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A maneira tradicional de abrir velhas garrafas de Porto, sem o saca-rolhas

A maneira tradicional de abrir velhas garrafas de Porto, sem o saca-rolhas

14/12/2018

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

Alguns Portos como os do tipo Vintage são muito longevos, tão longevos que vivem mais que suas próprias rolhas. Algumas casas de Porto têm o salutar hábito de a cada 25 anos rearolhar as garrafas antigas de seu estoque. Logo, caso abram uma garrafa de Porto muito velho mas com uma rolha novinha não se assuste. Por outro lado, como nem todas as casas rearolham as garrafas antigas e ainda, estas garrafas podem ter vindo de alguma adega particular, o mais provável é que ao abrir uma garrafa muito antiga a rolha esfarele-se diante do saca-rolhas tradicional, o que seria uma lástima, enchendo o precioso líquido e pedaços de rolha. 

Leia também O que é o gosto de rolha

Abrir garrafas muito velhas, de mais de 40 anos, é uma operação mais delicada. Sugiro examinar o estado da rolha e tentar delicadamente inserir um saca-rolhas normal. Ao menor sinal de que a rolha está muito frouxa ou ameaçando se romper pare a operação. Neste caso podemos usar um saca rolhas em forma de PINÇA ou uma TENAZ. O primeiro não fura as rolhas mas as agarra, e requer sutileza ao ser usado, sob o risco de empurrar a rolha para dentro da garrafa.

A tenaz é um instrumento inventado no Douro especialmente para abrir garrafas antigas de Porto. Composto de duas hastes de metal unidas por um eixo (quase como uma grande tesoura), a tenaz vai ao fogo até que a ponta do metal fique avermelhada de tão quente. Com muito cuidado manuseia-se a tenaz de modo que esta abrace o pescoço da garrafa logo abaixo da rolha, por alguns segundos. Em seguida joga-se água bem gelada no gargalo, que de imediato partirá onde foi tocado pela tenaz. O gargalo sairá inteiro contendo a velha rolha e o vinho está pronto a servir.

Sugiro que apenas profissionais usem a tenaz, pois esta é uma operação que pode causar acidentes, como graves queimaduras.

Outra solução, menos espetacular mas eficiente, é sacar a rolha normalmente e caso esta se esfarele no vinho, pode-se usar um coador ou mesmo um pano para coar as impurezaz. Muitas lojas especializadas vendem coadores de metal feitos especialmente para o serviço do Porto. Simplesmente côa-se o Porto ao transferir o líquido da garrafa para um decanter. 

Assisti uma demonstração desta técnica tradicional na cidade do Porto. Vejam o video:

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com