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Vinhos Kasher para Pessach Judaico

Vinhos Kasher para Pessach Judaico

28/03/2018

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

Cada povo, cada grupo social, se distingue dos demais por seus costumes, valores intelectuais e morais, padrões de comportamento, por sua religião e, não menos importante, por sua alimentação. Talvez em nenhuma outra cultura a relação religião/alimentação seja tão estreita quanto na judaica.

Os cinco primeiros livros do Velho Testamento (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), conhecidos como o Pentateuco ou Torá, trazem um conjunto de prescrições de origem divina, que determinam a dieta alimentar judaica. Essas leis são chamadas de kashrut. Seu objetivo não visa apenas à boa saúde, mas sim trazer união e santidade para o povo judeu.

Os alimentos e as bebidas permitidos para o consumo, de acordo com os preceitos do Torá, são chamados de Kosher, Kasher ou Casher, palavras hebraicas que significam “bom”, “digno de confiança”. Quando industrializados, os produtos Kosher precisam ser supervisionados por autoridades religiosas e podem ser identificados por símbolos impressos em suas embalagens — em geral, um U ou um K, dentro de um círculo ou uma moldura. Quando estas letras aparecem sem nenhum adorno ao redor, significa que o fabricante alega que seu produto é Kosher, mas não necessariamente ele foi submetido à supervisão de um rabino.

No mundo todo existem mais de quatrocentas agências de supervisão rabínica de alimentos Kosher. Cada uma tem seus próprios critérios, sempre baseados na lei judaica, além de um símbolo ou uma marca registrada próprios, que vão impressos no rótulo ou na embalagem dos produtos.

Alguns importantes feriados judaicos acontecem nesta época do ano, aumentando a procura por produtos Kosher. O Pessach (a Páscoa), que este ano cai no dia 22 de abril e é um evento religioso da cristandade em geral, considerado pelas igrejas ligadas a essa corrente religiosa como a maior e mais importante festa cristã. Para os judeus, o Pessach é uma festa da primavera que comemora o Êxodo — a saída dos filhos de Israel do Egito há cerca de 3.300 anos, guiados por Moisés, depois de dois séculos de escravidão.

O Rosh Hashaná é o Ano Novo judaico, conhecido como “dia do julgamento” — quando Deus determina o destino de cada um para o ano que se inicia. De acordo com Marcia Algranti, em seu livro Cozinha judaica, “o Rosh Hashaná é uma ocasião para doces”. Mesmo alimentos como carne e galinha são adoçados e acompanhados de vinhos doces ou meio doces para que se tenha um ano farto e doce. O Yom Kipur, ou “dia do perdão”, também chamado de “dia do arrependimento”, é uma data marcada por jejum e preces. É o dia de pedir perdão ao próximo e a Deus. A seguir os israelitas comemoram no Sucot, festa dos tabernáculos ou festa da colheita, a proteção divina aos filhos de Israel durante os quarenta anos de peregrinação no deserto. O sétimo dia da festa de Sucot chama-se Hoshaná Rabá e é celebrado com muitas preces com ramos de salgueiro, para a decisão divina final sobre a nova safra em Israel.

Nenhuma dessas festas seria completa sem o vinho. A folha da videira é um dos símbolos dos hebreus, tornando o vinho inseparável das comemorações judaicas. O líquido é bebido no início do sabbath (sábado sagrado dos judeus), na bênção (kiddush) e em seu término (havdalah). Os rabinos encorajam o consumo moderado por conta dos benefícios à saúde. Além disso, é carregado de simbolismo. Para Abraham Shrem, rabino da congregação carioca Beth-El, “os brindes representam alegria” e “tudo o que é material perde seu valor com o tempo; o vinho, ao contrário, se valoriza com o tempo”.

Mas para ser consumido em ocasiões religiosas o vinho precisa ser Kosher — sua elaboração necessita de supervisão rabínica. As regras básicas para um vinho se tornar Kosher são: não pode ser produzido a partir de videiras com idade inferior a quatro anos; o vinhedo, se estiver localizado em terras bíblicas, deve deixar de produzir uma vez a cada sete anos; nos locais dos vinhedos nenhum outro tipo de planta deve ser cultivada; todo o equipamento e a matéria-prima utilizados na elaboração da bebida devem ser igualmente Kosher; e o vinho só pode ser manuseado por judeus ortodoxos, para evitar sua possível contaminação ao ser manipulado por pessoas desprovidas de fé. Nem todos os profissionais da vinícola, como enólogos, técnicos etc., precisam ser judeus ortodoxos, bastando que não tenham contato físico direto com bebida, barris etc. Alguns sacerdotes mais rigorosos exigem ainda que o fermentado seja fervido (pasteurizado), o que praticamente anula suas qualidades. Nesse caso, o vinho chama-se mevushal.

Vinhos Kosher são elaborados em pequenas quantidades em praticamente todos os países produtores, como França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Austrália. Destinam-se ao consumo local e à exportação. No Brasil a oferta é bem pequena. Testei como sugestão para este Pessach 4 rótulos da vinícola israelense Golan Heights, que faz apenas produtos Kasher. 

Yarden Syrah 2010, Golan Heights, Israel (Inovini, www.inivini.com.br )

100% Syrah, com 18 meses em carvalho francês. Cor escura em tons vermelho rubi violaceo. Aroma denso e frutado, com notas de frutas negras bem maduras, couro, pimenta do reino, chocolate, baunilha, tostados. Paladar encorpado, com taninos firmes e doces, boa acidez e bastante álcool (15%). Muito bem elaborado dentro do estilo modern e frutado, o melhor vinho da linha. 

Nota: 91 pontos

Yarden Cabernet Sauvignon 2011, Golan Heights, Israel (Inovini, www.inivini.com.br )

100% Cabernet Sauvignon, com 18 meses em carvalho francês (40% novo).

Cor rubi violacea escura. Aroma de frutas negras maduras, amoras, ameixas, nota balsâmica, pimentão verde, madeira. Paladar de bom corpo, acidez, moderada, 15% de álcool, equilíbrio pendendo para a maciez.

Nota: 89 pontos

Yarden Pinot Noir 2009, Golan Heights, Israel (Inovini, www.inivini.com.br, ).

100% Pinot Noir, fermentado e amadurecido 16 meses em carvalho francês (70% novo). Cor rubi-granada escura.  Aroma com frutas vermelhas maduras, morango, framboesa, madeira nova, geléias, alcaçuz. Paladar com bom corpo, taninos macios, acidez média, 14% de álcool. Tem boa tipicidade da casta, em estilo novo mundo, muito gostoso.

Nota: 89 pontos

Yarden Chardonnay 2013, Golan Heights, Israel (Inovini, www.inivini.com.br).

100% Chardonay, fermentado e amadurecido 7 meses em carvalho francês (70% novo). Cor  amarelo dourado claro e brilhante. Aroma intense, com notas de frutas brancas, pêra, pêssego, cítricos, abacaxi,  manteiga, baunilha, strudel de maçã. Paladar encorpado e macio, com 14% de álcool, acidez correta, bom equilibrio geral. Um Chardonnay em estilo novo mundo, muito bem feito.

Nota: 88 pontos

Chag Pessach!

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Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com