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A rainha da Borgonha: Madame Leroy

A rainha da Borgonha: Madame Leroy

29/03/2016

Marcelo Copello

Personalidade

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Por Marcelo Copello

Talvez a personagem mais poderosa, marcante e polêmica dos últimos 60 anos na Borgonha seja Lalou Bize-Leroy, chamada por muitos enófilos apenas de “a madame”.

Nasceu em 1932, era filha de um negociante de vinhos da região, Henry Leroy, que em 1942 comprou uma parte da Domaine de la Romance-Conti (DRC). Mme foi co-administradora da DRC entre 1974 e 1992, e a empresa de sua família quando saiu (permanecendo como co-proprietária) para se dedicar a sua Domaine particular, a Domaine Leroy,.  Não por acaso seus vinhos rivalizam em qualidade e preço com os de sua outra Domaine, a DRC.

Tive a grande honra de ser recebido pessoalmente por Madame Lalou em sua Domaine para uma conversa e prova de vinhos. Ela e seu braço direto, Frédéric Roemer, foram muito simpáticos contrariando a fama de difícil, senão impossível, construída por Mme ao longo das últimas décadas. Difícil sim foi acompanhar o ritmo desta senhora. Elétrica (esta fama sim, pude comprovar), ela não parou de falar, gesticular e provar com uma velocidade incrível. Mal pude filmá-la (ela não parava quieta e visivelmente fugia da câmera) e a prova de uns 30 vinhos, direto das barricas, durou menos de uma hora.

Ela pratica a biodinâmica nos 21 hectares de sua domaine e um dos principais fatores na qualidade de seus vinhos é uma seleção insana(são dezenas de pessoas trabalhando desde a colheita, selecionando os melhores de cachos e grãos) e um rendimento minúsculo, em média faz 16 hectolitros de vinho por hectare, podendo em alguns anos ficar abaixo dos 10hl/ha.

São vinhos de uma estrutura ímpar para borgonhas, tem peso sem ser pesados, nem perder nada em elegância e estilo, muito precisos e expressivos.

Provei todos os tintos da safra 2012, direto da barrica. Meus prediletos foram: Richebourg, Clos de la Roche, Clos Vougeot e o Romanée-Saint-Vivant, que ela descreve no vídeo como “magnífico".

Uma curiosidade, logo à entrada da Domaine há um mosaico do zodíaco (veja foto) ladeado por duas inscrições:

"Le vin est d’inspiration cosmique; il a le goût de la matière du monde." (O vinho é inspirado pelo Cosmos, ele tem o gosto do mundo”

"Qui sait déguster ne boit plus jamais de vins mais goûte des secrets.” (“quem sabe degustar não bebe o vinho, mas desvenda seus segredos”), esta creditada à Salvador Dalí.

Veja a entrevista na íntegra:

Facebook: vinhocommarcelocopello

Instagram: @marcelocopello

Marcelo Copello (mc@marcelocopello.com)

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com