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Café e Vinho. Grandes paixões

Café e Vinho. Grandes paixões

06/06/2018

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Sabe o que muitos bebiam no café da manhã na Europa até o século XVII? Vinho. E no trabalho, sabe o que bebiam? Vinho. Em alguns casos estes hábitos seguiram até o início do século XX, ou quem sabe até hoje.

O café só chegou à Europa no século XVII, vindo do oriente médio, e era chamado de “vinho da Arábia”. Não é de hoje então a comparação entre minhas duas bebidas prediletas.

A indústria do café, assim como a de outras bebidas, busca inspiração no vinho para se sofisticar. Entre uma  taça e outra (ou uma xícara e outra) me pus a pensar na relação entre este dois líquidos, que diariamente frequentam meu palato.

Semelhanças:

“Tal qual um bom vinho…” a produção de um café gourmet segue um processo meticuloso. Desde a escolha do terreno ideal, variedades a plantar, cultivo e produtividade da planta, maturação dos grãos, até a decisão de melhor época para a colheita, técnicas de secagem, torra e moagem. Como no vinho, tudo faz diferença.

O café tem suas espécies e castas. No vinho temos as uvas viníferas, de maior qualidade, e as não viníferas (as de vinho de garrafão). No café, o equivalente são as espécies Arábica (que gera cafés mais finos) e Robusta, mais rústicos.

No vinho ao falar de castas falamos de Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec etc. O café também tem as suas castas, como Bourbon, Catimorra, Mundo Novo, Caturra, Catuai, entre muitas outras, cada uma com seus aromas e sabores.

“Tal qual um bom vinho…” quimicamente o café é riquíssimo em compostos aromáticos, que resultam em um grande leque de sensações. Não por acaso o público consumidor de bons vinhos é também um consumidor de bons cafés, já que as duas bebidas são eternos companheiros da boa mesa e ambos lubrificam ótimas conversas.

Diferenças:

• Café (quase sempre) se bebe quente. Vinho (festas juninas à parte) se bebe fresco, frio ou gelado, conforme o tipo.

• O principal momento de consumo de café é de manhã. O principal momento de consumo de vinho é à noite.

• Vinho tem tipos e cores: tinto, branco, rosé, espumante, fortificados, dos muito secos aos muito doces. Café varia de tonalidades e suas diferentes misturas, mas doce só se for adoçado, e branco, só com muito leite.

• Uma garrafa de vinho de 750ml nos leva naturalmente a partilhá-la com alguém. A xícara de café, não.

• Café é bebido no trabalho. Vinho não (ok, há controvérsias).

• “Vamos tomar um café?” é diferente de “Vamos tomar um vinho?”. O primeiro pode ser um convite para uma reunião de trabalho. O segundo um convite para celebrar o resultado de um trabalho.

• Vinho é relaxante, luxo e indulgência, que ativa o lúdico e a criatividade. • Café é energia, que ativa o foco e a concentração e também a criatividade.

• Vinho pode alcançar status de obra de arte, ser vendido em leilões e alcançar altas cifras. Café não.

• No que diz respeito aos aromas e sabores, a maior diferença entre vinho e café, é que vinho envelhece. Ao envelhecer os sabores do vinho ganham complexidade sem par em outras bebidas. Além disso, partilhar uma garrafa antiga é uma experiência única, que fortalecerá os laços entre quem dela participou.

• Talvez a diferença mais significativa entre o vinho e qualquer outra bebida seja a grande conexão estabelecida com o consumidor. Quando você compra uma garrafa de vinho ou pede um vinho em um restaurante, é normal que você saiba seu país, região, safra, produtor, uvas. No café raramente algo assim acontece. Muitas vezes nem a marca se sabe. Assim, o vinho gera algo valiosíssimo – um vínculo com quem o degusta.

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Insta: @marcelocopello

Marcelo Copello (mc@marcelocopello.com) 

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com