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O nascimento do champagne millésimé

O nascimento do champagne millésimé

28/12/2015

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Atualmente os millésimés correspondem a pouco mais de 2% da produção total da região. O restante é de champagnes “sans année”, ou sem ano, elaborados com mistura da safra mais recente com colheitas anteriores.

Os millésimés ou vintages são fruto de uma única e excepcional colheita. Esta categoria, contudo, nem sempre existiu. O mais comum na região, de clima frio, sempre foi misturar as safras, para daí conseguir qualidade mais consistente. Não há registros de uma data precisa para o nascimento dos millésimés, que se situa no início do século XIX. Sabe-se, contudo, que os primeiros exemplares eram comercializados sem trazer indicação do ano de colheita nos rótulos ou nas rolhas. Como fraudes começaram a surgir, e a prática de colocar o ano de produção, primeiramente nas rolhas e depois nos rótulos, foi ganhando força. 

As primeiras garrafas que traziam em suas rolhas o ano da colheita teriam sido de 1834. Ocasionalmente os rótulos também ostentavam tal informação. Esta pratica, contudo, só se tornou mais comum a partir dos anos 1870. 

Mesmo sem constar dos rótulos, muitas grandes safras do século XIX ficaram famosas. Registros históricos consideram excepcionais os millésimés 1802, 1804, 1811, 1818, 1819, 1822, 1825, 1832, 1834, 1842, 1846, 1857, 1862, 1865, 1868, 1870, 1874, 1880, 1889, 1892, 1893, 1899.

O século XX começou com uma seqüência grandes anos: 1900, 1904, 1906, 1911, 1914, 1920, 1921, 1923, 1926, 1928, 1929. Outra seqüência famosa da década de 50: 1952, 1953, 1955, 1959. James Bond pediu mais de uma vez algumas destas safras em seus filmes, como um Dom Pérignon 1953 (em “007 contra Goldfinger” de 1964) e um Dom Pérignon 1959 (em “Com 007 Só Se Vive 2 Vezes” de 1967), por exemplo. A Veuve Cliquot fez seu primeiro millésimé em 1810 e ainda guarda em suas caves algumas garrafas da safra de 1893!

Tive a oportunidade de participar recentemente de uma prova horizotal de todas as Cuvée de Prestige da safra de 1961, incluindo Krug, Don Pérignon, Perrier Jouet, etc, e com poucas excessões estavam todos excepcionais, mostrando a capacidade de guarda dos Champagnes safrados. Boas safras recentes são 1990, 1995, 1996, 1998, 2002, 2004 e 2008. Testei 9 millésimés, confira:

Champagne Taittinger Comtes de Champagne 2004 (Interfood).

Um Blanc de Blancs,

100% Chardonnay, com quase 10 anos sur lie, 5% do vinho base estagia em barricas novas por 4 meses. Dourado claro.

Aroma complexo, intenso e muito fino, com tostados, leveduras, frutas cristalizadas, flores, cítricos.

Paladar ao mesmo tempo muito firme e muito delicado, com profundidade e grande finesse.

Grande Champagne.

Nota: 96 pontos

Champagne Laurent-Perrier Millésime 2002 (Inovini). 

Cerca de 50% Pinor Noir e 50% Chardonnay, com 8 anos com suas borras.

Dourado, com nariz intenso e complexo, maçã, cítricos, amanteigados, baunilha, leveduras.

Paladar de médio corpo, cremoso, onde a dosagem de açúcar aparece, longo.

Um champagne rico, cremoso e elegante, merece alguns anos mais de guarda.

Nota: 93 pontos

Champagne Barnaut Millésime Brut Grand Cru 2000 (Decanter)

Elaborado com 50% Pinot Noir, 50% Chardonnay, com 3 anos com suas borras.

Amarelo dourado Aroma rico e intenso, com frutas bem madurass, cerejas, ameixas, mel, leveduras, flores secas, tostados.

Paladar encorpado, rico, largo, com boa profundidade, maduro e potente, em um ótimo momento para consumo.

Nota: 93 pontos

Champagne Family Reserve Blanc de Blancs 2005, Comte A. de Dampierre (Interfood).

Um Blanc de Blancs, 100% Chardonnay. Amarelo palha claro.

Aroma intenso e fresco, com muitas leveduras, cítricos, avelãs, tostados. Paladar largo com boa acidez e dosagem de doçura que aparece, cremosidade domina o equilíbrio. Estilo mais para aperitivo ou sobremesas leves.

Elegante, rico e muito longo, pronto para beber.

Nota: 92 pontos

Champagne Special Club 2000, Pierre Gimonnet & Fils (Martini Casa do Vinho). 

Um Blanc de Blancs, 100% Chardonnay de vinhas velhas. Amarelo palha claro.

Aroma elegante e complexo, com notas minerais, bem marcadas, além de brioches, strudel de maçã, limão amarelo, pêssego e uma nota salgada.

Paladar de bom corpo, cremoso, textura macia, com ótimo equilibrio com a acidez, dosagem integrada, conjunto fino e bem proporcionado.

Nota: 92 pontos

Champagne Pierre Pèters L'Esprit 2005 (Vinci).

Um Blanc de Blancs, 100% Chardonnay.

Dourado bem claro, intenso e rico no nariz, com notas de flores, laranja, leveduras, maçã, amêndoas, notas minerais. Paladar leve e cremoso, equilibrado e elegante.

Um Champagne que conquista pela elegância, de um ótimo produtor, para ser bebido jovem. 

Nota: 92 pontos

Champagne Pol Roger Brut Vintage 2002 (Mistral).

Elaborado com 60% Pinot Noir e 40% Chardonnay, com 8-9 anos em autólise e 8 gramas de açúcar na dosagem. Dourado claro com aromas de cítricos, limão, maçã verde, mel, leveduras, tostados, flores, fundo mineral.

Paladar estruturado por acidez crocante, muito fresco, intenso e longo.

Expressivo agora mas pode evoluir bem por mais 5-10 anos.

Nota: 92 pontos

Champagne Taittinger Millésime 2005 (Interfood).

Elaborado com 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, com 9 gramas de dosagem de açúcar. Aromas intensos, com notas florais, de mel, frutas maduras, pêssegos, laranja, limão, cogumelos, tostados, leveduras. Paladar de bom corpo, textura mais para cremosa do que para crocante, longo. Para ser bebido jovem.

Nota: 91 pontos

Champagne Maxime Blin Millésime 2002 (Vinea).

Elaborado com 80% Pinot Meunier e 20% Pinot Noir.

Amarelo dourado claro e brilhante. Aroma expressivos, com notas frutadas, de pêssego, maçã, frutas vermelhas, leveduras.

Paladar de médio-bom corpo, com acidez equilibrada com cremosidade, dosagem bem integrada. 

Nota: 90 pontos

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com