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Os canhões do  Uruguai

Os canhões do Uruguai

17/06/2016

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

Às vezes esquecido ante a sombra dos gigantes produtores sulamericanos Chile e Argentina, o pequenino Uruguai também tem seu arsenal de canhões de grosso calibre. O time aqui escalado poderia enfrentar qualquer seleção do cone sul, de igual para igual em qualidade e ganhando por vezes em preço.

1er Cru d’Exception Tannat 2005, Família Deicas (Interfood, www.todovino.com.br)

100% Tannat, fermentado em frudres de 5.000 litros de carvalho francês e depois amadurecido em barricas por 18-24 meses. Cor muito escura, opaca, violácea. Aroma complexo, com madeira em excesso, notas de café, chocolate, açúcar marcavo, frutas negras, geléias, menta, terra molhada, baunilha, alcaçuz, muitos tostados. Paladar robusto, com muitos taninos, ainda um pouco duro e jovem, 14% de álcool, boa acidez, muito longo, boa profundidade. Para guarda. 

Nota: 93 pontos

Pisano Arretxea 2009 (Mistral, www.mistral.com.br).

Este vinho é uma grande seleção do enólogo, de suas melhores uvas. Embora não declarem, há aqui um pouco de Petiti Verdot dando uma ajuda às varias parcelas de Tannat de diferentes vinhedos usadas neste vinho. De cor profunda, muito escura, este vinho apresenta seus aromas em um bloco uno, que aos poucos se abre em camadas, onde se destacam geléias, carvalho e ervas. Na boca é concentrado, quase cremoso, com 14% de álcool  e uma montanha de taninos por resolver, ainda jovem

Nota: 93 pontos

Viña Progreso Sueños de Elisa 2011 (Vinci, www.vinci.com.br).

Um vinho que se destaca no grupo por sua originalidade. Feito a partir de vinhas velhas 100% Tannat pelo jovem enóloo GabrielPisano. Sua técnica é fermentar as uvas com suas cascas em barricas abertas (sem a tampa) e após a fermentação, separar o líquido da parte sólida e colocá-lo de volta na barrica, onde amadurece em barrica por seis/oito meses. Degustado o vinho mostra cor muito escura e nariz complexo. As notas são de madeira, ameixas, alcaçuz, chocolate, Na boca é expressivo e tem finesse, com a estrutura é muito boa, com 13,5% de álcool, taninos muito finos.

Nota: 92 pontos

Bouza Monte Vide Eu 2011 (Decanter, www.decanter.com.br).

Bouza é uma das vinícolas mais visitadas do Uruguai, com ótimo restaurante e uma linha de vinhos sem retoques. Este é um de seus ícones, um corte de 50% Tannat, 30% Merlot e 20% Tempranillo. Cor ao mesmo tempo jovial e muito escura. No nariz mostra grande complexidade, com muitas nuanças, notas de compotas, coco, trufas negras, chocolate, frutas maduras, madeiras, especiarias doces, baunilha, tostados, notas balsâmicas. Na boca é encorpado e aveludado e elegante, com taninos finos e ainda presentes e com 15,5% de álcool!

Nota: 92 pontos

Amat 2009, Carrau (Zahil, www.zahil.com.br).

Um clássico uruguaio, feito com 100% Tannat de vinhas velhas, com 18 meses em carvalho 50% americano e 50% francês. Tem cor escura e ainda jovial. No nariz é intenso e denso, com bastante madeira, notas de coco e baunilha, notas de frutas negras, tabaco e muitas especiarias, alcaçuz. Na boca é seco e encorpado,com taninos presentes e finos, ótima acidez, 13,5% de álcool. Estilo potente e elegante, clássico.

Nota 90 pontos

Alvarinho 2005, Bouza-Decanter (esgotado).

Único branco e maior surpresa desta prova. Uma safra antiga, já esgotada, mas que prova opotencial de guarda da Alvarinho no Uruguai. De cor ainda clara, em tons palha. No nariz  uma interessante mescla de frescor e evolução, com notas minerais, de querosene, defumadas, de frutas brancas ainda frescas, como pêra e maçã e notas florais. Na boca leveza e frescor,  com muita maciez e persistencia.

Nota: 91 pontos

Vilasar 2004, Carrau (Vinhos do Mundo, www.vinhosdomundo.com.br).

Feito a partir de um vinhedo velho (de 1931) de Nebbiolo. Sua cor é opaca e seus aromas etéreos, com notas animais de couro, além de especiarias e frutas secas, madeira usada. Na boca é sério, seco, encorpado, com taninos secos e presentes, com notas de amargor mo final. Não é fácil de beber,mas tem personalidade e qualidade, com potencial de ao menos 15 anos de guarda, talvez mais. Este vinho sempre surpreende. Já servi a safra 2000 deste vinho às cegas contra bons Barolos e ele roubou a cena. Este 2004 ainda está jovem, mas é promissor . Nota 91 pontos

Osiris Tannat 2006, Antigua Bodega Stagnari (www.mercovino.com.br).

A Antigua Bodega Stagnari tem uma linha muito consistente de vinhos, onde se destacam não apenas seus Tannats. Quem tiver a oportunidade não deixe de provar o Osiris Merlot. Este Osiris, 100% Tannat fica 12 meses em carvalho americano novo, e embora siga o estilo dos demais tannats de alta gama uruguaios, tem uma acidez moderada que ameniza seus taninos. No nariz as notas são de bastante madeira verniz, couro, especiarias e frutas bem maduras

Nota: 90 pontos

Família Irurtia Km.0 Cuvée Gran Reserva Edición Limitada 1913 - 2013, Carmelo-Uruguai

Este vinho é uma edição especial para comemorar os cem anos da empresa. É uma mistura de safras e castas não revelada, mas que basicamente é Tannat 2008 (dominante), Marselan 2011 e Cabernet Franc 2011. Cor granada escura. Aroma intenso, com muita madeira, cassis, especiarias doces, couro, tabaco, nota erbácea. Paladar encorpado, concentrado, alcóolico com 13,9% qua aparecem, taninos secantes, boa acidez, algo rústico, melhora com decantação.

Nota: 88 pontos


 

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com