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Dicas para comprar vinhos antigos

Dicas para comprar vinhos antigos

06/01/2018

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Da Redação

Você nunca compraria um carro, uma casa ou uma obra de arte sem fazer algumas perguntas ou verificar a qualidade. De que vale uma Ferrari antiga se ela não tem motor? Quanto vale um Picasso rasgado ou danificado? Comprar vinhos antigos requer a mesma atenção, mas as nossas ferramentas para assegurar que o vinho foi bem armazenado são limitadas e superficiais. Ainda assim, é surpreendente quantos compradores assumem os riscos por não fazerem as perguntas certas ou compreender mal os padrões de inspeção. Diz-se que depois de 30 anos não há mais vinhos ótimos, só ótimas garrafas. Mesmo em uma caixa perfeita que foi armazenada corretamente por décadas, nem todas as garrafas expressarão as mesmas características, e algumas podem ter estragado sem nenhum motivo aparente. As dicas a seguir vão ajudá-lo a aumentar as suas chances de comprar garrafas saudáveis que vão proporcionar todo o prazer pretendido pelo produtor do vinho.

O rótulo diz pouco sobre o vinho que está na garrafa. Alguns colecionadores preferem comprar garrafas com os rótulos intactos. Infelizmente, não é provável que uma garrafa com várias décadas de descanso em um ambiente frio, escuro e úmido tenha rótulos intactos, e um rótulo perfeito não significa um armazenamento perfeito. Um rótulo sujo e manchado de umidade geralmente indica que o vinho descansou bem e não foi movido (agitado). Às vezes, quando são colocadas em racks menores, os rótulos podem ter pequenos rasgos, ou uma garrafa pode rasgar e manchar o rótulo do vinho abaixo dela. Nada disso indica maltrato, e às vezes um patinho feio pode oferecer a mais bela experiência de degustação. A não ser que a mancha de vinho no rótulo aparente ter sido causada por infiltração, você pode ignorar a maioria das imperfeições.

Um nível de líquido alto não garante um vinho saudável. Naturalmente, muitos compradores de vinho assumem que um nível de liquido alto indica melhor armazenamento. Isso é uma medida enganosa que pode levar a erros. É possível que o vinho tenha sido exposto a temperaturas excessivamente quentes ou frias durante um longo período de tempo, sem que isso tenha afetado dramaticamente o nível de líquido. Se uma garrafa é rapidamente congelada ou aquecida, a rolha geralmente irá projetar-se para fora e o vinho pode vazar pela rolha, mas se a mudança de temperatura é lenta, você pode não ver as mesmas evidências de maltrato. Também é possível que a rolha falhe, permitindo que o ar danifique o vinho sem reduzir de forma significativa o volume na garrafa.

Um nível de líquido baixo não garante um vinho estragado. Já provei centenas de vinhos com nível de líquido mais baixos que estavam absolutamente deliciosas, e às vezes melhores do que vinhos que pareciam perfeitos. Doze garrafas da mesma caixa nem sempre terão os níveis de líquido idênticos depois de 30-40 anos, e não é sempre verdade que níveis menores são necessariamente vinhos piores. O comprador deve desconfiar de vinhos que tem um nível baixo incomum para sua idade, mas isso não deve ser o seu fator de decisão principal.

COR! COR! COR! COR! O fator número 1 para saber se um vinho estará bom é a cor e a claridade do líquido dentro da garrafa. Mesmo depois de 50 ou 70 anos, um vinho tinto deve ter uma coloração vermelha brilhante, translúcida, através do centro da garrafa quando visto contra a luz. Vinhos tintos que não foram armazenados corretamente terão uma aparência turva, barrenta, marrom ou laranja escuro. Um vinho branco irá escurecer com o tempo, mas mesmo depois de 30-40 anos, a cor primária deve ser um ouro forte, e nunca marrom ou barrenta. Tantos dos vinhos tintos como dos brancos, nós esperamos limpidez, pureza da cor e só um pouco de enfraquecimento da cor nas bordas, onde o líquido é mais fino na garrafa. Embora eu não recomende assumir riscos desnecessários, eu tive resultados incríveis com vinhos que tinham níveis de líquido terríveis, mas a cor perfeita. Sauternes e outros vinhos doces podem ser a exceção para essa regra, já que eles podem adquirir tons âmbar mas ainda estarem perfeitos.

Má sorte acontece. Infelizmente, há possíveis problemas que não podem ser percebidos visualmente. Borgonhas brancos produzidos entre 1996 e 2005 podem ser suscetíveis a oxidação prematura, também conhecida como PREMOX. Não há como prever o problema, embora garrafas especialmente ruins tenham uma cor escura incomum comparada a outros da mesma idade. Tanto os vinhos tintos como os brancos podem às vezes estar contaminados por bactérias presentes na rolha. Nem a oxidação prematura nem vinhos arrolhados são sinais de maltrato, e há pouco o que fazer quando a má sorte ataca, mas a gente segue em frente e tenta novamente.

Nem todos são atraídos por vinhos antigos, mas aqueles que são apreciam as experiências únicas e a história proporcionada pelas garrafas antigas, e devem estar cientes dos riscos. É doloroso jogar seu suado dinheiro pelo ralo, mas as recompensas de um compra cuidadosa não são nada menos do que mágicas. Como com toda compra de garrafas caras, é importante conhecer a pessoa que está vendendo os vinhos e fazer perguntas sobre onde as garrafas foram adquiridas. Uma casa de leilão ou corretor honestos sempre tentarão responder às suas perguntas para demonstrar a qualidade dos produtos que eles oferecem.

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Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com