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Onde comprar vinhos em Nova York

Onde comprar vinhos em Nova York

16/06/2019

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

 NYC, New York, Nova Iorque, Noviorqui. Lá tem de tudo, vale tudo, até na grafia de seu nome. NYC é um dos melhores lugares do mundo para compras, incluindo vinho. Cidade multicultural e nos vinhos a pluraridade é a mesma – acham-se vinhos do mundo inteiro, a preços por vezes melhores que na origem.   Em recente viagem à cidade que não dorme, visitei uma série de loja de vinhos. Fiz uma seleção de 4 endereços e dou aqui minhas dicas de compra em cada um.

 É importante dizer que esta seleção de vinhos foge de meu padrão habitual, que é fazer uma lista democrática, para todos os gostos e bolsos. Desta vez, para variar um pouco, fiz uma lista pessoal de compras, que segue apenas meu gosto pessoal, sem preocupação de cobrir todos os países, regiões e faixas de preço. Um aviso apenas: os vinhos giram muito e muitos podem não estar mais disponíveis.

 Como dica negativa ou alerta, aviso apenas que a famosa loja Sherry-Lehmann, tem sim um fantástica seleção e merece uma visita turística, mas segure a carteira, os preços estão bem acima do mercado. Curiosidade: ao saltar de um táxi em frente a loja de vinhos, o motorista, que parecia o James Brown e ouvia uma ótima rádio de jazz, ao ver que eu ia a uma loja de vinhos me disse: ˜só não compre vinhos americanos!˜.

Astor

A Astor (www.astorwines.com 399 Lafayette St.)  é uma beleza. Situada no Greenwich Village, a loja é enorme e só faltou ter roda gigante como aquela da Toys-R-Us, para ser o playground perfeito. Tem de tudo, até uma seção de cachaças.

Na sala refrigerada, ao fundo, ficam as raridades e um segundo andar com sala de degustação para eventos, o atendimento é correto, profissional.

Daqui alguns vinhos que fiquei de olho são:

Vin Jeune 2006, Philippe Bornard, Jura-Franca

Sou um apaixonado pelos vinhos do Jura, região francesa próxima a Suiça. Estes vinhos infelizmente são difíceis de achar no Brasil mas para minha sorte estão em moda aqui em Nova Iorque. Este que provei é uma maravilha engarrafada! Para quem nunca provou um Vin Jeune, a referencia mais próxima seria um Jerez Fino (só que o VIn Jeune tem safra e não é fortificado - só é lançado após 6 anos e 3 meses). Cor clara com tons dourados. Aroma intenso, oxidativo, floral, com notas de leveduras, amêndoas torradas. Boca extremanente seca, com ótima acidez leve, ainda muito jovem (os vin Jeune vivem décadas). Não servir muito gelado. Custou US$ 75 por 375ml na Astor.

Nota: 94 pontos

Crush

A Crush (www.crushwineco.com 153 E 57th St), é nova, inaugurada em 2005 e chama a atenção – logo a entrada vê-se uma longa parede (mais de 20 metros), forrada com 2.500 garrafas em forma de onda. A especialidade aqui são pequenos produtores do mundo todo, vinhos naturais, Rhone, Borgonha, nomes consagrados ao lado de descobertas. O atendimento aqui achei um pouco afetado. Ao fundo uma sala com as raridades.

Daqui eu compraria (ou até comprei):

Le Petit Cheval 1998, Château Cheval Blanc, Bordeaux-Franca

Este é o segundo vinho do mítico Château Cheval Blanc, em uma das minhas safras prediletas da margem direita de Bordeaux. Este tem cor granada clara. Aroma frutado, mineral e fresco, com paladar um pouco magro, mas com taninos e acidez bem vivos. Este vinho é um corte de Merlot com Cabernet Franc, mas a gordura e maciez do Merlot quase não aparecem e o Cabernet Franc domina. É um belo vinho, com finesse, mas confesso que esperava mais, pois o Cheval Blanc 1998 é um vinho que se aproxima da perfeição. Custou US$ 70 na Crush (pelo preço não recomendo).

Nota: 88 pontos

Cöte-Rotie 2011, Domaine Jamet, Rhöne-França

Este vai encantar qualquer enófilo vivo, se não gostar é porque já morreu. As duas únicas falhas deste vinho é que ainda está muito jovem e é uma meia-garrafa. Jamet é hoje um de meus produtores prediletos do Rhone, seguindo um estilo tradicionalista de muita pureza e sem excessos de extração e madeira. O vinho é exuberante, complexo e perfumado, com notas de lavanda, terra molhada, pimenta, frutas frescas, alcaçuz. O paladar é equilibradissimo, com bom corpo, taninos finos e acidez ainda alta, bebe-se já ou guarda-se o quanto queira, pois vai evoluir bem até daqui a uns 20 anos. US$ 69 por meia-garrafa na Crush em NYC.

Nota 96 pontos

Chambers

A Chambers (www.chambersstwines.com na 148, Chambers St.) é pequena mas notável, frequentada por profissionais e apaixonados que vem buscar aqui o que só acham aqui. Boa seleção de Bordeaux, Riojas e Barolos de safras antigas. Atendimento excelente, conhecedores.

 

Vejam o que estava em minha lista quando fui visitá-los:

Comprei e testei:

Barolo Riserva Speciale 1964, Minuto, Piemonte-Italia

Ao abrir esta garrafa encontrei tudo o que se pode esperar de um bom Barolo maduro. Cor clarinha, em tons entre granada e alaranjado, um pouco turva. Nariz intenso e complexo, com notas florais de rosas secas, mineral terroso, figos secos, couro, salame, defumados, resinas, muitas especiarias. Paladar seco, ainda bem vivo, cheio de taninos, boa acidez, muito umami, 13% de álcool, já com bastante evolução no nariz, mas firme na boca, ainda excelente mas não o guardaria mais. Comprado na Chambers em NYC por US$ 85. Excelente.

Nota: 95 pontos

  

Flatiron

A Flatiron (www.flatiron-wines.com ,929 Broadway), é uma loja pequena, mas com grandes vinhos. Estive na Borgonha ano passado e alguns dos vinhos que achei na Flatiron, lá eram difíceis de encontrar. Eles são bons também em Loire, Rhône, Califórnia, e tem boa oferta de safras antigas. Foi o melhor atendimento das lojas visitadas, conhecedores e apaixonados.

 Veja minha seleção:

Comprei e testei:

Chäteau Giscours 1970, Bordeaux-França

Acho que nunca uma garrafa de vinho deste nível ficou tão pouco tempo comigo, comprei havia 2 horas na Flatiron em NYC por US$ 150 e já estava aberta, acompanhando costeletas de cordeiro. Tenho por exemplo uma garrafa deste mesmo vinho safra 2000, que está em minha adega, tem já uns 10 anos.
1970 foi uma safra excepcional em Bordeaux e em várias outras regiões ao redor do mundo, como a Rioja. 70 em Bordeaux foi uma safra longeva de taninos firmes. Os vinhos até hoje, depois de 45 anos, estão com taninos bem nervosos. Em algumas verticais que já fiz de grandes Bordeaux as cegas, de Mouton e Palmer por exemplo, os 1970 se confundem facilmente com safras 10-15 anos mais novas. Esta garrafa revelou um líquido em tons granada, quase escuro. Aroma intenso, já com boa evolução da idade, notas de couro, musgo, frutas secas, grafite (não o decantei, não havia um decanter disponível) e deixei que evoluísse na taça. O paladar é mais jovial que o nariz, com bom corpo, os típicos taninos desta safra, finos e ainda nervosos.

Nota 95 pontos

Riesling Wehlener Sonnenuhr Auslese 1976, Mosel Saar Ruwer, Leonard Kreusch Trier

A felicidade por ter apenas 9% de álcool, que é o caso deste branco de 1976, uma das grandes safras da história para os Rieslings alemães. Este estava perfeito aos 39 anos de idade, com cor amarelo dourado com reflexos âmbar. Aroma delicado, não muito intenso, com notas de damasco, mel, resinas, strudel de maça. Paladar delicioso, mais leve e menos doce do que esperava de um Auslese, com apenas 9% de álcool, meio-doce mas com excelente acidez que lhe d’a frescor e ameniza a doçura. Eh um vinho maduro, mas sem nenhum sinal de decadência, o que me faz apostar em mais 5-10 anos de vida para ele. Harmonizado com queijo alemão Sternschnuppe, de leite de vaca, curado, firme, amanteigado e saboroso. Comprado na Flatiron em NYC por US$ 60.

Nota: 93 pontos

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Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com