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As lágrima do vinho

As lágrima do vinho

25/08/2019

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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O choro do vinho

Por Marcelo Copello

O ato de rodar a taça de vinho é típico dos bebedores mais frequentes. Eu por exemplo, já faço isso automaticamente, tanto que já me peguei girando copos de água. Gira-se a taça principalmente para aerar o líquido e intensificar a liberação seus aromas, mas não apenas. Ao girar-se o líquido no copo podemos observar seu teor alcoólico.

Faça a experiência: rode a taça de forma a molhar as paredes do vidro e aguarde. Depois de alguns segundos formam-se o que chamamos arquetes, lágrimas ou pernas, pequenos arcos de líquido que escorre pelas paredes do copo. Este fenômeno é chamado de “efeito Marangoni”, em homenagem ao físico italiano (1840-1925) que estudou o fato.

O vinho é composto principalmente por água e álcool. Cerca de 70-90% do primeiro, 12-15% do segundo e o restante completado por centenas de substâncias.

Quando molhamos as paredes do vidro/cristal, forma-se uma película. Enquanto o álcool, mais leve, evapora, a água, mais pesada, força o liquido escorrer. Por isso quanto mais um vinho chora, quanto mais numerosas e finas suas pernas, mais álcool este conterá e mais lentamente descerão suas lágrimas.

Muito se fala que a glicerina, um dos inúmeros componentes do vinho, influencia suas lágrimas. Isso não é verdade, pois a proporção deste componente é insuficiente para tal. A geometria do copo (se mais ou menos ovalado) e a temperatura do líquido sim, potencializarão o choro.

Este experimento com vinho já foi objeto de vários estudos de física, embora esta lei não se aplique apenas ao fermentado de Baco, e sim a qualquer líquido.

É muito difícil apenas pelo exame visual dizer se o teor alcoólico de um vinho é de 13% 14% ou 15%, por exemplo, pois a diferença em suas lágrimas será mínima. Contudo, ao se comparar um vinho normal (não fortificado), com um vinho — elaborado com a adição de aguardente vínica, um destilado de uvas — a choradeira será óbvia.

Faça a experiência também com bebidas destiladas, é um show quase pirotécnico.

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com