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Verão com sol, calor e VINHO!

Verão com sol, calor e VINHO!

07/01/2019

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello      

Sunga, biquíni, canga, óculos escuros, barcos, praia, piscina, frutas, saladas (quem sabe uma dietinha) e malhação. Estamos no verão! Não se esqueça do protetor solar e de uma boa taça de vinho, seja espumante, branco, rosé ou até um bom tinto.

Quem acha que vinho é coisa de inverno se esquece que países e regiões de verões quentes consomem vinho o ano todo. É assim em toda a Europa Mediterrânea, na Austrália, África do Sul, Chile, Argentina e nas regiões mais quentes dos EUA. Onde o vinho não é apreciado não é o frio que falta, é a cultura. Esquecem também que o nobre fermentado, em sua infinita variedade, abarca todas as estações e ocasiões, da lareira à areia da praia.

Consumo cai no verão?

É fato que o consumo de vinho no Brasil cai no verão. O Infelizmente o brasileiro se engana ao associar o vinho ao inverno e ainda não adquiriu o saudável hábito de apreciar vinho o ano todo.

Tinto e verão combinam?

É ponto pacífico que espumantes, rosados e brancos são quase sempre mais leves e combinam com temperaturas mais altas. Mas e o tintos? Para quem não abre mão de uma taça de vinho tinto na estação mais quente do ano, saiba que há disponível em nosso mercado uma ótima variedade destes tintos mais leves.

Para o brasileiro “tinto” e “leve” são duas palavras que não cabem na mesma frase. Equivocadamente em nosso país associasse mais corpo, mais álcool e mais madeira, à mais qualidade e mais prazer. Para muitos, nos tintos leves falta algo, como estrutura e força. Para estas pessoas caldos menos densos passam a ideia de vinhos menos sérios, que não terão complexidade e profundidade. Para os só gostam de tintos encorpadões lamento informar que terão que abrir mão de vinhos como Romanée-Conti, Petrus, sem falar de Le Montrachet, Domaines Ott e Dom Pérignon.

Na Eurora, o berço do vinho, preferem em geral vinhos mais leves, especialmente no dia a dia. O fato é que infelizmente o vinho ainda não é a bebida diária do brasileiro, que por isso não se ressente da falta de vinhos mais leves. Quanto mais nosso mercado amadurecer, mais nossos enófilos apreciarão toda a diversidade de estilos que só o vinho pode oferecer. 

Raio X de um vinho de verão

Podemos dizer que no verão, enquanto a temperatura ambiente sobe, buscamos nos alimentos e bebidas temperaturas mais baixas (e digestão mais fácil). Ninguém pensa em uma sopa quente no verão, mas sim em frutas frescas e uma salada fria, acompanhadas de um refrescante espumante, pode exemplo.

Corpo esbelto para o verão

No verão busca-se um corpo mais esbelto também no vinho. À sensação de consistência e volume do vinho no paladar chamamos de corpo. Coloque o vinho na boca e mastigue-o antes engolir, você entenderá. Este maior extrato deve-se principalmente à maturidade das uvas (uvas mais maduras terão uma maior concentração de açúcares e sabores em seus bagos), e do tempo de maceração destas uvas ao fermentar, o que proporcionará ao vinho uma maior concentração de cor e sabor.

Não esqueça, no entanto, que concentração não quer dizer qualidade. Pelo contrário, é um erro comum em muitos vinhos o excesso de extração e concentração, matando o equilíbrio, a elegância, a expressão do terroir e da casta.

Os pré-requisitos para  que um rubro fique bem no calor são muito simples: taninos aveludados, boa acidez e teor alcoólico moderado.

A temperatura de serviço dos tintos está ligada aos taninos. Quanto mais frio servimos mais percebe-se o tanino. Logo se queremos servir um tinto mais refrescado, devemos buscar caldos aveludados.

A acidez é outro ponto fundamental. No sabor do vinho este será o fator que nos dará a sensação de salivação (sentida nos cantos da boca) e de frescor.

O teor alcoólico talvez seja o item mais importante no checklist para um vinho de verão. O álcool nos provoca uma sensação de calor e nos faz suar. Uma diferença de 1 ou 2 graus de álcool em um vinho faz grande diferença. Assim, a percepção de calor provocada por um tinto 13% é consideravelmente menor do que a de outro com 15% de álcool.

Devo esquecer os tintos encorpados até o outono?

Se você é daqueles que não dispensa um tinto encorpadão e um ar condicionado o ano todo, não desanime quando o termômetro lá fora marcar 40°C. Vinho encorpado nem sempre quer dizer vinho alcoólico. Busque a solução nos clássicos europeus, como os Bordeaux, alguns Rioja, italianos do norte, como Trentino e Friuli, e a do norte do Rhône como Hermitage e Côte Rotie, portugueses da Bairrada e porque não um encorpadão Tannat brasileiro, com teores alcoólicos que pouco passam dos 13%.

Melhores regiões

Onde são são feitos os melhores tintos verão? A priori em quase qualquer lugar e com quase qualquer uva, excetuando-se locais muito quentes, como Mendoza, alguns locais da Califórnia,  Austrália e do Mediterrâneo (como sul da Itália, Espanha ou França). Porque não estes locais? Pois o calor gerará uvas mais concentradas e vinhos mais e alcoólicos. É bom lembrar que hoje, com tecnologia e conhecimento dos enólogos, é possível, mesmo em regiões  quentes, produzir vinhos com menos álcool e concentração.

Algumas países/regiões que proporcionam ótimos tintos de verão são: França (Beaujolais, Borgonha, Loire, Alsácia), Alemanha, Áustria e Suíça em geral, norte da Itália (Alto Adige, Piemonte, Veneto, Friuli), Portugal (Dão, Beiras, Bairrada, Lisboa e Vinhos Verdes), Nova Zelândia, Tasmânia (Austrália), além do Brasil.

Brasil, vocação para o verão

Somo um país eminentemente tropical não apenas no clima e no espírito de nosso povo, mas também nos vinhos. O clima da maior parte de nossos vinhedos, em regiões como Serra Gaúcha, Campos de Cima e Serra Catarienense, proporcionam além de espumantes consagrados, brancos, rosados e tintos de teor alcólico moderado e ótima acidez. Nossos vinhos são muitas vezes boas opções para o verão.

E os vinhos doces e fortificados?

Vinhos doces e fortificados são densos, alcoólicos e quase sempre bastante encorpados. Seriam então uma categoria a se esquecer no verão? De maneira nenhuma. Uma taça (apenas uma, e pequena) de um Late Harvest ou Porto para uma sobremesa de frutas, além de ser delicioso, não causará grande dano ao seu “projeto verão”.

Além disso, como no universo de BACO há exceções para todas as regras, podemos incluir alguns fortificados entre os vinhos de verão. Falo dos espanhóis Jerez Fino ou Manzanilla (ou mesmo um Vin Jaune, do Jura-França), que apesar do teor alcoólico em torno de 15%, são muito secos e leves, sendo sempre lembrados no verão para acompanhar sopas frias como o gaspacho e o salmorejo.

Dicas finais

Como dicas finais para a escolha do vinho certo para o verão, podemos recomendar:

– Buscar safras recentes, o que significará maior jovialidade e frescor.

– A temperatura de serviço é fundamental, no calor deixe seus espumantes, brancos e rosados no balde de gelo para que não esquentem. Os tintos de verão dispensam o balde de gelo mas pedem a geladeira e podem ser servidos a cerca de 14oC.

– Madeira: busque para o verão preferencialmente vinhos sem estágio em madeira, pois este procedimento agrega mais estrutura e taninos ao vinho.

– Vinhos de verão são geralmente mais fáceis de beber, mais fáceis de comprar (mais baratos), e mais fáceis de combinar com comida.

Os afilhados de BACO sabem que o vinho é uma bebida para o ano todo, pois cada estação do ano tem seus vinhos mais adequados. Para este verão nosso caderno de provas traz deliciosos rosados, levíssimos tintos da uva Gamay e uma seleção dos melhores vinhos brasileiros, dentre os quais não faltam maravilhosos espumantes e tintos refrescantes.

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Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com