Grande Horizontal de Premier Cru

July 9th, 2010

Encerram-se nesta 3ª feira dia 13 as inscrições com desconto para a “Grande Horizontal de Premier Cru”. Latour, Lafite, Margaux, Mouton e Haut-Brion todos em uma mesma noite. Imperdível e inesquecível!

Veja todos os detalhes em http://www.mardevinho.com.br/agenda/horizontal-2004

Informações e inscrições: marketing@mardevinho.com.br – tel: (21)3507-0337

 

Saúde!

Marcelo Copello

www.mardevinho.com.br

09/07/2010 – “Vinho & Jazz”

July 8th, 2010

Por Marcelo Copello

Sempre digo em minhas palestras que o vinho é apenas um líquido em uma garrafa. A emoção está em quem o bebe. O vinho funciona como um espelho onde cada um verá a si mesmo. Quem gosta de Jazz, por exemplo, “ouvirá” em seu vinho predileto muitos Miles, Monks, Ellas e Parkers (Charlie e não Robert). A relação será estabelecida na emoção, que está em cada Jazzófilo e em cada discípulo de Baco.

 

Eu diria que o Jazz se diferencia dos demais estilos musicais por quatro características principais. Primeiro por sua grande complexidade harmônica, em geral maior até do que a da música clássica. Segundo pelas dissonâncias, que enriquecem tremendamente as melodias, causando tensões e momentos dramáticos. Terceiro pelo improviso, como nas jam sessions, que tornam cada show único. Finalmente por estes improvisos se basearem normalmente no que chamamos de standards, canções que são tão famosas e a tanto tempo, que qualquer músico conhece. Assim instrumentistas que nunca se viram podem improvisar juntos sobre o mesmo tema, como “Round Midnight” ou “Dindi”.

 

O Vinho

O vinho tem tudo isso. É de longe a bebida que pode alcançar a maior complexidade olfato-gustativa, por sua variedade de castas e terroirs, e capacidade de envelhecimento em garrafa. O vinho pode ter dissonâncias, angulosidades, que realçam seu sabor, como um toque a mais de taninos ou de acidez. O improviso também está presente na enologia. A cada dia esbarro com novos blends inusitados – em minha última visita ao Chile provei um corte muito criativo, um branco de Carménère com Sauvignon Blac, que “soou” muito bem, em tom maior! Finalmente, no universo do vinho os standards poderiam ter sua metáfora nas uvas internacionais, os enólogos podem trabalhar como músicos fazendo suas criações nos mais variados terroirs com base em castas que todos conhecem – já provei Cabernets de um sem número de regiões e países, de uma infinidade de estilos. Da mesma forma já ouvimos infinitas variações sobre o tema de “A Night in Tunisia”.  

O jazz seria então a melhor companhia musical para o vinho?

Se você gosta de Jazz e de vinho, sim. Como disse no início deste texto a emoção está em quem ouve e degusta. Jazz e vinho oferecem uma fonte ilimitada de estilos, nuanças, sonoridades e sabores, possibilitando um terreno fértil para muitas combinações.

Eu por exemplo, poderia propor “harmonizar” “A Love Supreme”, de “John Coltrane com um “Almirez 2007” (Peninsula, R$ 172), da bodega Teso La Monja, donos da já lendária Numanthia Thermes. Coltrane tem gosto de vanguarda, complexo e cerebral, com força passional. Este tinto de Toro tem o mesmo tom: vanguarda espanhola, profundo na cor e sabores, complexo (muita fruta, especiarias picantes, florais de rosas, chocolate, fumé, toque mineral de grafite), taninos potentes e nervosos como as sofisticadas dissonâncias de Coltrane, e como tudo que é bom precisa de tempo, dê a este caldo ao menos mais 2 anos em garrafa. Um monstro do Jazz e um monstro de vinho. Nota: 91 pontos.

O contraponto à energia criativa de Coltrane pode estar na delicadeza quase preguiçosa de Billie Hollyday. A intérprete de “Lover Man” é pura emoção, transbordando de um talento tão inexorável quanto as quatro forças da natureza. Um Borgonha como o Pommard Vieilles Vignes 2006 de Dominique Laurent (World Wine, R$ 334), toca esta mesma melodia: clássico, direto, elegante. Este tinto com aromas de cerejas, minerais terrosos e funghi secchi, ainda está jovem e nervoso, refletindo a força branda dos Pommard e a boa safra. Como Lady Day todo Borgonha é mais instinto e terroir que elaboração. Nota: 90 pontos

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

02/07/2010 – “O Sr. Porto à mesa”

June 30th, 2010

Por Marcelo Copello

“Quando o vinho desce as palavras sobem”  provérbio português.

Harmonizar é experimentar. No caso de um vinho tão tradicional como o Porto é comum que não ousemos e sigamos cegamente a tradição. Porto com sobremesas de chocolate é ótimo, mas há muito mais, especialmente se lembrarmos a riqueza de tipologias do Sr. Porto. Para experimentar recomendo começar testando os vinhos do Porto com a culinária portuguesa. Para os não portugueses poderá ser uma dupla descoberta e a chance de errar é mínima, já que por séculos este casamento vem sendo aprimorado pelos lusitanos. Não se contente, no entanto, em parar por aí. Considero obrigatório testar qualquer vinho de seu gosto com a culinária de sua terra (no meu caso a brasileira), além de explorar receitas de outros países, mesmo que não sejam produtores de vinho, além de combinações ousadas, caso do chocolate e da pimenta. 

A seguir algumas sugestões de alguns matrimônios (alguns bastante ousados), para você experimentar, testar e se deliciar:

Porto branco jovem e seco

Gaspacho

Presunto cru

Melão com presunto

 

Porto branco jovem doce

Amêndoas do Douro assadas, salteadas com azeite e sal

Foie Gras

Patê de Foie Gras

Salmão defumado

Haddock defumado

Sorvetes de baunilha ou creme

Frutas frescas

Queijos curados – Manchego, Pecorino, Parmesão

Porto Tawny corrente, Tawny velhos e Colheitas

Leite Creme

Crème brulée

Petit fours, biscoitos amanteigados

Sobremesas amanteigas em geral

Pêssegos frescos

Pato de Pequim

Sobremesas portuguesas, os “doces d´ovos”

Rabanada

Arroz-Doce

Farófia

Aletria

Pudim abade de Priscos

Queijadinhas

Frutas secas, castanhas, damascos

Chocolate amargo

Lombo de Cordeiro com molho agridoce

Sobremesas de chocolate com laranja

Tortas de nozes (e/ou avelãs e amêndoas)

Chocolate com praliné

 

Porto Rubi ou LBV

Morangos, frutas vermelhas frescas em geral

Queijos de massa mole como brie e camembert

Manjar branco e sobremesas com ameixas em calda

Sobremesas de chocolate com frutas vermelhas

“Pêra bêbada” (pêra ao vinho tinto)

Mousse de gorgonzola

Chocolate com café

Um enólogo português já me sugeriu LBV com um filé au poivre vert!

Obs: os LBVs também podem se adaptar aos pratos propostos para os Vintage.

 

Porto Vintage novos

Queijo da Serra da Estrela

Roquefort

Gorgonzola

Stilton

Queijo do Azeitão

Queijo de Serpa

Queijo de Nisa (de ovelhas)

(também podem se adaptar aos pratos propostos para os LBVs)

 

Porto Vintage velhos (com 30 anos ou mais)

Carnes de caça preparadas com muitas especiarias

Tarte tatin

Strudel

(adaptam-se também mais aos pratos propostos para os Tawnys do que aos propostos aos Vintages novos)

Os grandes Colheitas velhos, Tawnys 20, 30 e 40 anos e os Vinages ficam muito bem puros,  no fim da refeição. 

Para os charutos os especialistas preferem os Tawnys 10 ou 20 anos ou os Colheitas.

Uma sugestão minha, muito simples, é derreter por alguns segundos em um forno ou em um micro ondas uma fatia de gorgonzola até que derreta, regá-la um porto LBV ou Vintage gelado e servir imediatamente. Uma boa idéia é também, em caso de uma Porto que foi decantado, usar a parte que ficou na garrafa, com as borras, para regar o queijo derretido. Desperdiçar este resto de vinho é crime previsto nas leis de Baco. Coma o queijo derretido de colher acompanhado do mesmo Porto e a vida fará sentido. 

 

O Vinho do Porto como ingrediente

O vinho do Porto reina não apenas nas taças, mas também na cozinha. A maioria dos vinhos ao ser usado para cozinhar, depois que o álcool evapora, quase desaparecem em meio aos outros ingredientes, o Porto não, especialmente em receitas de cozimentos mais longos. Por sua grande estrutura e consistência o Porto sobressai. Com maior teor natural de glicerina que os outros vinhos, o Porto empresta sua cremosidade a molhos, seus aromas tomam o lugar de especiarias.

Experimente colocar um pouco de Porto branco na sopa ou um fio de porto Porto Ruby sobre um bolo de chocolate. Use e abuse por Porto em molhos, em cozimentos de carnes e aves, por exemplo. Tendo o Porto como ingrediente podemos poupar no uso de gorduras e de sal, tornando as receitas mais ricas e saudáveis.

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

O vinho no Brasil cresce e aparece

June 30th, 2010

Vejam uma matéria sobre o crescimento do vinho no Brasil, no o jornal de maior audiência de Portugal, o equivalente a nosso “Jornal Nacional”

É preciso ir no link: http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=1098&e_id&c_id=1&dif=tv&sms_ss=facebook

Depois selecionar a edição do dia 27/6/2010, primeira parte, e colocar em “19:10” – dezenove minutos e dez segundos

Abraços,

Marcelo Copello

www.mardevinho.com.br

Grande Horizontal PREMIER CRU 2004

June 27th, 2010

Provar um dos “5 grandes” de Bordeaux é o sonho de todo enófilo. Provar todos os 5 em uma mesma noite é para entrar para a história de nossos paladares. Latour, Lafite, Margaux, Mouton e Haut-Brion são nomes que todo discípulo de Baco sabe de cor, como a escalação de uma seleção de maiores de todos os tempos. Vamos comparar todos de uma mesma safra, 2004. A noite será completa, com jantar, Champagne e Sauternes. Imperdível e inesquecível!

Data – 22/07 – 5a feira
Hora – de 19:00 às 22:00 (às 19:00 recebemos os pontuais com espumantes e às 19:30 começamos)
Endereço – Escola Mar de Vinho - Rua Buarque de Macedo, 75 – Flamengo

PROMOÇÃO: TRAGA UM AMIGO E GANHE UMA GARRAFA DE VINHO*

Programa

Prof. Marcelo Copello

Boas vindas com Champagne Veuve Clicquot

  • Aula didática sobre os Premier Grand Crus de Bordeaux e a safra de 2004
  • Degustação orientada dos seguintes vinhos (50ml de cada vinho por pessoa): 
    1. Château Margaux 2004, Premier Grand Cru Classé, Margaux-Bordeaux-França
    2. Château Mouton Rothschild 2004, Premier Grand Cru Classé, Pauillac-Bordeaux-França
    3. Château Haut-Brion 2004, Premier Grand Cru Classé, Graves-Bordeaux-França
    4. Château Lafite Rotschild 2004, Premier Grand Cru Classé, Pauillac-Bordeaux-França
    5. Château Latour 2004, Premier Grand Cru Classé, Pauillac-Bordeaux-França
    6. Château La Tour de By 2005, Médoc, com o jantar (100ml por pessoa)
    7. Sauternes Château Doisy Daëne 2005, Grand Cru Classé, com chocolates

A degustação inclui jantar, menu: 

Entrada – pudim de milho com saladinha morna de quiabo e tomate

Principal - Risotto de costela de boi cozida em crosta de sal aromatizada

Sobremesa – chocolates da Associação dos Profissionais do Cacau Fino e Especial

Preço: R$ 980,00 até o dia 13/07, após R$ 1.280,00

Vagas limitadas a 14 pagantes

Reservas:

Com Andréa ou Lourdes no local ou pelo tel: (21) 2285-6087
Ou
Com Renata no tel.: (21) 3507-0337 ou pelo email marketing@mardevinho.com.br

 *Inscrições só serão confirmadas mediante comprovação de pagamento.

Obs:

Não repomos aulas perdidas nem reembolsamos valores pagos.

Datas e programas sujeitos a alteração.

Todos os eventos realizados na Escola Mar de Vinho são para maiores de 18 anos.

*Promoção válida para os 5 primeiros inscritos que trouxerem um amigo

25/06/2010 – “Os aromas do Sr. Porto”

June 24th, 2010

Por Marcelo Copello

Um caso à parte na história do fermentado de Baco, o Vinho do Porto é (além do Champagne) o único vinho que transcende qualquer fronteira e é aceito em todo o mundo. Mesmo em países de grande tradição vinícola, onde é raro que se vejam nas prateleiras e mesas produtos de outra nacionalidade, o Porto é sempre reverenciado.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que é universal o Porto é pouco compreendido. Para o grande publico ao redor do planeta Porto é Porto, aquele tinto docinho servido em pequenos copos, com aperitivo. Muitos esquecem da riqueza de tipologias que só o Porto tem. Vejamos os aroma típicos (mais comuns) dos diversos tipos de Porto e façamos uma “viagem ao fundo do córtex” em busca de todos estes cheiros em nossa memória!  

Porto BRANCO JOVEM

  • Frutas tropicais frescas em geral
  • Banana
  • Casca de laranja
  • Frutas cristalizadas
  • Flores como jasmim
  • Mel
  • Chá

 

Porto tinto JOVEM (envelhecido em garrafa – Ruby, Ruby Reserva, LBV, Vintage)

  • Aroma de aguardente
  • Frutas frescas – figos, ameixas, morango, framboesa, cereja, amora
  • Especiarias – baunilha, anis, alcaçuz
  • Balsâmicos – menta, esteva, eucalipto
  • Florais – violetas, rosas
  • Vegetais – feno, terra molhada,
  • Animais – couro
  • Torrefação – chocolate, café

 

Porto envelhecido em casco (Tawny, Tawny Reserva, Tawny 10, 20, 30 e 40 anos e Colheita)

  • Aroma de aguardente
  • Vegetais – ervas maceradas, ervas secas
  • Frutas frescas – marmelo, damasco, pêssegos
  • Frutas secas – nozes, avelãs, castanhas, amêndoa, pinhão
  • Especiarias – baunilha, anis, canela, pimenta do reino branca
  • Balsâmicos – resinas
  • Florais – flor de laranjeira
  • Mel
  • Torrefação – caramelo

 

Porto envelhecido em garrafa COM ALGUMA IDADE (Ruby, Ruby Reserva, LBV, Vintage)

  • Frutas negras maduras – cassis, ameixa, cereja, amora
  • Vegetais – feno, tabaco
  • Balsâmicos – esteva, pinho, resinas, eucalipto
  • Animais – caça, suor, couro
  • Florais – violetas
  • Especiarias – cravo, pimenta do reino preta, canela, baunilha, anis, alcaçuz
  • Madeira velha, cedro, carvalho
  • Torrefação – pão torrado, chocolate, café

 

Portos MUITO VELHOS – TODOS (com mais de 40 anos):

Com a idade os diversos tipos de Porto (mesmo os brancos) tendem a se parecer e desenvolver os seguintes aromas: 

  • Etéreos, como cera, vela ou sabão;
  • Químicos, como  iodo e cloro;
  • Balsâmicos, como resinas
  • Especiarias como pimenta do reino e baunilha
  • Animais como aromas de carne e couro envelhecido
  • Vegetais, como cogumelos, musgo, tabaco, folhas de chá
  • Florais, como flor de laranjeira
  • Mel
  • Frutados, lembrando amêndoa, damasco, avelãs, nozes
  • Torrefação, incluindo caramelo, amêndoa torrada, café , chocolate

 

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Sud de Frande Synchonized Worldwide Tasting

June 21st, 2010

Tive problemas com esta degustação, só recebi os vinhos às 9:30 da manhã de hoje (dia 21), ainda quentes e tinha uma reunião à 10hs e o compromisso de provar os vinhos e colocar no ar até às 11hs, de modo que fiz tudo em tempo récord. Duas garrafas chegaram quebradas assim como uma taça que vinha junto na caixa. Muito vidro quebrado estava espalhado por todo o material, folhetos, garrafas e acabei cortando a mão duas vezes no processo de desembalar e depois de abrir as 3 garrafas que restaram.    

Vamos aos vinhos: 

Rosé: Fruité Catalan, sem safra, 13% de álcool, Cor de rosa claro e brilhante, com reflexos tangerina, cor rosado de região quente, possivelmente elaborado por sangria.  Aroma de bom ataque e bom frescor, mas sem muita definição, com frutas vermelhas frescas, cerejas, toques florais de rosas e de especiarias. Paladar leve, quente e macio, de média persistência no palato, um rose simples e agradável. Nota 80 pontos.   

Espumante: Sieur d´Arques, crémant de Limoux, Grande Cuvé 1531, 12% de álcool, método Champenoise, Cor palha claro e brilhante, com reflexos esverdeados. Perlage de tamanho grande, quase grosseira, e pouco abundante. Aroma de médio ataque, cítrico e de ótimo frescor, com toques de flores brancas. Paladar muito leve e fresco, seco, indica um período sur lie curto, final curto e muito fresco. Delicioso, leve, para aperitivo. Nota 82 pontos.   

Tinto: Dromedaire 30670 2006, Vin de Pays DOC, 13% de álcool. Cor rubi escuro com reflexos violáceos. Aroma intenso, típico de vinhos de região quente, com fruta bem madura na frente, com boa densidade, confeiture, especiarias como baunilha, alcaçuz, bom frescor, toque lácteo, algo tostado, com café. Paladar de médio corpo, taninos finos, doces, boa acidez, equilíbrio muito bom, um tinto sem complexidade ou profundidade, mas bem elaborado e delicioso para o dia a dia.  Nota 83 pontos.   

Vejam detalhes sobre esta prova mundial em  HTTP://suddefrance-export.net/sync-tasting/blog/commentaires/

18/06/2010 – “Vinho & Poker”

June 16th, 2010

Por Marcelo Copello (coluna publicada na revista Gosto número 9)

A sétima arte usou muitas vezes o jogo para adicionar “sabor” a seus enredos. Deste gênero meu predileto é “Golpe de Mestre” (The Sting, 1973), com Paul Newman e Robert Redford. O famoso jogo de pôquer neste filme me inspirou a escrever a ficção humorística que se segue:  

 

O Cassino The Sandman´s em Las Vegas acaba de inaugurar uma sala VIP especial para enófilos. Lá você pode chegar com suas garrafas que imediatamente são avaliadas com a ajuda de um computador. O sistema é alimentado com cotações oficiais de casas leiloeiras, como Sotheby’s e Christie’s. Antes de serem depositados no cofre do cassino cada vinho é convertido em uma ficha de pôquer, mas não uma ficha comum. Em poucos segundos uma máquina faz fotos e produz fichas plásticas em formato de silhueta de garrafa com a imagem de cada rótulo e um valor em dólares impresso logo abaixo. Assim você pode entrar no jogo com um certo número de fichas/garrafas e depois trocá-las de volta. E ainda degustá-las para comemorar!

Jogadores mais experientes levam preciosidades como Romanées Contis ou Lafites antigos para atrair boas apostas dos adversários, mas também vinhos mais baratos para fazer apostas menores, como dinheiro trocado.  A mania está atraindo fanáticos de todo o mundo. Uma mesa de pôquer chegou às manchetes do Financial Times em agosto passado, quando o famoso ator egípcio Tomar Sharif (um notório jogador) sentou-se à mesa com litros e litros de “fichas”. Tomar encarou na ocasião oponentes à altura, como o Sheik Beb Ali e Gianni Bevuto.  

O Sheik Beb Ali, embora abstêmio por questões religiosas, possui uma das maiores adegas do planeta e é um eno-apostador inveterado. Obcecado pela safra de 1925, ano de seu nascimento, faz qualquer aposta para conseguir os vinhos do “ano da vitória”. Dizem que uma vez, blefou com um par de valetes contra um flush e pôs na mesa, dobrando a aposta, 4 magnums de Latour 61 para obter um único e precioso exemplar de d´Yquem 25. Por allah seu oponente preferiu não pagar para ver.

Enquanto Tomar Sharif joga pelo vício de jogar, a emoção de ganhar, e o Sheik Beb Ali para aumentar sua coleção, sem jamais desarrolhar nada, Bevuto joga para beber mesmo e ponto. Este italiano da Calábria, que fez seus bilhões na indústria de reciclagem de vidro, começou seu negócio com as milhares de garrafas de vinho vazias que lotavam permanentemente sua casa. Hoje ele não guarda garrafa nenhuma, cheia ou vazia, a não ser as que usa como “fichas”. Seu vício é degustar raridades que nunca provou. “Cheval 1947 de novo? Não agüento mais! Prefiro algo mais raro, como um José de Sousa 1945!”, declarou certa vez em uma entrevista.   

O famoso embate entre os três começou light, com Tomar pingando um Beaujolais Nouveau, no que foi seguido por Beb Ali que colocou na mesa uma ficha de rosé da Provence, enquanto Bevuto entrou com uma demi-bouteille de Valpolicella. Isso era só para “fazer a boca”, pois o jogo só esquentou quando já estavam no “pote” no centro da mesa raridades como 12 “fichas” de Madeira 1890, 4 Margaux 1900, 6 magnums de Romanée-Conti 1978, uma Matusalém de Krug Clos du Mesnil 1996, 8 Vega Sicilia Único 1962, 2 double-magnums de Penfolds Grange 1990, 12 Gaja Barbaresco Sori San Lorenzo 1982 e valiosíssimas 6 magnums de Screaming Eagle 1992.

Mas por incrível que pareça os apostadores só perderam a cabeça quando Tomar (sabedor das fraquezas de seus oponentes) cobriu uma aposta colocando na mesa uma única ficha do Grandjó 1925. Algumas garrafas deste branco do Douro, produzido a partir de um vinhedo que não existe mais, de Sémillon e Sauvignon Blanc, foram esquecidas por décadas nos porões da Real Companhia Velha, até que o enólogo Dirk Niepoort às descobriu durante uma peritagem. A notícia da existência do Grandjó 1925 correu o mundo dos colecionadores como um raio, pois as poucas garrafas já abertas estavam magníficas! Hoje restam apenas 12 exemplares desta preciosidade. O Sheik Beb Ali precisava deste troféu na sua coleção e Bevuto queria bebê-la imediatamente!

Resumindo a ópera: Bevuto, com um full hand de ases, limpou a mesa e em seguida, dizendo alegre “full hand and empty bottle!”, procedeu a abertura da garrafa. “O Grandjó 1925 estava lindamente dourado, muito vívido e límpido, com reflexos âmbar, aromas de mel, com toque agradável e discreto de oxidação, que lhe dá complexidade, lembrando um jerez, mesmo aos 85 anos de idade ainda mostrava fruta madura, manga, abacaxi em calda, geléia de damasco, paladar perfeito, abriu-se muito ao longo da prova, bem presente no meio de boca, e muito longo, espetacular! Nota 96 pontos”.

Garrafa do Gradjó 1925 degustada por Copello

Nota do autor: Tudo isso amigos, para relatar a emoção que tive ao degustar este 1925 há poucos dias em Lisboa. Aviso: todas as informações sobre o Grandjó 1925 são verdadeiras, o resto é invenção.

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br 

11/06/2010 – “Duas jóias da Suíça”

June 10th, 2010

Por Marcelo Copello, do Valais-Suíça

Antes de voltarmos ao tema Suíça, duas notas importantes. A 1ª é para avisar que já estão abertas as inscrições para o curso “Técnica e prática de DEGUSTAÇÃO” na Escola Mar de Vinho. Este é um curso sem pré-requisitos, para iniciantes e iniciados. São 3 aulas, 3 jantares, mais de 20 vinhos degustados! Veja os detalhes em www.mardevinho.com.br/agenda/curso-de-degustacao  

A 2ª nota é para avisar que semana passada dei uma entrevista para o site da revista VEJAQuem ainda não assistiu veja no link:   

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/videos-veja-entrevista/marcelo-copello-jornalista-e-especialista-em-vinhos/

Assistam e deixem seus comentário lá no site da VEJA.

Abraços,

Marcelo Copello

  

Vertical de Château de Vinzel

Encerrando a jornada pela pequena mas vasta Suíça mostro hoje duas jóias daquele país. Duas surpresas do inesgotável baú de Baco, que nos lembram de que quem só bebe vinho tinto tem muito a perder e que a longevidade dos brancos não deve ser menosprezada. O Château de Vinzel é um Grand Cru da região de Vaud (sub-região do Valais), tida como o melhor terroir para a Chasselas, uva branca mais plantada da Suíça.

Integrante do grupo de 18 produtores “top” denominados “Clos Domaines & Châteaux”, de crus do Vaud, o Château de Vinzel ocupa 8,4 hectares de vinhedos (100% Chasselas) em solos de cascalho e tem sua própria de denominação de origem, a “AOC Vinzel”.

Como mencionei na primeira desta série de três colunas dedicadas à Suíça, a Chasselas normalmente proporciona vinhos simples, leves, de baixa acidez, quase neutros. Alguns grandes exemplares, contudo, são longevos e complexos, com típicos aromas de cítricos, marmelo, menta, cera, nozes, mel e uma textura sedosa personalíssima. Participei in loco de uma vertical 12 safras do Château de Vinzel que atestaram sua surpreendente longevidade. O incrível foi constatar como um vinho de baixa acidez vive tanto, com uma evolução tão lenta, mudando pouco (perde pouca acidez e ganha poucos caracteres de evolução) ao longo dos anos em garrafa. Segundo especialistas locais alguns exemplares vivem até 50 anos em garrafa.

Château de Vinzel 2008. Este foi um ano clássico para a Chasselas, com calor na hora certa e amadurecimento lento. Palha esverdeado brilhante. Muito fresco, frutas e mineral bem delineado, flores brancas, extrema elegância. Paladar leve e fresco, com esplendida textura (não há nenhum tipo de maceração pelicular), com boa acidez, mais alta que o padrão, longo e fresco. Nota: 90 pontos

Château de Vinzel 2007. Ano muito chuvoso, mas com verão quente e com bom resultado. Ainda esverdeado em sua cor palha brilhante. Menos intenso no nariz que o anterior, um pouco menos de florais e mais frutas, como marmelo, melão e pêra, mineralidade evidente. Paladar leve e macio, cremoso, com um pouco menos de acidez em relação ao anterior, ótimo equilíbrio, muita elegância e limpeza. Nota: 88 pontos

Château de Vinzel 2005. Frescor intenso, fruta mais madura, marmelo, melão quase cozido, mineral evidente, paladar untuoso, o mais encorpado até agora, textura excepcional, muito longo e elegante.   Nota: 90 pontos                     

Château de Vinzel 2003. Ano muito quente e de colheita precoce. Amarelo claro e brilhante, fruta muito madura, quase sem o típico toque floral, mineral. Paladar untuoso, elegante, acidez baixa, comum pouco de perda em sua persistência gustativa, mas não em seu finesse e textura excepcionais.  Nota: 88 pontos

Château de Vinzel 2000. Um grande ano. Dourado claro brilhante. Nariz intenso e mais complexo que os anteriores, com frutas maduras, marmelo, pêssego, floral muito puro e bem delineado, especiarias, alcaçuz, baunilha. Paladar untuoso, de textura excepcional, muito expressivo, de acidez baixa, pouco persistente.  Nota: 92 pontos

Château de Vinzel 1998. Certa turbidez na cor, não muito límpida, ainda com tons esverdeados, na transição para dourado. Perfil muda bastante em relação aos anteriores desta prova, a partir desta safra os vinhos já se mostram evidentemente maduros e com evolução. Os aromas de ótima complexidade, de flores maceradas, frutas confit, especiarias, minerais. Paladar untuoso, de baixa acidez, delicioso.  Nota: 88 pontos

Château de Vinzel 1995. Grande ano. Dourado brilhante ainda com traços esverdeados. Intenso nos aromas, rico e complexo, marmelo, manga, flores brancas, mineral evidente. Um dos melhores da prova, concentrado, complexo, com acidez muito boa (acima da média dos demais).  Nota: 93 pontos

Château de Vinzel 1992. Dourado claro e brilhante, sem denotar a idade que tem. Aroma espetacular, o mais mineral de todos da prova, complexo e com grande finesse. Seu perfil aromático sugere que o vinho terá mais corpo e untuosidade no boca, mas é leve de grande equilíbrio.  Nota: 94 pontos

Château de Vinzel 1990. Como 1992 a cor deste 1990 não delata sua idade e seu caráter pe francamente, seu paladar é mais macio e untuoso que o anterior e um pouco curto, mas com grande finesse. Nota: 92 pontos

Château de Vinzel 1985. Um ano difícil, de colheita mais tardia. Este apresenta um caráter de vinho de sobremesa, como um late harvest, com muito mel no nariz e frutas em compota, sem perder o acento mineral. Paladar mais magro, macio, média persistência. Nota: 87 pontos

Château de Vinzel 1982. Um ano de colheita tardia. Cor palha clara com reflexos dourados (sem denotar tanta idade). Mais fresco que o 1985, muito mineral, com toque de mel, fruta madura bem delineada. Paladar untuoso, finíssimo, fim de boca mais longo e complexo. Um dos melhores da prova. Nota: 93 pontos

Château de Vinzel 1976. Dourado claro e brilhante sem delatar sua idade. Nariz delicado e complexo, muito mineral, com mel. Paladar leve, de textura macia, longo, com fim de boca complexo e mineral. Um dos melhores da prova, vinho surpreendente. Nota: 94 pontos

 

Grain Noble Confidentiel

Outro grupo que reúne vinhos top do Valais é a “Grain Noble Confidentiel”. Fundada em 1996 esta associação congrega produtores de vinhos doces botrytizados (atacados pelo fungo Botrytis cinerea), a moda do Sauternes. O nome “confidentiel” (confidencial) é inspirado no volume mínimo da produção, que é para poucos. O grupo estabeleceu uma carta de 10 regras de qualidade para seus vinhos que incluem: vinhas de ao menos 15 anos de idade, utilizar somente as castas Petite Arvine, Ermitage (Marsanne), Johannisberg (Sylnaver), Malvoisie(Pinot Gris) e Amigne, não é permitida a fortificação dos vinhos, todos devem amadurecer um mínimo de 12 meses em barricas, todos devem ser elaborados com uvas “rôti” (botrytizadas) e/ou “flétri (secas, de colheita tardia), todos os vinhos precisam ser aprovados em teste de degustação por uma comissão do grupo.

Flétri

 

Rôti

Os vinhos aprovados neste quesitos trazem um selo com os dizerem “Grain Noble Confidentiel”.  Participei de uma degustação com cerca de trinta destes néctares, vejamos alguns destaques:

Mitis 2006. Produtor: Jean-René Germanier. AOC Valais (sub-região Vétroz). Elaborado 100% com a casta Amigne, com 14,5% de álcool. Dourado intenso na cor, brilhante. Botrytis aparece nitidamente no nariz, com geléia de damasco, mel, especiarias, baunilha. Paladar bastante doce, concentrado, com boa acidez, bem equilibrado, muito longo e elegante. O melhor desta prova. Nota: 93 pontos

Johannisberg  du Valais 2007, Produtor: Domaine du Mont. AOC Saint-Martin, elaborado com a casta Johannisberg. Bela cor dourada com reflexos alaranjados. Nariz delicado e etéreo, com bastante botrytis e muito finesse, flores, passas, amêndoas tostadas, geléias. Paladar doce, untuoso, redondo, muito longo e com final fresco e elegante. Nota: 92 pontos

Polymnie Séduction Or 2006. Produtor: Domaine des Muses. Corte de 85% Ermitage(Marsanne) e 15% Malvoisie (Pinot Gris), aroma complexo e etéreo, com bastante botrytis, florais elegantes, bom frescor, damasco, mel. Paladar concentrado, bastante doce, elegante e longo, um vinho muito rico e equilibrado. Nota: 92 pontos

Petite Arvine Flétrie 2004 Produtor: Philippoz Frères. Elaborado 100% com a casta Petite Arvine, com 14,2% de álcool. Cor amarelo dourado claro e brilhante. O aroma de botrytis se destaca, com florais, lavanda, melão maduro, damasco, geléia de limão siciliano. Paladar concentrado, bastante doce, untuoso, muito longo. Nota: 90 pontos

Ermitage 2007. Produtor: Denis Mercier. Elaborado com a casta Ermitage(Marsanne), com 12,5% de álcool. Dourado claro, brilhante. Aromas intensos e finos, com o típico verniz da botrytis, mel, flores brancas, bom frescor, fruta bem delineada, laranja confit. Paladar mais leve que os demais da prova, bastante doce, untuoso, longo. Delicado e elegante. Nota: 90 pontos

  

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

www.mardevinho.com.br

Curso de Degustação com Marcelo Copello

June 9th, 2010

Já estão abertas as inscrições para o curso “Técnica e prática de DEGUSTAÇÃO” na Escola Mar de Vinho

Este é um curso sem pré-requisitos, para iniciantes e iniciados, voltado para a prática de degustção.  

3 aulas, 3 jantares, 20 vinhos degustados!

Dias 1, 8 e 15 de julho – *5as feiras*
R$ 335,00 (pagamento parcelado sob consulta, inscrições até 24/06)

Veja todos os detalhes clicando www.mardevinho.com.br/agenda/curso-de-degustacao

Veja nossa página de descontos e promoções: www.mardevinho.com.br/descontos

Informações: marketing@mardevinho.com.br – tel  21-3507-0337

 

Saúde! 

Marcelo Copello

Chief Editor – Mar de Vinho

“Most influential journalist” (Brazil) – Meininger´s Wine Business International