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10 vinhos brancos diferentes, uma aventura de sabores

10 vinhos brancos diferentes, uma aventura de sabores

23/06/2020

Marcelo Copello

Mundo do Vinho

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Por Marcelo Copello

Ao escrever minha uma outra coluna recente neste espaço, sobre vinhos laranja, veio a pergunta natural: quais seriam outros brancos diferentes a se conhecer?

Como dito, a variedade no universo do vinho é infinita. Comecei a enumerar alguns vinhos como Jerez e Porto e logo veio a memória outro, e mais outro, e mais outro... Para quem quer se aventurar em outros sabores, seguem algumas recomendações de vinhos brancos elaborados de forma diferente do padrão:

- Jerez Fino – branco fortificado do sul da Espanha, feito com a uva palomino fino. É muito seco e incrivelmente versátil à mesa, vai ao do sushi ao curry, passando por aspargos, alcachofras e azeitonas.

- Retsina – vinho tradicional grego, cuja origem remonta à antiguidade. Ainda é popular naquele país, consumido com petiscos típicos, como o queijo feta. É um branco seco feito com adição de resina de pinheiros e com típicos aromas de eucalipto.

- Vin Jaune - Este vinho é verdadeiramente uma joia, lapidada no Jura, região no leste da França. Elaborado com uvas savagnin de colheita tardia, o vinho fica seis anos em barricas parcialmente cheias, de modo que forma-se uma camada de leveduras, em um processo bastante semelhante ao do Jerez, só que sem adição de aguardente. O Vin Jaune tem cor dourada-alaranjada, aromas oxidativos complexos e potencial de guarda de muitas décadas.

- Porto branco  - há duas categorias por Porto branco. Os jovens, sem safra, mais simples, utilizados em coquetéis. E os envelhecidos, que podem chegar ao mais alto nível de qualidade. Estes são os Porto Colheita branco (que traz sua safra, ou ano de produção) e os Porto Tawny com indicação de idade (10, 20, 30 ou 40 anos).

- Vin Cuit – ou “vinho cozido”, um vinho tradicional do sul da França, elaborado com o cozimento do mosto em fogo a lenha, sem ferve-lo, para concentrá-lo, antes de fermentá-lo em barricas por longo tempo, até um ano. O resultado é um vinho doce, de cor caramelo e paladar xaroposo, que enfrenta às sobremesas mais açucaradas. Os italianos fazem um vinho semelhante, chamado de vino cotto.

- Vin de Paille – ou “vinho de palha”, tradicional da região do Jura, leste da França, feitos com uvas savangnin, poulsard ou chardonnay, que secam sobre camas de palha por ao menos seis semanas. O resultado é um vinho doce, com teor alcoólico mais alto, podendo chegar a 17%.

- Vino Passito – a versão italiana dos vinhos de palha. Este tipo de vinho pode ser feito em várias regiões da velha bota mais o mais famoso é o Passito di Pantelleria, ilha ao sul da Sicilia, onde este tipo de vinho remonta ao século II a.C. Este passito é elaborado 100% com uva zibibbo, secas por cerca de um mês em caixas, depois fermentadas com adição de mosto fresco.

- Vino Racio – conheci este vinho em uma viagem ao interior da Espanha e me encantei. Este fortificado tradicional espanhol, pouco conhecido e diferentão, é quase comestível de tão denso. O vinho é fortificado e colocado me garrafões de vidro ao sol, por um ou dois anos, depois passa a um sistema de solera (mistura de safras). São quase sempre brancos (de cor alaranjada), mas também existem em versões tinto e rosado. O resultado é um vinho oxidativo, denso, de cor carregada, e sabor intenso, com alguma doçura. Muitos espanhóis o elaboram de artesanal, e tem como seu vinho da casa, que oferecem às visitas.

- Vin Santo italiano – ou Vino Santo, tem origem remota e várias teorias sobre seu nome, como a de que este caldo adocicado tinha o poder de curar doentes com a peste negra (em temos de COVID, talvez valha a pena provar este). Depois de colhidas, as uvas são passificadas em esteiras (secas como passas), antes de fermentadas, colocadas em pequenas barricas, que são lacradas com cera, por ao menos três anos. O vin santo italiano pode ser seco (em um estilo que lembra o Vin Jaune ou o Jerez Fino), meio doce ou até muito doce. Este também pode ou não ser fortificado, e pode ser feito com uvas brancas (geralmente trebbiano ou malvasia) ou tintas, como a Sangiovese, neste caso são chamados de Occhio di Pernice (olho de perdiz), por sua cor mais amarronzada.

- Vin Santo grego – não se sabe dizer qual o original, se o grego ou o italiano. Seja como for há diferenças. O Vin Santo grego, feito na paradisíaca ilha de Santorini, é feito com a excelente casta assyrtiko e misturado a outras locais. As uvas não passam por passificação após a colheita, mas sim, ainda no vinhedo. Depois o vinho amadurece três anos em barricas (que não são lacradas, permitindo que o vinho que evaporou seja completando, deixando menos oxigênio na barrica, resultando em vinhos menos oxidativos que a versão italiana). O vin santo grego é sempre doce e com grande potencial de guarda.

Marcelo Copello

Marcelo Copello


Marcelo Copello é um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no Brasil, com expressiva carreira internacional. Eleito “O MAIS INFLUENTE JORNALISTA DE VINHOS DO BRASIL” pela revista Meininger´s Wine Business International, e “Personalidade do Vinho” 2011 e 2013 pelo site Enoeventos.

Curador do RIO WINE AND FOOD FESTIVAL, e Publisher do Anuário Vinhos do Brasil, colaborador de diversos veículos de imprensa, colunista da revista Veja Rio online. Professor da FGV, apresentador de rádio e TV, jurado em concursos internacionais de vinho, como o International Wine Challenge (Londres). Copello tem 6 livros publicados, em português, espanhol e inglês, vencedor do prêmio Gourmand World Cookbook Award 2009 em Paris e indicado ao prêmio Jabuti.

Especialista no mercado e nos negócios do vinhos, fazendo palestras no Brasil e no exterior, em eventos como a London Wine Fair (Londres). Copello é hoje um dos palestrantes mais requisitados. Para saber mais sobre as palestras e serviços de Copello clique AQUI

  

Contato: contato@marcelocopello.com