillo 2008, Laurentia, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 39,90). Cor granada escura com reflexos rubi. Aroma de bom ataque, com madeira na frente (um pouco excessiva), fruta doce, geléias, muita baunilha, tostados, cravo, alcaçuz. Paladar de bom corpo, taninos ainda presentes, doces, 13% de álcool. Nota: 83 pontos

Teroldego 2006, Milantino, Vale dos Vinhedos-Brasil (R$ 35). Vermelho granada escuro. Aroma de fruta negra madura, toques lácteos, geléias, passas, alcaçuz, baunilha. Paladar de médio-bom corpo, 12% de álcool, taninos finos e doces mas um pouco flácidos, falta um pouco de estrutura e fruta.Provei este mesmo vinho ano passado e a impressão é que decaiu e já sente e a idade. Nota: 82 pontos

Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2008, Cooperativa Aurora, Bento Gonçalves-Brasil (R$ 36). Cor rubi escura com reflexos violáceos. Aroma de médio ataque e bom frescor, fruta doce e madeira, alcaçuz, baunilha, cereja negra, ameixa. Paladar de médio-bom corpo, taninos secos e finos, 13% de álcool, cai no meio de boca por falta de estrutura. Tem elegância e frescor, gastronômico. Nota: 82 pontos

Montepulciano 2007, Panizzon, Serra Gaúcha-Brasil (R$ 22,60). Rubi escuro com reflexos granada. Aroma de fruta negra ácida, algo queimado, não muito limpo nem elegante. Entra bem na boca mas depois cai, falta estrutura no meio de boca,  12,5% de álcool, curto com toque de amargor e animal no fim de boca. Simples e rústico. Nota: 77 pontos

 

Semana que vem vejam os merlots e os cortes!

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

20/08/2010 – “Salton: um século de história”

Thursday, August 19th, 2010

Por Marcelo Copello

100 anos, um século, uma época, uma era. A mística do intervalo redondo de 100 anos evoca o tempo circular, recorrente e eterno, que se contrapõem ao tempo linear da ciência. A vinha e o vinho partilham deste mesmo tempo cíclico e simbolizam o renascimento e a renovação a cada safra. Este é um momento importante, pois uma das maiores vinícolas do Brasil faz 100 anos. À Salton 100 brindes! 

Sede da Salton em Tuiuty

Esta empresa familiar, que passou por guerras mundiais e crises internacionais, chega a seu centenário em plena forma, prevendo aumentar sua linha de produção este ano em 80%. Os números da Salton impressionam. A expectativa da empresa é de vender este ano, só em espumantes, 6 milhões de garrafas, consolidando sua posição de líder na perlage nacional. Somando a estas cifras o crescimento esperado de 40% nos vinhos finos e de 24% nos sucos de uva, chegas-se a meta de faturamento para 2010: R$ 240 milhões.

Para registrar esta data histórica e celebrar o sucesso da empresa conversei com seu atual diretor presidente, Daniel Salton, neto do fundador, Paulo Salton. Nascido em Bento Gonçalves e formado em Administração de Empresas pela PUC-RS, Daniel iniciou sua carreira na vinícola como assessor administrativo, em 1980. Em abril de 1981 passou a diretor administrativo e no ano passado assumiu a presidência, no lugar do saudoso Ângelo Salton. Leiam a seguir as 10 perguntas que fiz a Daniel Salton:

 

Daniel Salton

  

1-Marcelo Copello: A Salton completa históricos 100 anos como uma das empresas protagonista do cenário nacional do vinho. Como você nos contaria esta trajetória de um século e como a Salton se insere mo mercado brasileiro hoje?

Daniel Salton: Desde os primeiros anos da história, tanto da família quanto da vinícola, até os dias de hoje sofremos inúmeras mudanças. Passamos tanto por crises internacionais (guerras mundiais) quanto crises econômicas nacionais (planos econômicos de combate a inflação) e também por crises familiares. Através da entrada do Ângelo Salton Neto como diretor presidente, em 1981, conseguimos crescer e solidificar todo o patrimônio que herdamos de nossos pais. Nesta última década, o trabalho realizado por todos foi muito significativo e, através da união, elevamos o nome da vinícola e de nossa família. Passamos de uma empresa com visão retraída de mercado para uma vinícola com visão de mercado competitivo, obtendo sucesso e reconhecimento através dos produtos finos que vem sendo lançados. O mercado hoje é muito visado, tanto por empresas nacionais e internacionais, e a oferta de produtos é abundante. Para vencermos, faz-se necessário trabalharmos muito e com excelência em qualidade.

  

2-MC: O que podemos esperar da Salton em um futuro próximo em termos de novidades, investimentos e novos produtos?

DS: Pelo conceito que temos hoje e pela condição de mercado, acreditamos que, com nosso trabalho e planejamento desenvolvido, estamos seguindo no caminho correto para o crescimento e solidificação de nossas unidades produtivas e entre a família.

Estamos priorizando alguns investimentos em novos produtos e consolidando nossa posição de mercado, principalmente na categoria de espumantes. Já nos vinhos, esperamos que o consumidor, nos próximos anos, acredite mais fortemente na qualidade de nossos vinhos finos, assim como já possui confiança em consumir nossos espumantes. Atualmente possuímos excelentes opções de vinhos em várias faixas de mercado. Produtos estes que são elaborados seguindo programas de qualidade e que farão com que os consumidores que o provarem voltem a consumi-lo em outras oportunidades.

Nossos investimentos este ano giram em torno de R$ 21 milhões. Este valor será utilizado para a aquisição de uma segunda linha de engarrafamento. Além dela, adquirimos ainda área de terras em Santana do Livramento e estrutura para início dos trabalhos naquela área, e também aquisição de 10 novos tanques, com capacidade individual de 250 mil litros, para estocagem de vinhos finos; estrutura para o Turismo e construção de um novo centro administrativo.

Quanto aos lançamentos, neste momento estamos nos preparando para colocar no mercado o vinho, o espumante e o brandy, produtos desenvolvidos em comemoração aos 100 anos da vinícola.

O tinto “100 anos” vinho foi elaborado a partir das variedades de uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, corte este que amadureceu por 14 meses em barricas de carvalho francesas novas.

O espumante “100 anos”, elaborado através do Método Champenoise a partir das variedades Chardonnay e Pinot Noir, passou 3 anos em contato com as leveduras, o que lhe conferiu uma coloração amarelo ouro e aromas de cevada tostada, pão torrado, mel, nozes, pão torrado, baunilha, avelã e café.

O brandy elaborado a partir de destilado vínico, presta uma homenagem ao produto que por muitos anos foi carro-chefe da vinícola, o Conhaque Presidente.

Para o ano que vem, podemos esperar outras novidades, pois nossa equipe enológica  realiza pesquisas constantemente para o desenvolvimento de produtos que venham a atender as necessidades de nossos consumidores. 

Espumante 100 anos

Tinto 100 anos

3-MC: A Salton pensa em investir na produção de vinhos ou uvas no nordeste ou em alguma outra região do país?

DS:A Salton adquiriu 700 hectares na região de Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul para o plantio de videiras. Ainda neste ano, planejamos plantar 30 hectares de uvas brancas Chardonnay para a elaboração de espumantes. Desde 2001, mantemos parceria com cerca de 35 produtores de Bagé  e Livramento por meio da qual a produção em cerca de 300 hectares é entregue, com exclusividade, à Salton. Quanto a região nordeste do país, em termos de elaboração de vinhos e uvas, não pensamos em investir. Nosso investimento naquela região está focado na apresentação de nossos produtos e aumento de nossas vendas.

  

 Capacidade para milhões de litros

  

4-MC: O brasileiro parece ter descoberto os espumantes, segmento que mais cresce no mercado nacional de vinhos. A Salton é a líder em espumantes. Qual foi a estratégia da empresa para conquistar as flutes do brasileiro?

DS: A estratégia adotada pela vinícola foi o investimento na qualidade de nossos produtos, desde o trabalho de plantio e colheita das uvas, o cuidado na elaboração, a tecnologia avançada e o esmero dos enólogos. Além disso, desenvolvemos campanhas de marketing, mostrando como essa nova vinícola foi capaz de realizar com sucesso todo esse trabalho em conjunto.

  

5-MC: O brasileiro ainda não é um grande consumidor de vinho, com menos de 2 litros per capita ao ano. A seu ver o que falta?

DS: O espumante brasileiro já é reconhecido como um dos melhores do mundo. Já os vinhos, mesmo tendo melhorado consideravelmente nos últimos anos, ainda enfrenta uma forte resistência do consumidor, que valoriza os produtos importados, dos quais, a grande maioria, possui qualidade duvidosa e preço baixo. Muitas pessoas ligadas ao mundo do vinho (sommeliers, enófilos e jornalistas especializados) em suas colunas não deixam de citar menções positivas sobre os produtos nacionais. Isso é altamente positivo, porque estas pessoas observam que o produto nacional em termos de qualidade está igual ou melhor a um importado, sejam estes vinhos brancos, tintos ou espumantes. Um dos fatores mais importantes para que o consumidor venha a preferir o produto nacional é maior divulgação da qualidade de nossos produtos através da mídia.

6-MC: O preço hoje é o maior obstáculo entre o brasileiro dos vinhos de qualidade?

DS: O preço hoje, em termos de mercado brasileiro, é muito dinâmico, possuindo diversas faixas de valor sendo disputadas por produtos nacionais e importados. Procuramos trabalhar com uma relação custo x benefício muito interessante, mas o que dificulta os custos finais de nossos produtos é a carga tributária injusta em relação aos importados. Podemos dizer que, mesmo assim, temos excelentes opções de bons vinhos na faixa de R$ 15 e R$ 25 e que atendem aos mais variados gostos.

  

7-MC: A imagem do vinho como produto de luxo e a linguagem exageradamente rebuscada de muitos jornalistas, enólogos e sommeliers afugenta o consumidor?

DS: De fato, a grande maioria dos consumidores não tem a vivência do linguajar do vinho que os jornalistas, enólogos e sommeliers possuem, o que acaba se tornado problemático para eles. A Salton possui, inclusive, um curso de degustação, cujo tema é “Descomplicando o mundo dos vinhos”. O objetivo deste curso é aproximar o vinho do consumidor comum, lhe apresentando informações uteis, como formas de armazenamento, temperatura e modo ideal de serviço, para que o produto não se torne um problema ou cause algum tipo de desconforto no momento de seu consumo.

  

8-MC: Em fevereiro deste ano eu apresentei vinhos brasileiros à imprensa internacional em Portugal. A repercussão foi muito boa. O Ibravin e a Wines From Brasil estão fazendo um belo trabalho e aos poucos começamos a exportar. Temos condições de oferecer volume/preço/qualidade para brigar por uma fatia do mercado internacional?

DS: Falando de Salton e mercado internacional, podemos dizer que nosso interesse, neste momento, é apenas promover a marca da vinícola, por isso não pensamos tanto em volume/ quantidade. Nossa preocupação maior é atender com qualidade os clientes que temos e os que estamos conquistando.

9-MC: Estamos às vésperas da entrada em vigor de um Selo Fiscal. Qual a posição da Salton em relação ao novo imposto?

DS: Nós somos favoráveis a esta medida, pois acreditamos que a mesma inibirá a entrada de vinhos por vias duvidosas. Além disso, entendemos que será mais um investimento que as vinícolas terão que fazer, mas que terá um retorno positivo.

Talento 

  

10-MC: Nestas 100 safras da Salton, qual o vinho que mais lhe marcou?

DS: Posso falar dos últimos 40 anos, pois vinhos anteriores a este período não tive a oportunidade de degustar. Para mim, o vinho que marcou uma mudança de posição da Salton no mercado nacional foi o Salton Talento safra 2002, primeira safra do produto, elaborado pelo Diretor Técnico Lucindo Copat e sua equipe de enólogos, e que deu início a uma nova década para a vinícola.

  

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br   

13/08/2010 – “10 motivos para gostar de vinhos brancos”

Thursday, August 12th, 2010

Por Marcelo Copello

Caros, acabo de chegar de uma longa e profícua viagem a Portugal, por 7 regiões em 10 dias  onde degustei mais de 700 vinhos. Este périplo é parte de um trabalho para a ViniPortugal de seleção dos “50 maiores vinhos de Portugal para o Brasil”. Estou realizando esta tarefa (que já me levou a provar cerca de 1.500 vinhos portugueses este ano) em conjunto com o crítico inglês Charles Metcalfe. O resultado será apresentado no Brasil em novembro, aguardem!  Por enquanto posso adiantar que uma das boas surpresas (foram muitas) que constatei nestas degustações foi a notável evolução dos brancos de Portugal, o que me fez resgatar um texto que publiquei a alguns anos na Gazeta Mercantil. Leiam abaixo:

Por vezes já ouvi a frase: “Não entendo muito de vinho, mas uma coisa eu já aprendi: vinho bom é vinho tinto”, o que é um lamentável equívoco. O pouco prestígio que os vinhos brancos ainda gozam no Brasil é um fenômeno incompreensível para a maioria dos produtores estrangeiros que nos visitam. Afinal, o país é majoritariamente tropical e os peixes, frutos do mar, frutas e saladas têm papel importante em nossa culinária. Hoje a oferta de brancos importados já é grande, com qualidade, preço atraente e diversidade. O consumidor já reconhece isso e aos poucos os caldos amarelos entram na moda, embora ainda exista muito preconceito. Esta “brancofobia” só pode ser entendida com uma analise do histórico da evolução do nosso mercado.

Nos anos 70, a mania foi o rosado português Matheus Rosé, frisante e semi-doce. Nos anos 80, dominaram os alemães e pseudo-alemães da garrafa azul, cuja intensidade do consumo foi inversamente proporcional à qualidade. Como conseqüência, associou-se qualquer vinho branco àqueles caldos açucarados intragáveis.

Hoje estão em voga os tintos super-encorpados, super-alcoólicos, super-madeirados e, muitas  vezes, também super-caros. Todavia, os verdadeiros amantes do nobre fermentado não se dividem em bebedores de vinhos tintos ou brancos. São apenas apreciadores de produtos de categoria. E esta não se exprime na cor do vinho e sim na qualidade intrínseca ao líquido, dentro de seu estilo.

A primazia dos tintos chegou ao extremo de motivar alguns os vitivinicultores brasileiros a arrancar vinhas de castas brancas para plantar tintas em seu lugar. Os rubros também contribuem com cerca de 80% do volume dos vinhos de mesa importados para o Brasil.

Outros fatores que explicam a preferência pelos tintos são: a pouca oferta de brancos nacionais de bom nível e a associação dos tintos à saúde.

Enumerei abaixo 10 motivos e dicas para você descobrir e melhor apreciar os vinhos brancos em geral:

1-Clima: o clima da maior parte do Brasil na maior parte do ano pede vinhos mais refrescantes, mais leves ao palato e a digestão e servidos a temperaturas mais baixas.

2-Saúde: Que nossa bebida favorita faz bem, sobretudo os tintos, sabemos. Mas isto não deveria ser um argumento para o abandono dos brancos. Não esqueçamos que o “paradoxo francês” (baixo índice de problemas causados pelo colesterol em um país de alto consumo de gorduras saturadas) vem da nação que produz os maiores brancos do mundo. Quem quiser uma justificativa para se conceder o prazer dos vinhos brancos, já tem: recentemente, cientistas do departamento de anatomia humana da Universidade de Milão, comprovaram que substâncias contidas nestes reduzem a tendência a doenças como artrite reumática e osteoporose.

3-Menor rejeição ao organismo: complementando o item anterior, os vinhos tintos são pura saúde para a maioria das pessoas, mas alguns infelizmente são sensíveis aos polifenóis e histaminas contidas em maior concentração nos tintos, sofrendo de alergias em enxaquecas. Para estas pessoas os brancos são a solução.  

4-Gastronomia: na hora de harmonizar vinhos e pratos os brancos são bem mais versáteis e combinam com uma gama muito maior de pratos. O tanino dos tintos pode ser um fator complicador pois pode “brigar” ou se sobrepor a uma série de ingredientes e receitas, o que não acontece com os brancos. Além de saladas, frutos do mar e doces, os brancos são o ideal com: aspargos, choucroute, cozinha chinesa, cozinha japonesa, cozinha tailandesa, curries, escargots, foie gras (escalope e terrine), rãs, e conforme a receita podem ser a melhor escolha para o risoto, pato, vitela e presento cru, por exemplo. 

5-”Queijos e Vinhos” e o Fondue: na hora do seu “queijos e vinhos” os brancos também são mais versáteis, pois combinam com uma gama muito maior de queijos. Para as receitas de fondue de queijo em geral os vinhos brancos estruturados e com boa acidez são os mais indicados, como um Riesling.

6-Serviço correto: apreciar um bom branco exige um serviço correto. Taças ovaladas são importantes para valorizar os aromas do vinho e a temperatura certa é fundamental, para que o vinho mostre seu frescor. Quem prova brancos quentes tem todo motivo para não gostar deles. Sirva: cerca de 6oC a 8ºC brancos doces (Sauternes, Moscato, Tokaj); de 8ºC a 10ºC brancos suaves e alguns brancos secos (Gewurztraminer, Vinho Verde, Muscadet, Vouvray, Sancerre, Orvieto, Chanin Blanc); de 10ºC a 12ºC para brancos mais secos (Borgonhas, Chablis,  Bordeauxs brancos, Jerez fino, Riesling, Soave, Verdicchio, Chardonnays e Sauvignon Blancs em geral), 12ºC a 14ºC para grandes brancos secos com mais idade.

7-Bom gosto e bom senso: o “bom gosto” a que nos referimos é ter o bom senso de servir o vinho adequado a cada ocasião, a cada prato e cada ambiente. Sabemos que ir de sobretudo à praia, por exemplo, ou dormir de smoking, ou ir de biquíni à opera no Theatro Municipal é um pouco fora do bom senso. Assim é com o vinho. Cada tipo de vinho tem seu momento, a sua hora. Para quem pede tinto sempre, independente do prato ou da ocasião, experimente um bom branco na hora certa e faça o teste.

8-Estilos: Existe uma ampla gama de vinhos brancos para vários paladares e várias ocasiões. Podem ser doces, meio-doces ou secos; florais, frutados, minerais, barricados (fermentados em madeira e portanto com aromas de baunilha, tostados etc); leves ou encorpados. Como exemplos de brancos leves podemos citar: Vinhos Verdes, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Torrontés e Chablis AOC. Alguns mais encorpados são: vinhos barricados (fermentados em madeira) em geral, Rieslings, Chardonnay, Alvarinhos (alguns são barricados), brancos do Rhône (Chateauneuf-du-Pape, Condrieu), Chablis Grand Cru.

9-Brancos de guarda: É verdade que como regra geral brancos não envelhecem, mas existem muitas exceções. Bordeaux de maior estirpe, Borgonhas e Chablis 1er Cru e Grand Cru, os melhores Rieslings de vários países, Sémillons australianos do Hunter Valley, diversos brancos portugueses, como os da casta Encruzado, são brancos que podem viver mais de uma década sem problemas e lhe dar grandes alegrias na hora de apreciá-los. Os vinhos doces em geral são bastante longevos e vivem décadas. 

10-A cara do Brasil: O vinho branco combina com não só com nosso clima mas também com o temperamento expansivo da população, o que sugere uma maior afinidade com a fragrância dos brancos do que com os tintos mais sérios e cerebrais. É um dos caminhos para o aumento de consumo desta bebida no Brasil.

11-Diversidade: sei que prometi apenas “10 motivos e dicas”, mas é sempre bom dar mais que o esperado e este 11º item é um “bonus track”. Um dos maiores encantos do vinho é sua diversidade. Normalmente quem gosta de vinho gosta de experimentar, está sempre em busca de novos sabores. Para quem só degusta tintos, continue a gostar dele, mas dê uma chance aos brancos, pois abdicar deles é abrir mão de uma grande parte da produção mundial desta bebida e de muitas descobertas e bons momentos.

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

06/08/2010 – “Champagne e Chopin”

Saturday, August 7th, 2010

Por Marcelo Copello

(texto publicado na edição de aniversário da revista Gosto)

Comemoro o 1º aniversário (de muitos) da revista Gosto homenageando um outro aniversariante, Chopin. Para este duplo-brinde o vinho não poderia ser outro, Champagne!  

O mundo celebra este ano o bi-centanário do nascimento do maior poeta do piano, arquétipo do artista romântico e meu compositor predileto. Champagne e Chopin partilham de vários traços semelhantes. São ao mesmo tempo populares e clássicos, simples e sofisticados. Ambos são essencialmente delicados, diretos, emocionais, sinceros e transcendem tecnicalidades.

 

Única foto conhecida de Chopin, já no fim da via

Em 1830, aos 20 anos de idade, Chopin mudou-se de Varsóvia para Paris. A cidade luz, que fervilhava culturalmente e transbordava de Champagne, adotou o jovem compositor, que em pouco tempo conquistou os salões da alta sociedade. A elegância pessoal de Chopin era notória. Alto e magro como uma flute, com seu suave gestual ao tocar, seu vestir impecável, sua educação refinada e sua ligação com a nobreza, ele criou uma imagem de dândi, que harmonizava com sua música. A indústria do Champagne sempre cultivou esta mesma atitude, consonante com o conteúdo das garrafas.

Assim como o Champagne só foi viável graças às garrafas mais grossas e vedação com rolhas amarradas, as composições de Chopin só foram possíveis com inovações em seu instrumento. Em 1821 Sébastien Érard patenteou um novo piano, com pedais e escapamento duplo (que permitia ágeis notas repetidas), recursos muito usados nas criações chopinianas. A maior contribuição de Chopin à história foi ter produzido música para os recursos do piano, ao invés de tentar tirar dele uma sonoridade orquestral. O mesmo se dá com o Champagne, que só alcançou sua grandeza quando os vinhateiros da região desistiram de produzir vinho tinto e dedicaram-se a fazer um blanc de noir com borbulhas.

Chopin era perito em improvisar. Sentava-se ao piano e deixava a centelha divina da criação fluir por seus dedos. No Champagne este raio de luz divino se expressa nos grandes millésimes, os Champagnes com safra, pura obra da natureza. Por fim, Champagne e Chopin são os enfants gâtés do vinho e da música. Chopin tem lugar à parte no coração dos pianistas, enquanto o Champagne goza de um carinho especial por parte dos discípulos de Baco. São raros os vinhos/compositores tão populares, durante tanto tempo, para um público tão diverso.

Para cada Champagne um Chopin

Chopin compôs em diferentes formatos, como noturnos, prelúdios, polonesas, valsas, improvisos e scherzos. O Champagne também se apresenta sob diversas formas e para cada uma sugerimos uma obra Chopin: 

Champagne NV ou sans anée, o Champagne sem safra, de festa, alegre e fresco. Para este que tal um Chopin em tom maior, de melodia ascendente, como a Grande Valsa Brilhante op. 18?  

Blanc de Noirs – feito unicamente com uvas tintas, Pinot Noir e/ou Pinot Meunier, normalmente estruturado e sério. Sugiro um Chopin firme, substancioso e patriótico, como a Polonaise Heróica, op. 53.

Blanc de Blancs - feito unicamente com a uva branca Chardonnay, normalmente mais delicado, elegante e aristocrático. Este será um bom momento para a perfumada e sofisticada Fantasia-Improviso op. 66.

Rosé – o Champagne cor de rosa, com o charme de sua cor, maior cremosidade e versatilidade à mesa. Porque não um Chopin irresistivelmente popular e untuoso, como o Noturno op. 9 nº 2?

Dosage Zero ou Nature– sem açúcar, totalmente seco. Pureza, força, complexidade, expressão mais clara de seu terroir (sem a “maquiagem” do açúcar), são qualidades inerentes a um bom Nature. Experimente com a Baladas nº 1, dramática, poderosa, complexa, uma seqüência de estados psicológicos.   

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Curso Básico com Marcelo Copello

Wednesday, August 4th, 2010

Data – 16/08, 23/08 e 30/08 – 2as feiras
Hora – de 19:30 às 22:30 (às 19:30 recebemos os pontuais com espumantes e às 20:00 começamos)
Local – Eccellenza Pizzaria (Rua Visconde de Caravelas 121 – Botafogo, manobristas no local) 

TRAGA UM AMIGO E GANHE UMA GARRAFA DE VINHO*

 

Programa

AULA 1

Boas vindas com espumantes

  • O vinho, o enólogo, o sommelier e o enófilo
  • O Vinho no tempo e no espaço (A História do Vinho)
  • Do terroir à uva – a videira e a vitucultura
  • Da uva ao vinho – a elaboração dos vinhos tintos, brancos e rosados
  • O vinho e a saúde

Menu – Cornicione de Zahtar, Pizza Lilla (pela chef Ciça Roxo), Pizza Favorita, Pizza Cipolla, sorvete Romeo & Julieta e café expresso.

AULA 2

Boas vindas com espumantes

  • Quanto mais velho melhor?
  • Por que a safra é tão importante
  • A adega, como conservar as garrafas?
  • Para que serve a rolha e a garrafa (mesmo!)
  • Como não pagar mico no restaurante
  • O serviço do vinho (prática)
  • A temperatura (ambiente?)
  • Copos
  • Sucessão de vinhos à mesa

Menu -Cornicione de Flor de Sal e Alecrim, Pizza Magistrale, Pizza Margherita di Capra (pelo chef Reinaldo Pires/ Cremerie Genève), sorvete de Brownie e café expresso.

AULA 3

Boas vindas com espumantes

  • A diferença entre degustar e engolir (noções de degustação técnica)
  • Termos para tirar onda sem blefar
  • Como combinar comida e vinho (noções de harmonização)
  • Como comprar vinho sem levar gato por lebre
  • Provendo sua adega

Menu – Cornicione de pesto de manjericão, Pizza Calabreza, Pizza Favolosa (pela chef Andréa Tinoco), Pizza Ghiotta, sorvete de tapioca com calda de goiaba e café expresso.

Após cada aula serão servidos vinhos.

Ao final da ultima aula será servido um vinho surpresa às cegas, revelado depois no Blog de Marcelo Copello, com sorteio de brindes aos que acertarem.

Todos os participantes recebem material didático e certificado.

Preço: R$ 335,00 até o dia 11/08, após R$ 435,00
Vagas limitadas a 20 pagantes

Reservas*:
Com Andréa ou Lourdes no local ou pelo tel: (21) 2285-6087
Ou
Com Renata no tel.: (21) 3507-0337 ou pelo email marketing@mardevinho.com.br

Obs:

Não repomos aulas perdidas nem reembolsamos valores pagos.

Datas e programas sujeitos a alteração.

Todos os eventos realizados na Escola Mar de Vinho são para maiores de 18 anos.

*Promoção válida para os 6 primeiros inscritos que trouxerem um amigo

30/07/2010 – “Vinho & Canibalismo”

Thursday, July 29th, 2010

Por Marcelo Copello

O antigo e prolífico casamento entre o cinema e a enogastronomia gerou muitos filhos. Alguns nasceram belos e saudáveis, como o clássico “A Festa de Babete” (Babette’s Feast, Dinamarca, 1988) ou o hilário “Sideways – Entre umas e outras” (Sideways, EUA, 2004). Outros são  gauche, ovelhas negras, como “O Silêncio dos Inocentes” (The Silence of the Lambs, EUA, 1991).

Esta história de crime e horror, estrelada por Jodie Foster e Anthony Hopkins, contém a harmonização mais insólita da história do cinema. Hopkins interpreta o Dr. Hannibal Lecter, um serial killer canibal. Nunca aparece de fato vinho no filme, mas há um momento em que Lecter diz: “A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice Chianti.” (Um censor tentou uma vez me testar. Eu comi o fígado dele com favas e um bom Chianti). Ao dizer isso o canibal faz com a boca um som sibilante, como se estivesse sugando vinho. Esta é a cena mais inesquecível do filme e nos remete à densa simbologia do fígado.

Várias culturas em várias épocas atribuíram ao fígado significados filosóficos ou ditos populares, como “ficar verde de raiva”, “de maus fígados” (genioso), “desopilar o fígado” (ficar de bom humor) ou “vou comer o seu fígado”. Para Platão enquanto o coração guarda a coragem, o fígado seria a sede dos desejos, do amargor e da alegria. Para o pensador grego o fígado é uma espécie de espelho liso capaz de refletir a razão. Segundo Cervantes, Dom Quixote estava enamorado de Dulcinea “hasta los hígados” (até os fígados”). Na medicina tradicional chinesa a sede da alma está no fígado, que seria a usina forças do organismo. Nesta mesma China antiga, era costume comer o fígado do inimigo derrotado em batalha para assim assimilar sua coragem.

Inspirado pela carga cultural do fígado e como estudioso dos vinhos me achei na obrigação de testar a harmonização proposta no filme. Como infelizmente não havia nenhum inimigo se oferecendo como doador do órgão, o sacrifício foi de um boi.

Antes de escolher os vinhos conversei com dois renomados Sommeliers. Para Manoel Beato do Fasano “o fígado é solução para os vinhos do Novo Mundo” e o ideal seria usar vinhos macios e alcoólicos. O bi-campeão brasileiro de Sommeliers Guilherme Côrrea concorda com Beato e sugere, para toque de amargor do fígado, um vinho “quente”, o Chateau la Bastide Optime 2006 (Corbières, sul da França).

Optei por três vinhos, um Chianti, o Corbières e um Amarone. Poucos sabem, mas no romance que inspirou o filme (“The Silence of the Lambs” de Thomas Harris, 1988) o canibal cita ao invés do Chianti o grande vinho do Veneto.   

Provei os vinhos antes do prato. Pèppoli Chianti Classico 2005, Antinori , Toscana-Itália (Wine Brands). 90% Sangiovese, 10% Merlot e Syrah. Um Chianti bem moderno, frutado, mostrando amoras e ameixas, baunilha, sottobosco, café, de médio a bom corpo, já pronto, com taninos doces macios, com o toque nervoso da Sangiovese. Nota 89 pontos.

Chateau la Bastide l´Optime 2006, Corbières, Languedoc (Decanter). 80% Syrah e 20% Grenache, 12 meses em barricas. Vermelho rubi com reflexos granada, aromas de especiarias, pimenta, frutas bem maduras, vegetal de musgo, paladar de bom corpo, macio, quente e redondo, totalmente pronto. Nota 88 pontos.

Amarone 2005, Allegrini, Veneto-Itália (Grand Cru). 80% Corvina, 15% Rondinella e 5% Oseleta. Vermelho rubi muito escuro. Aroma intenso típico dos amarones (resina, fruta doce, ameixa passas), com toques de madeira nova, torrefação, chocolate, café, paladar volumoso, quase doce, com 15% de álcool, muito macio e muito longo, com taninos doces ainda bem presentes. Nota 91 pontos.

Ao se confrontar com o fígado (um bife acebolado) o Chianti sentiu o amargor da carne e mostrou um lado rústico, que não lhe caiu bem. O Amarone sofreu um efeito quase oposto, sobrepôs-se ao prato, embora tenha ficado muito bem. O enlace mais harmônico foi do vinho com a menor nota. O casal l´Optime-fígado superou todas as minhas expectativas, ficou simplesmente perfeito! As partes cresceram quando unidas, anulando seus pontos fracos: a pouca acidez do vinho se apoiou no amargor hepático, que se tornou quase elegante.

 

23/07/2010 – “A diversidade do Alentejo”

Thursday, July 22nd, 2010

Por Marcelo Copello

Antes de continuar a viagem ao Alentejo, iniciada semana passada, um lembrete importantíssimo. Entre os dias 2 e 6 de agosto acontece o 3º Decanter Wine Show, que este ano reúne 73 produtores de 13 países, que apresentarão cerca 450 vinhos. É absolutamente IMPERDÍVEL, pois trata-se de uma grande oportunidade de conversar com protagonistas do mundo do vinho e provar rótulos TOP. Anote:

  • 02 de Agosto – Rio Janeiro – Hotel Sofitel
  • 03 e 04 Agosto – São Paulo – Hotel Gran Hyatt
  • 05 de Agosto – Belo Horizonte – Buffet Catarina
  • 06 de Agosto – Florianópolis – Majestic Palace Hotel

Ingresso a R$ 180,00, com venda apenas antecipada, pelos telefones: Blumenau (47) 3326-0111; São Paulo Tel. (11) 3073-0500; Belo Horizonte Tel. (31) 3287-3618; Florianópolis (48) 3223-1500 e Rio de Janeiro Tel. (21) 2286-8838.

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De volta ao Alentejo…

…mergulhamos em sua diversidade. A variedade da região, que ocupa um terço de Portugal, se expressa primeiro em sua riqueza natural. Os terroirs aqui são fruto de incontáveis combinações de climas continentais, de influência marítima, de montanha, de planície, com solos que vão da argila ao xisto, passando por granito, calcário, gesso e mármore.

Quinta do Carmo 

Outro aspecto importante é a multiplicidade de estilos dos vinhos da região, que conseguem abranger e unir as 3 grandes correntes presentes em Portugal: o estilo Novo Mundo, o estilo Velho Mundo e a escola clássica portuguesa. Isso fica evidente quando analisamos os usos dos diferentes tipos de madeira. O carvalho americano foi a primeira referência nos vinhos do Alentejo e dominou as preferências no final dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, pois o modelo seguido era o do Novo Mundo, talvez por influência de consultores australianos, como David Baverstock, da Herdade do Esporão. A madeira francesa aos poucos foi conquistando espaço, enquanto o carvalho português, que nunca deixou de ser usado, tinha fortes adeptos, como João Portugal Ramos. Hoje os três estilos e os três tipos de madeira convivem lado a lado e enriquecem o patrimônio enológico alentejano.

 Continuando o relato da semana passada, sobre a recente visita que fiz a região, chegamos a alguns produtores emblemáticos e outros que se revelaram como ótimas novidades. Vejamos:

Dona Maria

A Quinta do Carmo, hoje sede da Dona Maria Vinhos e residência de seu proprietário, Júlio Bastos (JB), foi palco de importantes capítulos da história do vinho alentejano. Localizada a 1km da cidade de Estremoz, a belíssima quinta do século XVIII foi presente de D. João V a uma amante,  Dona Maria, que batiza o vinho hoje aqui produzido. A propriedade ficou conhecida como “Quinta do Carmo”, pois em 1752 foi construída aqui uma capela consagrada a Nossa Senhora do Carmo.

Quinta do Carmo

Nesta propriedade se faz vinhos desde o século XIX, mas foi no final dos anos 1980 que JB fez fama com os vinhos da Quinta do Carmo. Já tive oportunidade de provar seus Garrafeiras de 1986, 1987 e 1988, que ainda hoje estão excepcionais. Estes vinhos eram produzidos a partir de um magnífico vinhedo centenário de alicante bouschet. Nesta visita caiu do céu em minha taça um Garrafeira 1986, leia mais adiante.

Em 1992 JB vendeu 50% de sua empresa para a Domaines Barons de Rothschild (Lafite), negócio do qual muito se arrepende. Os franceses, almejando fazer um vinho bordalês no Alentejo,como primeira medida plantaram cabernet sauvignon e arrancaram o maior patrimônio da empresa, as vinhas velhas de alicante bouschet. O fato é, sem dúvida, uma das maiores asneiras da história do vinho.

Em 2000 JB decidiu vender sua parte e sair da sociedade, perdendo a marca “Quinta do Carmo” (que hoje pertence ao empresário Joe Berardo), mas mantendo a quinta propriamente dita e os poucos hectares que restaram das famosas vinhas de alicante bouschet. Eram 80 hectares, hoje restam apenas 2, que JB está ampliando, replantando o mesmo clone. Na histórica propriedade ele instalou seu novo projeto, chamado de “Dona Maria”, que chegou ao mercado na safra de 2003.

Sobre a Dona Maria Vinhos poso dizer que uma empresa nova de um experiente produtor, com vinhos excepcionais, que deverão ficar ainda melhores. Provei várias amostras de barrica da safra de 2009, de touriga nacional, cabernet sauvignon, petit verdot e alicante bouschet, que estão simplesmente FANTASTICOS! Vejamos alguns dos destaques das provas dos vinhos engarrafados:

Dona Maria Rosé 2009. Elaborado com 60% aragonês e 40% touritga nacional, com 3,7 gramas de açúcar residual. Cor entre pêssego e salmão, muito claro e brilhante. Aromas frescor e elegantes, com florais de violetas, tutti fruti, melancia, banana, rosas, especiarias. Paladar levíssimo e delicado, seco e macio, muito fresco, 12,5% de álcool, em um estilo que lembra mais Provence que Alentejo. É um vinho delicado, procure sempre comprar com no máximo 2 anos de idade, o 2008 provado já dá sinais de cansaço. Um dos melhores rosés do país. Nota: 87 pontos

Amantis tinto 2005. Elaborado com 30% syrah, 30% petit verdot, 30% cabernet sauvignon e 10% touritga nacional, amadurece 1 ano em barricas novas francesas. Rubi escuro com reflexos violáceos. Arma intenso de fruta negra madura, madeira aparece bastante, bem casada, chocolate, especiarias, baunilha, violeta. Paladar concentrado, com bom meio de boca, taninos doces ainda presentes, 14,5% de álcool. Estilo mais internacional. Nota: 88 pontos

Dona Maria Reserva 2005. Elaborado com 50% alicante bouschet, syrah e petit verdot, pisado a pé em lagares, amadurece 1 ano em barricas 70% francesas e 30% americanas. Rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma complexo e concentrado, um bloco bem integrado de frutas, madeira, especiarias, chocolate amargo, ameixa, muito mineral, toque fumé. Paladar concentrado e austero, estruturado por taninos rijos, secos, sérios, 14,5% de álcool, a acidez muito boa forma um conjunto equilibrado de muita persistência gustativa. Para guarda. Nota: 93 pontos

Julio B Bastos Alicante Bouschet 2004. Elaborado 100% com alicante bouschet de vinhas velhas, pisado a pé em lagares, amadurece 14 meses em barricas novas francesas. Rubi-granada muito escuro, opaco. Aroma austero e ainda fechado, frutas negras maduras em bloco, geléias, musgo, tabaco, chocolate, muitas especiarias, alcaçuz, canela, defumados, mineral terroso, ervas maceradas. Paladar imponente, de grande volume, boa acidez, 14,5% de álcool, taninos monumentais e ainda assim muito equilibrado e elegante. Foi decantado 3 horas antes da prova e ainda estava fechado, recomendo abrir entre 2014 e 2024. Uma bela homenagem a Julio Bandeira Bastos, pai do proprietário. Nota: 94 pontos

Quinta do Carmo Garrafeira 1986. Elaborado com alicante bouschet, castelão e trincadeira, pisado a pé em lagares. Um vinho impressionante do início ao fim, desde a cor, densa e ainda muito escura, granada com os primeiros reflexos alaranjados. No nariz é potente, com evidente evolução, mas sem nenhum sinal de cansaço, demonstrando estar no início de sua vida madura, com frutas secas, eucalipto, chocolate, mineral terroso, tabaco, cedro, muitas especiarias. Paladar volumoso e incrivelmente vigoroso para sua idade, gordo e profundo. Em sua plenitude. Nota: 96 pontos

 

Vinho safra TIPO NOTA
Dona Maria 2008 Branco 83
Dona Maria 2009 Branco 84
Dona Maria 2008 Rosé 85
Dona Maria 2009 Rosé 87
Amantis 2008 Branco 86
Dona Maria 2006 Tinto 85
Dona Maria 2007 Tinto 87
Amantis 2005 Tinto 88
Amantis 2006 Tinto 87
Dona Maria Reserva 2005 Tinto 93
Dona Maria Reserva 2006 Tinto 92
Julio B Bastos Alicante Bouschet 2004 Tinto 94
Quinta do Carmo Garrafeira 1986 Tinto 96

 

Quinta do Mouro

Nunca poupei elogios à Quinta do Mouro. Considero o “Quinta do Mouro Rótulo Dourado” não apenas um dos melhores vinhos do Alentejo, mas de todo o país. No time dos grandes vinhos portugueses este é talvez o mais subestimado e desconhecido no Brasil. A propriedade pertence a Miguel Louro, que tem fama de excêntrico, e a seu filho Luis, que contam com a consultoria enológica do craque Luis Duarte. O estilo dos vinhos é bem distinto, nadando contra a corrente de modernidade alentejana, fincando caráter sério profundamente no velho mundo. As vinhas não são irrigadas (caso raro no Alentejo), as uvas são pisadas em lagares, são utilizadas barricas de carvalho francês e português e o caráter dos vinhos é sério e sem concessões.

Quinta do Mouro 2005. Elaborado aragonês, alicante bouschet, touriga nacional e cabernet sauvignon. Cor retinta, quase roxa, viva. Aroma de fruta madura, doce, bem delineada, com bom frescor, cerejas negras, chocolate, toque mineral de xisto, toque floral. Paladar estruturado e compacto, taninos sérios, secos e firmes, nota-se a presença da touriga nacional no nariz e a alicante boushet e cabernet sauvignon nos taninos. Nota: 92 pontos

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005. Elaborado aragonês, alicante bouschet e cabernet sauvignon, amadurece 18 meses em barricas 100% novas de carvalho francês. Este é o topo de gama da casa, feito apenas nos melhores anos. Cor violácea e opaca com reflexos granada. Aromas complexo, fruta negra densa, amalgamada com madeira em perfeita integração, muitas especiarias doces e picantes, menta. Paladar volumoso e sólido, de grande equilíbrio, com taninos sérios, boa acidez, ótima persistência gustativa, com profundidade de aromas e sabores. Dá a impressão de ter mais alicante bouschet que a safra anterior. Para mais 10 anos de guarda. Maravilhoso. Nota: 95 pontos

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007. Ainda uma criança, novo e fechado, com perfil mineral bem mais evidente que em outras safras, mais acidez e elegância que o 2005 (o 2005 é mais volumoso). Outro grande Rótulo Dourado, que mal começou sai vida, para ao menos mais 10 de guarda. Nota: 95 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Vinha do Mouro 2007 Tinto 84
Casa dos Zagalos Reserva 2006 Tinto 87
Quinta do Mouro 2005 Tinto 92
Quinta do Mouro Cabernet Sauvignon 2007 Tinto 87
Quinta do Mouro Touriga Nacional 2006 Tinto 88
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2002 Tinto 91
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005 Tinto 95
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2006 Tinto 91
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007 Tinto 95

 

Monte dos Cabaços

Eu não visitava Margarida e Joaquim Cabaço desde 2004. O casal é proprietário do reputado restaurante São Rosas, uma referência de boa gastronomia em Estremoz. A marca Monte dos Cabaços foi lançada em 2004 (com a safra 2001) e já na neste primeiro ano o “Monte dos Cabaços 2001” foi pra a minha lista de “Top 100 Melhores de 2004”. O mesmo se deu quando chegou ao mercado o “Monte dos Cabaços branco 2005”, que está em meus “Top 100 Melhores de 2006”. Hoje quem está na direção técnica da casa é a enóloga espanhola

Susana Esteban (ex-Quinta do Crasto), e o que era bom melhorou. Confesso que não acho o mais correto analisar vinhos durante a refeição, pois há muitas interferências nos aromas e sabores, mas sendo no São Rosas, fiz um agradável esforço. A visita foi rápida, mas deu tempo de provar amostras de um excepcional alicante bouschet  com um finesse incomum (ainda em barricas) e o Monte dos Cabaços Reserva 2007 que deverá ser arrebatador (ainda em inox).    

Monte dos Cabaços branco 2008. Elaborado com antão vaz, arinto e roupeiro. Amarelo esverdeado brilhante. Aroma delicado, fresco, cheio de nuanças, toque cítrico, florais e minerais. Paladar leve e macio, com boa acidez, boa complexidade elegante e com potencial para 3-4 anos de guarda. Nota: 86 pontos

Monte dos Cabaços Reserva 2005. Elaborado com touriga nacional, alicante bouschet, cabernet sauvignon e syrah, estagiado 12 meses em barricas novas francesas. Vermelho rubi muito escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso e complexo, com frutas negras maduras, chocolate amargo, especiarias picantes, mineral terroso. Paladar sério, austero, estruturado por bons taninos, secos e ainda nervosos. Perfil gastronômico, com força e elegância. Excelente. Nota: 92 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Monte dos Cabaços 2008 Branco 86
Margarida 2008 Tinto  89
Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2005 Tinto  88
Monte dos Cabaços Reserva 2005 Tinto 92

 

Terrenus

Este é um projeto pessoal de Rui Reguinga, enólogo consultor de vários produtores em diversas regiões de Portugal, como Alentejo, Dão, Lisboa, Tejo, Península de Setúbal, além de projetos na Argentina. Aqui Reguinga caprichou e acertou a mão, usando vinhas velhas da Serra de São Mamede, no norte do Alentejo, sub-região de Portalegre, nordeste do Alentejo. O Terrenus Vinhas Velhas é um vinho excepcional, de classe mundial.  

Terrenus branco 2008. Elaborado com arinto, fernão pires e oupeiro, 13,5% de álcool Amarelo palha claro e brilhante, com reflexos dourados. Aromas de bom ataque e boa complexidade, com cítricos que lembram lima e limão, madeira discreta, frutas tropicais maduras, toques florais e minerais. Paladar de bom corpo, boa cremosidade, macio e fresco, longo, elegante e de boa profundidade. Nota: 88 pontos

Terrenus Vinhas Velhas 2007. Elaborado com aragonês, trincadeira, alicante bouschet e grand noir, de vinhas de mais de 80 anos, fermentadas em cubas tronco-cônicas e em lagares, amadurecido 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Vermelho rubi violáceo escuro. Aroma intenso e complexo, com bom frescor, madeira bem presente, notas de caramelo, chocolate, tostados, tabaco, frutas vermelhas e negras bem maduras, toques minerais muito elegantes. Paladar muito bem proporcionado, com bom corpo, 14% de álcool, taninos muito finos, boa acidez, longo, tem finesse e potencial para guarda. Excepcional. Nota: 94 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Terrenus branco 2008 Branco 88
Terrenus Vinhas Velhas 2007 Tinto 94

 

Altas Quintas

 Também em Portalegre está o projeto Altas Quintas, parceria do produtor João Lourenço com o enólogo-consultor Paulo Laureano. Os 48 hectares de vinha da propriedade (de um total de 256 ha) desfrutam de um terroir único, a 600 metros de altitude, com muito xisto e granito, na encosta da Serra de São Mamede.  A adega é digna de um alquimista como Paulo Laureano, com tudo de bom, como lagares de granito, cubas de inox, fudres (recipientes de grande capacidade) de carvalho francês da Seguin Moreau, tanques de fermentação Vinimatic, tudo com temperatura controlada. O projeto é baseado em castas autóctonas, com destaque para o “trio-alentejano” aragonês, trincadeira e alicante bouschet, e outras como verdelho, arinto, alfrocheiro, syraz e cabernet sauvignon. Ao final da prova a impressão geral é de vinhos muito expressivos e imponentes, mas onde me agradaria ver um pouco menos de extração e madeira, talvez tempo de garrafa ajude.

Adega Altas Quintas

Paulo Laureano

Crescendo 2007. Elaborado com trincadeira, aragonês e alicante bouschet, com 12 meses de estágio em barricas francesas e americanas. Vermelho rubi muito escuro com reflexos violáceos. No nariz é intenso e complexo, com muita madeira na frente, e notas vegetais de de musgo, tostados, passas, balsâmicos. Na boca tem bom corpo, taninos doces, macios, prontos, é carente de acidez, curto deixando aromas de madeira no fim de boca. Falta acidez e frescor e sobra madeira. Nota: 82 pontos

Altas Quintas Mensagem de Trincadeira 2007. 100% trincadeira, elaborado apenas em bons anos para esta castra, fermentado em carvalho. Rubi escuro, violáceo. Aroma muito expressivo, com muita madeira na frente, ervas maceradas, pimentão, couro novo, passas. Paladar de bom corpo, taninos doces, acidez discreta, equilíbrio pende para a maciez, persistência média. Nota: 86 pontos

Altas Quintas 2006. Elaborado com trincadeira, aragonês e alicante bouschet, fermentado em barricas novas francesas onde permanece 6 meses. Vermelho rubi muito escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso, com madeira presente, mas menos que os anteriores, toques vegetais de tabaco e musgo, chocolate, couro novo, flores, toques balsâmicos. Paladar de bom corpo, 14,5% de álcool, bom equilíbrio, madeira aparece na boca, acidez melhor que os anteriores mas ainda discreta. Nota: 83 pontos

Altas Quintas Reserva 2005. Elaborado com trincadeira, aragonez e alicante bouschet, fermentado em fudres de carvalho francês com posterior amadurecimento de 16 meses em barricas novas francesas. Na cor é uma tinta negra. Aroma fino e potente, fruta mais fresca que os demais e mais bem delineada, geléias, toque de mentol, ervas maceradas, especiarias. Paladar de bom corpo, taninos estruturados, 14,5º de álcool, a madeira aparece na boca, persistência cai um pouco no final. Precisa de tempo de garrafa. Nota: 87 pontos

Obsessão 2004. Elaborado 85% alicante bouschet e 15% trincadeira, fermentado em fudres de carvalho francês com posterior amadurecimento de 20 meses em barricas novas francesas. Muito escuro, opaco. Nariz intenso e complexo, de fruta doce compacta, muita madeira, vegetal de musgo, tabaco, tostados, mineral terroso, toque lácteo e de mentol. Paladar volumoso, uma massa de taninos, longo com rastro de  madeira fica no fim de boca. Precisa de tempo de garrafa, talvez 5 ou 10 anos, mas não sei se tem acidez tanto. Nota: 89 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Crescendo 2007 Tinto 82
Altas Quintas Mensagem de Trincadeira 2007 Tinto 86
Altas Quintas 2006 Tinto 83
Altas Quintas Reserva 2005 Tinto 87
Obsessão 2004 Tinto 89

 

Gloria Reynolds

A família inglesa Reynolds está em Portugal desde 1820, inicialmente ligada ao comércio do vinho do Porto, posteriormente na indústria de cortiça e outros negócios. Em 1998, Julian Reynolds retomou a veia vínica da família ao comprar a Herdade da Figueira de Cima, uma propriedade de 200 hectares no Alentejo, para lançar um vinho em homenagem a sua mãe, Gloria. Seus  40 hectares de vinhedos na sub-região de Portalegre, aos pés da Serra de São Mamede, desfrutam de solos xistosos e clima continental. A vinícola é moderna, equipada com fudres de carvalho francês Seguin Moreau e fermentações a frio. Confesso que gostei mais dos brancos, achei os tintos promissores, mas um pouco carregados na madeira e na extração.

Julian Reynolds 2008. Elaborado com arinto de vinhas velhas em solo de xisto, sem passagem por madeira. Amarelo esverdeado claro e brilhante. Tem um perfil que lembra um sauvignon blanc neozelandês, cítrico, com frutas tropicais, manga, maracujá, abacaxi. Paladar de médio corpo, com acidez crocante, 14% de álcool, boa textura, delicioso, o vinho que pessoalmente mais me agradou na casa. Nota: 87 pontos

Glória Reynolds 2007. 100% Antão Vaz, fermentado em barricas novas de carvalho francês onde permanece 8 meses. Amarelo palha com reflexos dourados, brilhante. Nariz intenso com madeira na frente, amanteigados, fruta muito madura, geléia de abacaxi, toque mineral. Paladar de bom corpo, untuoso, longo e estruturado por boa acidez. Um pouco carregado na madeira, precisa de tempo de garrafa. Nota: 87 pontos

Julian Reynolds Reserva tinto 2005. Ainda não lançado, 50% alicante bouschet, 25% aragonês e 25% trincadeira, amadurece 12 meses em carvalho francês. Aroma intenso com madeira na frente, passas, chocolate, baunilha, toques florais. Paladar de bom corpo, taninos doces, longo. Estilo um pouco comercial demais, falta estrutura para toda a madeira que usaram. Nota: 84 pontos

Glória Reynolds tinto 2004. 70% alicante bouschet e 30% trincadeira,fermenta em fudres de carvalho e amadurece 24 meses em barricas novas francesas. Rubi muito escuro com reflexos granada. Aroma intenso com boa complexidade, madeira domina, com chocolate, caramelo, geléias, florais. Paladar volumoso, concentrado, taninos doces, bem presentes, com madeira aparecendo bastante na boca. Tem classe, mas poderia tem um pouco menos de madeira, precisa de tempo de garrafa. Nota: 88 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Julia Reynolds 2008 Branco 87
Glória Reynolds 2007 Branco 87
Julian Reynolds Reserva 2005 Tinto 84
Glória Reynolds tinto 2004 2004 Tinto 88

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

16/07/2010 – “Baixo Alentejo, alta qualidade”

Thursday, July 15th, 2010

Por Marcelo Copello

Em meu primeiro livro, ao relacionar as principais regiões produtoras de Portugal simplesmente não mencionei o Alentejo. Meu primogênito “O Vinho para quem tem Estilo”, lançado em 2000, começou a ser escrito em 1997, mesmo ano da inauguração da vinícola João Portugal Ramos, produtor emblemático da região. A coincidência na data ilustra bem a virada do vinho alentejano. Em pouco mais de uma década o Alentejo saiu de uma posição de desconhecido pelo mundo à líder entre os vinhos portugueses (no Brasil e em Portugal).      

Todo este sucesso não veio por acaso, além da óbvia melhora na qualidade do que vai dentro da taça, o entorno nunca foi esquecido, já que a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) promove ações de marketing no Brasil há 19 anos. Hoje “Alentejo” é mais que um nome, tornou-se uma marca, reconhecida como indicação de qualidade e tipicidade. 

Pois a escalada alentejana continua. Pude comprovar em recente visita a região que mais alguns degraus foram galgados. Visitei onze produtores e provei mais de uma centena de vinhos. A constatação é clara: me vi conferindo notas altas usando adjetivos como “elegância”, “complexidade” e “profundidade”, que me dizem que o Alentejo já faz vinhos de classe mundial, em uma gama diversa de estilos, muito além do estereótipo de vinhos fáceis, frutados e encorpados. Desta vez passaram por minha taça vinhos menos enjoativos, menos “jammy”, com menos madeira, melhor acidez e mais frescor que no passado. Vejamos alguns destaques das provas que fiz, começando no Baixo Alentejo:   

Malhadinha

A Herdade da Malhadinha Nova é um das melhores novidades surgidas no Alentejo nos últimos anos. A propriedade, localizada em Albernoa, no baixo Alentejo, engloba bons vinhedos em solos xistosos, adega e uma belíssima pousada/spa. O comando técnico está a cargo do enólogo consultor Luís Duarte, um dos mais requisitados da região. Duarte mescla castas autóctonas com as estrangeiras Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay. Vamos aos destaques e a tabela de notas:

Cabernet Sauvignon da Peceguina 2008. Recém engarrafado, com ótima tipicidade da casta, concentrado, taninos muito bons, presentes, nervosos, boa acidez, ainda novo e fechado, com ótimo potencial. Nota: 90 pontos

Pequeno João 2008. Elaborado Syrah, Touriga Nacional (predominantes) e Aragonês, com 12 meses em barricas francesa novas, 14,5% de álcool. Vermelho rubi violáceo muito escuro. Aromas em bloco, um amálgama de frutas negras maduras, madeira de boa qualidade bem integrada, toque lácteos (engarrafado a pouco tempo), floral (violetas), especiarias picantes e doces, chocolate amargo. Paladar estruturado, taninos doces e vigorosos, boa acidez, longo, com potencial para guarda. Nota: 91 pontos

Malhadinha Matilde 2008. Elaborado com Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional, com 14 meses em barricas francesa novas, 14,5% de álcool. Vermelho rubi violáceo muito escuro. Aroma denso e intenso, com boa fruta, negra, madura, toque mineral elegante. Paladar de bom corpo, taninos ainda nervosos, jovens, boa profundidade. Menos concentrado, mas com melhor acidez que o 2007, deve evoluir muito bem em garrafa, talvez até melhor que o 2007. Nota: 92 pontos

Malhadinha Matilde 2007. Elaborado com Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional, com 14 meses em barricas francesas novas, 14,5% de álcool. Vermelho rubi violáceo muito escuro. Aroma compacto e expressivo, com frutas negras maduras, geléias, toque de frescor de ervas, eucalipto, madeira de qualidade aparece bem. Paladar encorpado, com bons taninos, bem presentes e aveludados, boa acidez que lhe dá elegância e equilíbrio. Mais concentrado que o 2008. Vinho excepcional, ao mesmo tempo moderno, elegante e gastronômico, um dos melhores provados nesta viagem Nota: 94 pontos

Marias da Malhadinha 2007. Elaborado com Aragonês, Alicante Bouschet (predominantes) e Cabernet Sauvignon, com 26 meses em barricas francesas novas, 14,5% de álcool. Foi o mais escuro, encorpado e mais complexo da prova. Vermelho rubi violáceo muito escuro, com fruta negra mais doce, madeira bem tostada, amêndoas torradas, chocolate, couro novo, mineral terroso. Paladar volumoso, estrutura tânica notável, com toque de rusticidade, mais Velho Mundo, um toque de acidez volátil, acetona, madeira aparece bastante no nariz e na boca. Um vinho robusto, ainda precisa de tempo de garrafa, para longa guarda. Nota: 93 pontos

Vinho Safra Tipo Nota
Monte da Peceguina 2009 Branco 83
Antão Vaz da Peceguina 2009 Branco 86
Malhadinha Nova 2008 Branco 89
Rosé da Peceguina 2009 Rosé 81
Monte da Peceguina 2008 Tinto 84
Touriga Nacional da Peceguina 2008 Tinto 89
Aragonês da Peceguina 2008 Tinto 86
Cabernet Sauvignon da Peceguina 2008 Tinto 90
Pequeno João 2008 Tinto 91
Malhadinha Matilde 2008 Tinto 92
Malhadinha Matilde 2007 Tinto 94
Marias da Malhadinha 2007 Tinto 93

 

Herdade dos Grous

Também localizada no Baixo Alentejo, em Albernoa, a Herdade dos Grous, é outro dos novos projetos alentejanos que merecem holofotes. A moderna adega agrega tradicionais lagares (com temperatura controlada) com tecnologia recente, como movimento por gravidade e salas refrigeradas para fermentação em barricas. Os vinhos são elaborados em três linhas, colheita, reserva e os especiais “23 Barricas” e “Moon Harvested”. Quem dá as ordens aqui é também o onipresente Luis Duarte, sócio do empreendimento. Fiz uma ótima prova que incluiu uma vertical com todas as safras do vinho principal, o Reserva. Vejamos os destaques:

Herdade dos Grous Reserva branco 2009. Elaborado com Antão Vaz, Verdelho e Viognier, fermentado em barricas. Amarelo palha com reflexos dourados, fruta madura deliciosa, mel, baunilha, paladar untuoso, onde se faz notar a textura amanteigada da Viognier. Nota: 88 pontos

Herdade dos Grous Moon Harvested 2008. Elaborado com uvas 100% Alicante Bouschet colhidas no momento de maior influência da lua, o que resulta em um maior fluxo de seiva na planta. Segundo o enólogo Luis Duarte esta experiência demonstra um ligeiro (pequeno mesmo) aumento na qualidade do vinho. Este Alicante Boushet de fato é muito mais elegante que o que se espera desta casta, que prima por vinhos potentes. Este mostrou muita cor, aromas de chocolate, madeira bem integrada (passa 12 meses em barricas francesas), toque de eucalipto, paladar com taninos volumosos, secos e finos, longo, em conjunto muito bem equilibrado. Nota: 91 pontos

Herdade dos Grous Reserva tinto 2004. Vermelho granada muito escuro. Mostrou boa complexidade nos aromas, com vegetais de musgo, fruta madura, ameixas, madeira, especiarias . Paladar encorpado e macio, bons taninos, longo. Está em seu auge que deve se manter por mais uns 3 anos, mas não deve evoluir mais. Estilo bem alentejano, um vinho claramente de região quente. Nota: 91 pontos

Herdade dos Grous Reserva tinto 2005. Ano mais frio, vinho mais elegante, com boa fruta, mais fresca, mais mineral, mais magro e com menos madeira. Está em seu auge, que deve se manter por mais 5 anos. Nota: 90 pontos

Herdade dos Grous Reserva tinto 2006. Nesta safra a Touriga Nacional aparece mais, com bons aromas florais, complementados com toque de chocolate da Alicante Bouschet, fruta doce e bastante madeira. Paladar estruturado, com taninos doces, acidez moderada. Estilo bem alentejano, um vinho claramente de região quente, o mais frutado da prova. Nota: 92 pontos

Herdade dos Grous Reserva tinto 2007. Alicante Bouschet (50%), Syrah (30%) e Touriga Nacional (20%), 14,5% de álcool, 12 meses em barricas novas de carvalho francês. A safra de 2007 marcou uma grande mudança de perfil neste vinho, que está mais fino e elegante, com melhor acidez, sem perder em estrutura, está menos tradicional, mais moderno. Posso dizer que ganhou uma classe a mais a partir de 2007, o melhor da prova. Nota: 94 pontos

Herdade dos Grous Reserva tinto 2008. Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Touriga Nacional,  14,5% de álcool, 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Em estilo é muito parecido com o 2007, comum pouco mais de madeira nova (é um ano mais novo), com a Touriga Nacional aparecendo mais, mais floral e frutado, com menor concentração e estrutura, mas com um toque a mais de acidez e frescor. Nota: 93 pontos

Além destes provei um vinho ainda sem nome, que talvez venha a se chamar “Dona Alí”. A amostra de barrica esta imponente, um corte explosivo de Alicante Bouschet com Cabernet Sauvignon, de grande estrutura, ainda jovem e fechado, volumoso e com muuuuuitos taninos. Um vinho altamente promissor.

Vinho safra TIPO NOTA
Herdade dos Grous Reserva 2009 Branco 88
Herdade dos Grous 23 Barricas 2008 Tinto 89
Herdade dos Grous Moon Harvested 2008 Tinto 91
Herdade dos Grous Reserva 2004 Tinto 91
Herdade dos Grous Reserva 2005 Tinto 90
Herdade dos Grous Reserva 2006 Tinto 92
Herdade dos Grous Reserva 2007 Tinto 94
Herdade dos Grous Reserva 2008 Tinto 93
Herdade dos Grous Late Harvest 2008 Doce 87

 

Fundação Eugênio de Almeida

Subindo do baixo Alentejo em direção a Évora, a Fundação Eugênio de Almeida (FEA) é uma parada obrigatória. Estive lá com o enólogo da casa, Pedro Baptista e a Export Manager Gabriela Fialho me atualizando com as últimas novidades. A FEA acaba de lançar seu primeiro espumante e o primeiro branco na série Scala Coeli. Vejamos as provas:

Cartuxa espumante 2007. Elaborado 100% com Arinto pelo método Champenoise, o vinho base foi parcialmente fermentado em barricas de carvalho e o espumante permaneceu com suas borras por 18 meses, com 10 gramas de dosagem de açúcar. A cor é esverdeada e brilhante, com fina perlage e aromas cítricos de ótimo frescor, frutas amarelas muito maduras, quase cozidas. Paladar de boa estrutura e acidez crocante, com boa cremosidade. Nota: 88 pontos

Scala Coeli branco 2008. A linha Scala Coeli, lançada em 2005, visa mostrar castas menos típicas do Alentejo, com castas diferentes a cada ano. Este é o 1º branco da linha, feito com a casta Alvarinho, fermentada em barricas onde permanece 12 meses. Aroma intenso e fino, com fruta doce na frente e toques de tostados da madeira. Paladar de bom corpo, 13,5% de álcool, acidez bem marcada. Belo vinho, mas sem tanta tipicidade da casta. Nota: 87 pontos

Cartuxa colheita 2007. Este rótulo não é novidade e sim um clássico da FEA. Este 2007 é um dos melhores Cartuxa colheita que já provei. Elaborado com Alfroucheiro Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira, com estagio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Com aroma intenso de especiarias, fruta madura, toque vegetal de tabaco. Paladar de médio corpo, 13,5% de álcool, taninos finos, doces e prontos, elegante e muito bem equilibrado, estilo clássico. Bela compra. Nota: 87 pontos 

Scala Coeli 2007. Elaborado com 100% Touriga Nacional, com 16 meses em barricas francesas novas. Vermelho rui escuro violáceo. Aroma com típico floral de violetas da casta, fruta doce e muito madura sem ser jammy, toque de chocolate, tostados. Paladar de bom corpo, 14% de álcool, taninos doces, secos, longo. Nota: 91 pontos

Novos vinhos devem chegar em breve, como o Scala Coeli tinto 2008, feito com Alicante Bouschet e o Pêra-Manca tinto 2007. Para ler sobre o Pêra-Manca 2005 (o mais recente no mercado) clique em:  http://www.mardevinho.com.br/colunas/pera-manca-nova-safra

Vinho safra TIPO NOTA
Cartuxa Espumante 2007 Espumante 88
Scala Coeli 2008 Branco 87
Pêra-Manca 2008 Branco 88
EA 2008 Branco 82
Foral de Évora 2007 Tinto 84
Cartuxa colheita 2007 Tinto 87
Cartuxa Reserva 2006 Tinto 88
Scala Coeli 2007 Tinto 91

 

João Portugal Ramos

Uma das maiores referências em enologia portuguesa e um dos re-inventores do Alentejo, João Portugal Ramos continua, ano após ano, nos brindando com vinhos excepcionais e com boas compras também.  Seu trabalho transcende o Alentejo, e inclui projetos no Tejo (Ribatejo), Beiras e Douro (em parceria com José Maria Soares Franco). Acompanho de perto o trabalho de João Portugal faz tempo e posso dizer que os vinhos destas safras recentes estão mais elegantes, mais frescos, menos jammy, menos “novo mundo”, sem perder a modernidade. Nesta visita pude provar um pouco de tudo e algumas raridades de safra antigas.

Marques de Borba tinto 2008. Elaborado com Aragonês, Trincadeira e outras não especificadas, amadurece em tonéis de carvalho usado por tempo não especificado. Boa concentração de fruta, frutas negras, compotas, madeira usada bem discreta ajuda bastante “jogar o vinho para cima”, toque mineral terroso. Paladar de médio corpo, seco, boa acidez, gastronômico. Uma ótima compra. Nota: 85 pontos

Villa Santa tinto 2008. Elaborado com Aragonês, Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, com estágio de 9 meses em carvalho americano e francês.  Violáceo escuro, ótima fruta, bom corpo, sem exageros, mais elegante que os Villa Santa anteriores, com potencial de guarda, ótima compra. Nota: 88 pontos

Quinta da Viçosa 2005. Touriga Nacional, Merlot e Petit Verdot, estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês novo. Rubi violáceo escuro, aroma de menta, caldo de carne, geléias. Paladar compacto, volumoso, estruturado por taninos bem presentes, nervosos. Estilo mais internacional, muito em elaborado. Nota: 90 pontos

Duorum Colheita 2008. Aqui mudamos do Alentejo para o Douro, e nota-se que a fruta fica mais doce, com toque minerais do xisto, taninos secos, elegante, com acidez acima da média! Este tinto é uma excelente compra e uma das boas revelações do ano. Elaborado com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, com 6 meses em carvalho americano. Nota: 88 pontos

Duorum Vinha Velhas 2007. Este está na minha lista de “Top 200 – melhores do ano de 2009”, vide: http://www.mardevinho.com.br/colunas/top-200-os-melhores-de-2009. Elaborado com vinhas velhas onde predominam Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, com 12 a 18 meses em carvalho francês. Vermelho rubi escuro violáceo. Aromas densos de fruta madura, cassis, esteva, violeta, madeira. Paladar de bom corpo, sem ser pesado, taninos finíssimos e secos, nervosos, ótima acidez, elegante equilibrado, gastronômico e com potencial de guarda. Nota: 92 pontos

Quinta de Foz de Arouce 2005. Mudamos de região, para Beiras, e para a casta Baga, de vinhas velhas, com 14 meses em tonéis franceses. Para um 2005 ainda bem novo, taninos nervosos finos, aroma com toque animal, eucalipto, chocolate, baunilha, frutas negras frescas, toque vegetal de tabaco, grande potencial de guarda, muita personalidade, bem equilibrado, ótima acidez, longo com final fresco e com a presença nervosa dos taninos. Eu não conhecia este vinho, ótima surpresa de uma região menos proclamada. Nota: 91 pontos

Marques de Borba Reserva 2007. Voltando aos vinhos do Alentejo, este é o TOP da casa, elaborado com Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, com estágio de 12 meses barricas francesas. Muita cor, retinta, opaca. Aromas elegantes e complexos, em bloco, com fruta doce na frente, elevado por boa madeira, tostados, muitas especiarias. Paladar concentrado, ainda jovem, volumoso, longo, taninos finos, doces e bem presentes. Nota: 91 pontos

Marques de Borba Reserva 2000. Em relação ao anterior é mais vegetal, com toque de musgo e mentol, mais tradicional, menos internacional que o 2007, mostra fruta madura, compotas, avelãs. Paladar volumoso, cheio, taninos prontos mas bem vivos. Está maravilhoso, e pode evoluir ao menos mais 5 anos. Nota: 93 pontos

Marques de Borba Reserva 1997. Esta foi a 1ª safra deste grande vinho. Está menos expressivo que o 2000, porém mais elegante, cheio de nuanças, com paladar macio e pronto. Recomendo beber já, pois não deve evoluir mais. Já perdeu um pouco da acidez, mas ainda está maravilhoso, especialmente o nariz. Nota: 90 pontos

Villa Santa 1992. Uma preciosidade. Fermentado em talhas (ânforas de barro). No nariz pouco expressivo e muito evoluído, mas bem vivo na boca, cheio de complexidade. Aos poucos foi se abrindo na taça e mostrando aromas de banana, resina, couro. A evidente presença da Alicante Bouschet dá a este vinho um perfil rústico e vigoroso que me lembrou um Mouchão de safras antigas. Nota: 90 pontos.

Vinho safra TIPO NOTA
Lois branco 2009 Branco 82
Marques de Borba 2009 Branco 83
Villa Santa 2009 Branco 84
Lois 2009 Tinto 81
Marques de Borba 2008 Tinto 85
Villa Santa 2008 Tinto 88
Quinta da Viçosa 2005 Tinto 90
Duorum Colheita 2008 Tinto 88
Duorum Reserva Vinha Velhas 2007 Tinto 92
Conde Vimioso Reserva 2007 Tinto 88
Quinta da Foz do Arouce 2005 Tinto 92
Marques de Borba Reserva 2007 Tinto 91
Marques de Borba Reserva 2000 Tinto 93
Marques de Borba Reserva 1997 Tinto 90
Villa Santa 1992 Tinto 90

 

Semana que vem a 2ª parte desta viagem.

Saúde!

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br