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Conheça a Syrah: história, curiosidades e VINHOS!

Conheça a Syrah: história, curiosidades e VINHOS!

09/06/2017

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

Há muitas lendas em torno da origem da uva Syrah (como é chamada na França) ou Shiraz (como é chamada na Austrália). No Irã, antiga Pérsia, existe uma cidade chamada Shiraz, enquanto na Sicília, Itália, uma outra chamada Siracusa. Teria esta espécie sido levada da Pérsia para a Sicília e de lá para o sul da França? Teria sido o Shiraz/Syrah o vinho da última ceia? Aquele que foi servido no Cálice Sagrado, que justificou muitas cruzadas?

São Patrício teria plantado a Syrah no Rhône ao retornar de uma peregrinação è terra santa? O cruzado Gaspard de Stérimberg ao retornar das batalhas no oriente teria trazido consigo esta cepa?

A teoria mais aceita hoje é de qua a origem seria o norte do vale do rio Rhône (Ródano) na França. A avó da Syrah seria uma uva chamada Allobrogica, cultivada pelos gauleses antes da chegada dos romanos ao Rhône.

A região mais tradicional e a referência mundial em Syrah é o vale do Rhône na França. Mas graças a qualidade de seus vinhos, hoje a Syrah, no caso a "Shiraz” é a primeira palavra que nos vem a cabeça quando pensamos em vinho australiano. Lá esta cepa chegou em 1832, pelas mãos do escocês James Busby (conhecido como o pai da viticultura australiana), que teria levado 400 mudas de várias cepas, e dentre estas a Syrah, foi a que melhor se adaptou ao clima quente da Austrália.

Viticultura

Syrah é sem dúvida uma uva que prefere climas quentes, mas adapta-se muito bem a climas mais frescos, com vários exemplos de ótimos Syrah "de frio". Temos exemplos do clima ensolarado e quase desértico do sul da Austrália e até alguns de climas muito frio, como a costa chilena do Pacífico.

Esta é uma casta vigorosa (produz bastante, pede pede água e calor), gosta de solos pedregosos que retém calor, como no sul do Rhone. Lá os solos de granito geram vinhos mais aromáticos, enquanto no xisto (como no norte do Rhône) os caldos são mais tânicos. Na argila vermelha e clima seco de sol do sul da austrália os  vinhos são muito encorpados, alcoólicos e picantes.

Vinificação

As cascas da Syrah tem muita cor, prestam-se a macerações longas e  com temperaturas maiores.

Carvalho

Não precisa de muita madeira, já tem bastante caráter, mas adapta-se muito bem ao carvalho. Na austrália mais comum o uso do carvalho americano para o Shiraz, enquanto na França usam o carvalho francês.

Cor: normalmente rubi escuro (ou muito escuro) e violáceo quando jovem

Aroma:

Frutas: geralmente é um vinho com ótima concentração de frutas maduras, quase sempre mais frutas negras que vermelhas, ameixas, amoras, cassis.

Flores: em climas mais frios pode dezenvolver aromas de flores, como violetas.

Especiarias: às especiarias picantes como pimenta do reino preta são a marca regitrada da Syrah, caso tenha passado por madeira, a baunilha e os tostados aparecerão, se a maderia for americana notas de coco queimado virão.

Madeiras carvalho - se com passagem por barricas

Tostados - chocolate é comum em Syrahs jovens, além de tostados e café (em caso de passagem por cavalho)

Vegetais/ervas:  tabaco, em climas frios pode desenvolver aromas de menta e eucalipto

Animais: couro

Sabor

Doçura: quase sempre secos. Os exemplares do novo mundo podem passar uma sensação de maciez, quase doçura.

Acidez: geralmente regular, podendo ser baixa em regiões mais quentes e boa em regiões mais frias, raramentechega é alta.

Corpo: geralmente são tintos encorpados, alguns australianos podem ser muito encorpados, chegando a ser alguns dos tintos mais encorpados do planeta, descritos como "canhões", "monstros", tudo no bom sentido...

Álcool: geralmente alto, raramente menos de 13%, podendo passar de 15%.

Syrah no mundo

A Syrah cresce muito no mundo todo, é uma uva que está na moda, por sua versatilidade, por ser fácil de beber, gerar vinhos nos mais diversos estilos e níveis de quaidade.

Veja os países e regiões com as maiores áreas de Syrah plantadas no mundo:

Obs: Como a França é de longe o país com mais Syrah plantado, abri este país por regiões.

Languedos-Roussillon (França)
Australia
Rhone (França)
Argentina
EUA
Provence (França)

Além destes países a Syrah tem importante presença em: Espanha, México, África do Sul, Chile, Nova Zelândia, Itália e Portugal. No Brasil já começam a surgir alguns bons exemplares não apenas no Rio Grande do Sul, mas também no Vale do São Francisco, Minas Gerais e até no Rio de Janeiro.

Curiosidades

Em estilo no geral os Syrah franceses são mais elegantes, frescos e perfumados, enquanto os australianos são mais encorpados, maduros e madeirados.

Em termos de longevidade a variação é grande e depende muito da origem, os melhores syrah (ou cortes) franceses no norte do Rhône, podem evoluir de 10 a 30 anos em garrafa, enquanto os exemplares australianos, estão no auge entre 5 e 15 anos.

A Austrália é o país com a maior quantidade de vinhedos centenários do mundo e a maioria destes é da casta Shiraz, um patrimônio inestimável.

Fora da França e Austrália, como chamam esta uva, Syrah ou Shiraz? Fica a critério do produtor e muitas vezes o nome já indica o estilo do vinho. Se o rótulo traz "Shiraz", possivelmente a inspiração foi na Austrália, e o vinho será mais madeirado, encorpado, mais "doce" e macio, notas de chocolate. Se o rótulo traz "Syrah", é uma dica de que o produtor quer que seu vinho nos remeta aos elegantes e mais longevos franceses, mas é só uma dica, não uma regra.

Embora a Shiraz seja a uva emblemática da Austrália, o vinho daquele país vai muito além dos tintos feitos com esta castas, que representam apenas cerca de 20% da produção do país, que inclui excelentes vinhos de todos os estilos: tintos e brancos, secos e doces, espumantes e fortificados.

O chamado "blend do Rhône", é uma típica mistura das uvas Syrah, Grenache e Mourvèdre.

Alguns Syrah chegam ao nível de obras de arte e podem ser  vendidos em leilões por somas exorbitantes, como o Penfolds Grange (Austrália) e os chamados "La La La", La Mouline, La Turque e La Landonne, do produdor francês Guigal, do Rhône.

É tão quente e seco no Barossa Valey (região mais famosa da Austrália), que em alguns vinhedos irrigados de Syrah, cada vinha chega a receber até 5 litros de água por dia no verão.

Na Austrália uma praga para os vinhedos de Syrah são os cangurus, que podem comer as uvas quando estas estão maduras e docinhas.

VINHOS

Veja alguns dos vinhos da Syrah avaliados no site www.marcelocopello.com

BRASIL

http://www.marcelocopello.com/vinho/reserva-syrah

http://www.marcelocopello.com/vinho/rio-sol-premium-2013-vinibrasil

FRANÇA

http://www.marcelocopello.com/vinho/chateauneuf-du-pape

http://www.marcelocopello.com/vinho/papillon-rouge-2013-domaine-milan

http://www.marcelocopello.com/vinho/les-creisses

http://www.marcelocopello.com/vinho/cote-rotie-2011

AUSTRALIA

http://www.marcelocopello.com/vinho/the-cover-drive

http://www.marcelocopello.com/vinho/vat-9-hunter-shiraz-

CHILE

http://www.marcelocopello.com/vinho/marques-de-casa-concha-syrah

http://www.marcelocopello.com/vinho/pangea-2007

http://www.marcelocopello.com/vinho/edicion-limitada-mediterraneao-2012-morande

ÁFRICA DO SUL

http://www.marcelocopello.com/vinho/spice-route-flagship-syrah

ISRAEL

http://www.marcelocopello.com/vinho/yarden-syrah-2010-golan-heights-israel

ITÁLIA

http://www.marcelocopello.com/vinho/solinero-syrah

PORTUGAL

http://www.marcelocopello.com/vinho/syrah-quinta-da-romaneira

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com