Carregando

Aguarde, processando!

Vertical de Vintage Tunina

Vertical de Vintage Tunina

23/11/2016

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

1231 Visitas

Por Marceo Copello

Como parte das comemorações dos 30 anos do Gambero Rosso, mais prestigioso guia de vinhos italiano, participei recentemente em Roma de uma série de provas raríssimas. Uma delas, talvez a que mais tenha de dado prazer, foi esta vertical de 20 safras de um dos maiores brancos da velha bota, o Vintage Tunina.

Visitei a região, Friulie-Venezia Giulia, há uns poucos anos e estive na Jermann (leia amanhã aqui neste site a materia completa sobre esta visita ao Friuli). Comandada por Silvio Jermann, a vinícola impressiona primeiro pela qualidade e pureza de todos os seus vinhos. Depois, pela beleza arquitetônica e pela obsessão por detalhes simbólicos, quase exotéricos. Seja o que for que você faz, caro Silvio, continue fazendo, pois seus vinhos são espetaculares.

Como é feito o VINTAGE TUNINA

O nome do vinho, Tunina (Antônia em friulano), é uma homenagem a uma das amantes de Casanova, uma camponesa. Este é um vinho diferente, que começa com um corte esdrúxulo, um field blend (castas plantadas todas juntas) de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Ribolla Gialla, Malvasia Istriana (de origem Croata) e Picolit. Esta última uma casta rara da região, que faz um grande vinho de sobremesa, o Picolit.  

A colheita do Vintage Tunina é tardia (2 semanas depois do normal), mas o vinho não tem nenhum traço de sobrematuração. Embora possa parecer, o vinho não amadurece em barricas – em suas primeiras safras não havia nenhum contato com madeira e desde 2002 apenas fermenta em grandes tonéis, que lhe adicionam complexidade. Sua fermentação é longuíssima para um vinho branco - 3 meses!

Obs: desde 2006 as garrafas são vedadas com tampa de rosca (screw cap) e não mais rolha de cortiça. Tivemos o privilégio de provar às cegas 2 garrafas da safras 2006, uma com cada vedante, aos 10 anos de idade. O resultado favoreceu nitidamente a tampa de rosca (leia na avaliação da safra 2006).

O Vintage Tunina precisa de 5 anos para se abrir e iniciar sua escalada, 10 anos para entrar no apogee e 20 para chegar a maturidade. Recomendo servir não muito frio, a cerca de 14oC.

A PROVA

Vintage Tunina 2014, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Palha muito claro, verdeal, quase branco papel. Pouco aroma, um pouco neutro e fechado, muito fresco e mineral, frutado, cítrico, nota de aneto, aniz, alcaçuz. Paladar leve, macio, com acidez muito boa, longo, limpo, muito elegante e equilibrado, mas ainda jovem demais e contido, sugiro esperar 2019 (seu 5o ano) para abrir.

Nota: 90

Vintage Tunina 2011, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Amarelo palha esverdeado. Aroma elegante, perfumado, floral, com notas de leveduras, tostados. Paladar leve mas estruturado, com textura macia e ótima acidez, firme e coeso, com tensão e extrema elegância.

Nota: 93

Vintage Tunina 2010, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro e brilhante, com reflexos esverdeados. Aroma intenso começando a se mostrar, em metamorfose entre juventude e plenitude, em uma adolescência, bastante mineral, floral, notas de giz, jasmin. Paladar macio, acidez bem integrada em um conjunto harmônico, longo.

Nota: 95

Vintage Tunina 2006, Jermann, Venezia Giulia, Itália

2 amostras provadas desta safra (as cegas). Amostra "A" fechada com ROLHA e amostra "B" fechada com tampa de rosca (screw cap). Amostra A - Amarelo dourado claro e brilhante. Aroma intenso e fresco, bastante mineral, discretas notas de mel, damasco, mas ainda muito jovial. Paladar macio, já mostra plenitude. Amostra B - Dourado brilhante, claro. Aroma fresco, jovial, flora, bem mais novo que a amostra A, Paladar macio, mantento um ótimo frescor e potencial de guarda. É evidente a superioridade do vinho fechado com tampa de rosca.Nota: 96

Vintage Tunina 2005, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro, ainda com reflexos esverdeados (aos 11 anos de idade). Aroma cheio de finesse, de frutas maduras, flores secas, jasmim, giz. Paladar macio, acidez já mais baixa mas conjunto se mantém perfeitamente integrado e equilibrado, longo, delicioso, no apogeu.

Nota: 94

Vintage Tunina 2002, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Amarelo dourado claro. Aroma intenso, notas de chá, flores secas, mel, bastante mineral, ainda com ótimo frescor. Paladar macio, muito coeso e integrado, longo, delicado.

Nota: 91

Vintage Tunina 2001, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro e brilhante. Aroma intenso e já com notas de evolução, notas de cogumelos, mineral metálico, mel, sultanas, anis. Paladar macio, integrado e equilibrado, persistência cai um pouco no final.Nota: 90

Vintage Tunina 2000, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro. Aroma intenso e fresco, bem mais jovial que o 2001, floral, mineral, jasmim, anis. Paladar macio, leve, equilibrado, perfeitamente coeso e integrado, longo, entrando com perfeição na maturidade.Nota: 95

Vintage Tunina 1997, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro e brilhante, sem sinais de idade na cor. Aroma fantástico, em seu apogeu, intenso, muito elegante, já com notas de evolução, flores secas, chá, damasco seco, mel. Paladar macio, equilibrado, integrado, acidez já mais baixa, mas conjunto é uma perfeição, maravilhoso branco maduro.Nota: 97

Vintage Tunina 1996, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro. Nariz espetacular, apogeu, finíssimo, complexo, mineral, floral, nada de notas de subrematuridade nem de idade, chá, sândalo, anis. Paladar macio, acidez moderada, equilíbrio fenomenal, longo, elegante e delicioso.

Nota: 95

Vintage Tunina 1995, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Amarelo dourado, claro e brilhante. Aroma intenso, maduro, elegante e complexo, frutas madura, laranja, mineral, giz, anis. Paladar macio, equilibrado longo, excelente, entrando na maturidade.Nota: 92

Vintage Tunina 1994, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro e brilhante, cor um pouco mais carregada. Aroma intenso, sente um pouco de oxidação, rico, frutas maduras, mel, amêndoas, flores secas. Paladar macio, cai um pouco no meio e fim de boca, já sente a idade.

Nota: 87

Vintage Tunina 1993, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro, brilhante, reflexos de ouro velho. Aroma de bom ataque, aparece um pouco a oxidação, com notas de amêndoas, mel. Paladar macio, mais largo, quanse untuoso, longo e equilibrado.

Nota: 92

Vintage Tunina 1991, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado intenso, brilhante. Aroma intenso, anis, jasmim, resinas, mel. Paladar macio, cremoso, media persistência, prazeroso mas sem tanto brilho.

Nota: 89

Vintage Tunina 1990, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Amarelo dourado intenso e brilhante. Aroma delicado, complexo, evoluído, flores secas, chás, frutas cristalizadas. Paladar macio, equilibrado, longo, maduro, perfeito.

Nota: 91

Vintage Tunina 1988, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado intenso e brilhante. Aroma intenso, encantador, rico, com notas de damasco, mel, avelãs, fundo mineral elegante. Paladar macio, muito fresco, firme, perfeitamente equilibrado, longo, surpreendente firme e jovem para sua idade.

Nota: 97

Vintage Tunina 1987, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado intenso e brilhante. Aroma intenso e mineral, com notas de giz, camomila, resina, Paladar macio, com textura cremosa, equilibradíssimo, longo, fantástico branco maduro.

Nota: 93

Vintage Tunina 1983, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado intenso, brilhante. Aroma intenso, com notas de camomila, resina, anis, mel. Paladar macio, perfeitamente equilibrado, cremoso, persistência cai um pouco no final.

Nota: 90

Vintage Tunina 1979, Jermann, Venezia Giulia, Itália

Dourado claro, sem sinais de idade. Aroma intenso e de bom frescor, não delata sua idade (37 anos), muito elegante, notas de cogumelos, camomila, jasmim, flores secas, mel, tudo muito delicado. Paladar macio, textura cremosa, longo, fresco, encantador, passa por um vinho 20 anos mais novo.

Nota: 94

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com